A Ideia Tridimensional Em Sociologia

 

 

A Ideia Tridimensional Em Sociologia – Ensaioa-ideia-tridimensional-em-sociologia

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Autor: Jacob J. Lumier

Editor: Bubok Publishing S.L.

– Madrid, Espanha

Depósito Legal:

ISBN papel: 978-84-9009-129-6

ISBN ebook: 978-84-9009-130-2

Rio de Janeiro, Julho 2011, 156 págs.

 

  1. Comunicação Social. 2. Teoria Sociológica
  2. Título.

 

©2011 by Jacob (J.) Lumier

Todos os Direitos Reservados

 

Apresentação

 

 

Todo o mundo sabe que os indivíduos mudam de atitude em função dos grupos aos quais pertencem. Os papéis sociais que assumem ou os personagens que encarnam mudam segundo os círculos sociais diferentes a que pertencem. Um pai ou um marido muito autoritário, por exemplo, pode, simultaneamente, desempenhar o papel de um colega particularmente atencioso. Em cada grupo, um indivíduo desempenha um papel social diferente: é ajustador, vendedor, professor…, por outro lado, esse mesmo indivíduo pode desempenhar, nesses grupos, papéis umas vezes sem brilho, outras vezes brilhantes; umas vezes subordinados, outras vezes dominantes; os mesmos indivíduos e os mesmos grupos podem, segundo estruturas e conjunturas sociais variadas, desempenhar papéis muito diferentes e até opostos. Dentre outras, essas variações indicam somente alguns aspectos do pluralismo social efetivo da realidade social, que constitui o pano de fundo deste ensaio.

Para o sociólogo, o principal critério dos materiais empíricos é a variabilidade: Os agrupamentos particulares mudam de caráter e não apenas de posições; assumem identidades e diferenças não assumidas em tipos ou subtipos de sociedades diferentes. Na medida em que participam da mudança em eficácia que se opera no interior das estruturas, os grupos, mais do que se deslocarem conforme trajetórias apenas exteriores, se movem nos tempos sociais.

 

 

 

As manifestações da sociabilidade, os grupos, as classes sociais, mudam de caráter em função das sociedades globais em que estão integrados; inversamente, as sociedades globais se modificam de cima a baixo sob a influência da mudança de hierarquia e de orientação das primeiras.

►A sociologia diferencial exige o abandono das ilusões do progresso em direção a um ideal, bem como o abandono das ilusões de uma evolução social unilinear e contínua, sendo da competência da sociologia descobrir, na realidade social, as diversas perspectivas possíveis e até antinômicas que são postas para uma sociedade em vias de se fazer.

As ilusões trazidas pela confusão com a filosofia da história se encontram favorecidas pela ocorrência de um erro lógico fundamental que é a falta de distinção entre os juízos de realidade e os juízos de valor. Desse erro decorre a confusão, pois em vez de explicar os desejos a partir da realidade social, constrói-se a realidade social em função desses desejos.

Os juízos de valor são as aspirações, os desejos e as imagens ideais do futuro, e formam um dos patamares da realidade social em seu conjunto, de tal sorte que o progresso em direção a um ideal (filosofia da história) só pode intervir, na análise sociológica, unicamente em vista de integrar esse progresso ideal em um conjunto de fatos sociais que a análise se propõe explicar.

A sociedade está sujeita a flutuações e até aos movimentos cíclicos, e o progresso retilíneo em direção a um ideal particular, tomado como um movimento constante, não pode valer mais do que para períodos determinados, – em outros períodos a sociedade pode orientar-se em sentido oposto ao ideal, ou por um ideal completamente diferente.

A falta de distinção entre os juízos de realidade e os juízos de valor torna impossível o acesso da análise sociológica ao dado fundamental da vida social que é a variabilidade.

►Embora tenha uma vertente acadêmica ao debater as questões metodológicas que estão por trás da suposta alternativa fenomenologia ou sociologia, este trabalho é orientado para comunicar sobre o problema sociológico da variabilidade e, por esta via, expõe os procedimentos dialéticos e as correlações funcionais entre o conhecimento e os quadros sociais.

 

Jacob (J.) Lumier-2011

 

 

 

 

 

 

A Ideia Tridimensional em Sociologia

 Jacob (J.) Lumier

Sumário

 

Apresentação. 7

A ideia Tridimensional 13

Variabilidade ou Imposição?. 13

As três escalas dos quadros sociais. 22

Psiquismo coletivo e Reificação. 26

Conhecimento e Dialética. 30

A Possibilidade da Estrutura. 33

Realismo Sociológico. 36

Imanência recíproca do individual e do coletivo. 37

Conhecimento Filosófico e Sociologia. 41

Metodologia das Ciências Sociais. 42

As relações dialéticas e as atitudes coletivas. 48

Os procedimentos dialéticos do hiperempirismo 53

A Dialética das Alienações – 76

A pluridimensionalidade da Realidade Social 82

Dialética e Microssociologia. 85

Consciência Coletiva e Formas de Sociabilidade. 100

As amplitudes e os tempos. 108

O Realismo Temporalista. 114

Os Tempos da Burguesia. 121

Crítica à Filosofia Fenomenológica. 123

Artigo Anexo: Desejo e Vontade em Sociologia. 132

Cronologia. 143

Bibliografia. 147

Índice. 152

Perfil do Autor Jacob (J.) Lumier. 153

 

 

 

 

 

A Ideia Tridimensional em Sociologia

Jacob (J.) Lumier

 

 

A ideia Tridimensional

 

Variabilidade ou Imposição?

 

Os tipos de sociedade industrial são calcados na observação da divisão do trabalho: a grande oficina e suas engrenagens.

Em vista de esquivar os dogmatismos e livrar-se dos preconceitos, a teoria sociológica se faz precedida do estudo dialético dos determinismos sociais (as engrenagens), a fim de colocar em relevo não só a análise dos níveis de realidade cujas hierarquias múltiplas integram as estruturas sociais[i], mas o concurso da liberdade humana interveniente nesses determinismos, de maneira realista e não simplesmente lógica ou matemática, com relevo para a variabilidade.

A “tradição” intelectual da sociologia que se nutre em Saint-Simon e no “jovem” Marx é notadamente sociologia diferencial (voltada para o estudo dialético das variações nos quadros sociais), e não apenas sociologia sistemática (limitada ao estudo das regularidades tendenciais), estando mais bem aparelhada que esta última para isolar o preconceito filosófico inconsciente que atribui estrutura lógica na base de toda a sociedade e, por esta via, desmontar os dogmatismos da mentalidade doutrinal e axiomática, ainda residual entre sociólogos.

 

►Crítica da mentalidade da filosofia social.

Certamente, o que faz passar despercebida a indispensabilidade da dialética em sociologia é a proliferação de estudos e teorias formalistas de papéis sociais, nas quais predomina a valorização do paradigma de Hobbes (Thomas Hobbes, 1588 —1679) para explicar as desigualdades sociais.

Diz-se equivocadamente que as posições são dotadas de soberania: os homens que as ocupam estabeleceriam a lei para seus súditos e, notadamente, exerceriam o controle de sanções, suposta capacidade de garantir conformidade à lei [ii].

 

Pelo paradigma de Hobbes o problema das desigualdades sociais torna-se derivado e, equivocadamente, se resume em estabelecer um suposto elo perdido entre a sanção do comportamento individual e a desigualdade das posições sociais.

 

Diz-se, ademais, e ainda equivocadamente, que, partindo da noção de “posições dotadas de soberania”, implicando poder de imposição e sanções, dever-se-ia concluir o seguinte: (a) houvera sempre resistência às posições dotadas de soberania, cuja eficiência e legitimidade seriam precárias; (b) o grupo dos pretensos privilegiados que ocupam tais posições seria, supostamente, o mais forte, e a sociedade – assim imaginada como regida pelo princípio de obediência – se manteria unida pelo exercício da força, isto é, pela coação. Trata-se da conjectura que influentes sociólogos do século vinte, adeptos da mentalidade doutrinária e leitores da filosofia social, classificaram como a “solução hobbesiana para o problema hobbesiano da ordem[iii].

►Daí que o problema das desigualdades sociais torna-se derivado, e se resume em estabelecer o elo perdido entre a sanção do comportamento individual e a desigualdade das posições sociais [iv] “elo perdido” este que a filosofia social encontra contido na noção de norma social, a saber: as expectativas de papéis seriam apenas normas sociais concretizadas ou “instituições”.

Diz-se, então, equivocadamente, que seria útil reduzir a estratificação social à existência de normas sociais reforçadas por sanções. Explicação axiomática que demonstraria a “natureza derivativa” do problema das desigualdades [v].

Quer dizer, ao invés de pôr em relevo os determinismos sociais de fato, a derivação das desigualdades teria a suposta vantagem de reconduzir em modo circular aos seus pressupostos doutrinários, como a existência de normas e a necessidade de sanções, considerados como axiomáticos, a dispensarem uma análise maior e, desta forma, encerrando o problema.

Com poucas palavras: porque há normas e porque as sanções são supostamente necessárias para impor conformidade à conduta humana (diferenciação avaliadora), tem que haver desigualdade de classes entre os homens.

Nota-se, enfim, por essa “teoria da coação” (ou de “repressão”), que a variabilidade da estratificação fica absolutamente fora de cogitação na aplicação do paradigma de Hobbes, tornando a discussão dos “universais sociológicos” consequentemente desprovida de alcance operativo, sem aplicação metodológica nenhuma, neste marco axiomático preferido pelos formalistas.

 

A visão axiomática impositiva segrega uma teoria formalista dos papéis sociais baseada na falsa separação da análise histórica.

 

►Mas não é tudo. Será em consequencia da teoria de papéis sociais decorrente dessa visão axiomática impositiva que certos autores formalistas serão questionados por promoverem a reificação [vi] nas relações sociais e humanas.

Com efeito, diz-se que “todo o segmento de posição estabeleceria uma relação (suposta lógica ou necessária) entre o ocupante da posição e um ou mais grupos de referência”. Então, e conforme tal mentalidade formalista, em sequência seria estabelecido “um conjunto de grupos de referência, cada um dos quais imporia ordens e seria capaz de sancionar o comportamento da pessoa”, seja positiva ou  negativamente.

Daí, por sua vez, a questão artificial da natureza da sociedade se transformaria na questão de saber “como os grupos de referência formulariam e sancionariam as expectativas (das posições, normativas) que seriam capazes de definir” [vii].

Seja como for, além da maneira de pensar geométrica e à revelia das formas concretas de sociabilidade (os Nós e as relações com outrem [viii]), − em que a análise centrada em posições revela-se, em razão disto, insuficiente, − a teoria de coação substitui, desta forma, o problema dos determinismos sociais pela força de imposição lógica da formulação conceitualista do “segmento de posição”.

Ou seja, nessas teorias formalistas, o indivíduo se personaliza na medida em que é constrangido, e assim levado a enquadrar-se na suposta “relação necessária” extraída de toda a realidade histórica, que lhe é imposta como um pretenso valor coletivo, falso valor porque não surge da experiência dos grupos reais, mas é suposto valer em conjectura, por força da objetivação conceitual do tal grupo vinculado ao segmento de posição.

Será em razão dessa formulação conceitualista que certos autores se verão na circunstância embaraçosa de esclarecer sobre os enunciados de suas teorias de papéis sociais, e se estas favorecem ou não a reificação, haja vista a identificação do valor coletivo à força de objetivação conceitual do grupo vinculado ao segmento de posição [ix].

 

Paradigmas de localização.

Tal é o método axiomático das teorias que buscam o “lugar” das desigualdades [x], isto é, aplicam e desenvolvem os paradigmas de localização, no caso, os esquemas de filosofia social, tirados de Thomas Hobbes (1588 —1679).

 

 

Antes de se ligarem aos papéis sociais, as expectativas ligam-se ao esforço coletivo.

 

 

►Por contra, como se sabe é indevida a confiança que se tem no absoluto da localização, porque, antes de constituir uma exigência propriamente epistemológica, a localização buscada encontra-se na base da linguagem como tal, sendo toda a sintaxe de “essência topológica” [xi].

Há uma limitação das atribuições realísticas que pretendem empregar as palavras “posição” e “movimento” fora do terreno em que foram definidas, ou onde esses termos são definíveis, isto é, nas equações de incerteza (impossibilidade em mensurar simultaneamente a posição e o movimento), descobertas na Física Quântica e tornadas características de toda a atitude científica contemporânea, nutrida da teoria da relatividade de Albert Einstein (1879 — 1955).

Este ensaio leva em conta a compreensão da revolução de Heisenberg [xii], que derruba por terra a objeção de que noções tão fundamentais como “posição e movimento” (velocidade) têm sentido universal.

Em epistemologia, as qualidades geométricas, incluindo a posição e a velocidade, não têm, como se sabe, direito nenhum a serem chamadas qualidades primeiras. Só há qualidades secundárias, uma vez que toda a qualidade é solidária de uma relação (de incerteza) [xiii].

Posto, desta forma, com base nas relações de incerteza, a compreensão epistemológica da variabilidade como dado elementar da realidade, e tendo em conta, em sociologia, a aplicação da dialética relativista complexa [xiv], destacando o fato de o saber variar em função dos quadros sociais, há que elaborar sobre o fato social comprovado de que, antes de se ligarem aos papéis sociais, como desejaram equivocadamente os formalistas, as expectativas se ligam ao esforço coletivo, incluindo-se, neste último, os históricos não só de iniciativas, projetos e métodos, mas das tentativas e das próprias realizações de um agrupamento social [xv].

Conforme assinalaram Berger e Luckmann, os universos simbólicos são passíveis de cristalização segundo processos de “objetivação, sedimentação e acumulação do conhecimento”. Esses processos de cristalização levam a um mundo de produtos teóricos que, porém, não perde suas raízes no mundo humano, de tal sorte que os universos simbólicos se definem como “produtos sociais que têm uma história” [xvi].

Além disso, deve ser resgatada a afirmação espontânea do equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros, como foco da vida do Direito que se inclui nas manifestações da sociabilidade, e no consequente pluralismo social efetivo (é irredutível a multiplicidade dos Nós e das relações com outrem), como um dado empírico que derruba por terra os axiomas tirados da filosofia social de Hobbes.

 

 

As antinomias guardam um setor intermediado, e não chegam a romper totalmente a reciprocidade de perspectiva.

►O pluralismo social efetivo como “sistema de freios e contrapesos” [xvii] se descreve a partir da constatação de que a realidade social é integrada (as formas de sociabilidade são maneiras de ser ligado pelo todo, no todo). Isto significa que a afirmação espontânea do equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros é uma característica da realidade social dos Nós, como manifestações concretas da consciência coletiva ao nível da experiência humana [xviii].

Ou seja, não há polos heterogêneos na realidade que não sejam relativos, toda a polarização dos contrários, dos contraditórios ou até antagônicos revela-se dialética, intermediada ou interpenetrada. Por mais que sejam polarizadas, as antinomias guardam um setor intermediado, e não chegam a romper totalmente a reciprocidade de perspectiva. A exasperação em polarização constitui o limite mais extremado para além do qual a realidade social se abisma.

Como dado empírico implicando procedimentos de verificação dos determinismos sociais, tais como as correlações funcionais e as integrações diretas nos conjuntos práticos [xix], dentre outros recursos de método, a afirmação espontânea do equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros (espontânea porque não imposta) diferencia-se no conjunto dos psiquismos individuais e coletivos, lá onde esses psiquismos transferem suas energias subjetivas para a realidade de conjunto, por efetividade do próprio conjunto prático, de tal sorte que a realidade social toda inteira vem a ser penetrada de aspiração aos valores (subjetividade coletiva).

Por efetividade desse determinismo de conjunto, tem-se que a realidade social é integrada, e compreende a soberania social, isto é, a afirmação espontânea do mencionado equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros.

 

►Realismo e Dialética

Destas observações decorre que a realidade social exclui o chamado “princípio de obediência à ordem”, que é característico das consciências fechadas sobre si mesmas, introspectivas. O fato de que o mundo de realidade social ultrapassa qualquer imposição de condutas preestabelecidas constitui importante diferencial da sociologia, a que repugna o paradigma da filosofia social de Thomas Hobbes (1588 – 1679), acolhido em especial pelos cientistas políticos, notadamente o falso postulado da natureza heterogênea, levando ao atomismo que fragmenta a realidade social em uma poeira de indivíduos isolados (“o homem é o lobo do homem”), suportes de reflexos condicionados.

Todavia, não se pense que a exclusão do chamado “princípio de obediência à ordem” seja decorrente de um voluntarismo abstrato. Pelo contrário. Inicialmente é preciso ter em conta o contexto histórico em que Émile Durkheim (1858 – 1917) desenvolvera seu conceito de amorfismo social [xx], isto é, a decadência não só do Estado, como pacto ou bloco de localidades (instituições parlamentares), mas também do Contrato que o representava como segurança jurídica para o indivíduo no final do século XIX.

Tal é o contexto privilegiado no curso da Segunda Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XIX (desenvolvimentos dentro da indústria química, elétrica, de petróleo e de aço), com destaque para os sucessos do período datado de 1885 a 1914 (Paz Armada), quando o “neo-imperialismo” levou à contraposição da Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália), por um lado, e da “Tríplice Entente” (Rússia, França e Inglaterra), por outro lado.

Como se sabe, a significação sociológica de tal decadência do Estado está no que se faz em proveito do direito social autônomo, que impulsionará o desenvolvimento da estrutura de classes no começo do século XX.

Quer dizer, em consequência da decadência do Estado, e, portanto, sem a imposição estatal, as relações coletivas produzirão em soberania social os acordos, as convenções e os contratos coletivos que, exitosos ou não, fizeram valer o mundo do trabalho e da produção industrial. Será neste sentido histórico-sociológico que a realidade social exclui o chamado “princípio de obediência à ordem”.

Mas não é tudo. Tendo em conta as imanentes forças psicossociológicas de pressão e de atração, a integração nos conjuntos da realidade social ultrapassa qualquer força de imposição, qualquer força previamente definida que se imponha logicamente do exterior, ainda que chamada a distribuir prestígio e influência.

Embora tenha níveis objetivados, a realidade social não é um lugar, é mais do que uma simples extensão cartesiana (res extensa) [xxi], é realidade em ato, em vias de se fazer, e se atualiza na multiplicidade dos quadros sociais − os Nós, os agrupamentos particulares (inclusive o Estado, como bloco de localidades), as classes sociais, as sociedades globais[xxii].

Neste sentido, o realismo relativista sociológico ajusta-se à dialética complexa de que, tendo em vista o pensamento probabilitário, comentou o filósofo Gastón Bachelard, ao sustentar que temos necessidade de mudar o real de lugar, e que a função realista é cada vez mais móvel: as revoluções frutuosas do pensamento científico são crises que obrigam a uma “reclassificação profunda do realismo” [xxiii].

 

Rio de Janeiro, Julho de 2011

 

Jacob (J.) Lumier

 

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A Ideia Tridimensional em Sociologia

Jacob (J.) Lumier

 

As três escalas dos quadros sociais

 

Em termos operativos, além de pesquisa da variabilidade e da multiplicidade dos tempos sociais, a ideia tridimensional significa notadamente a aceitação da dialética complexa, como qualidade intrínseca às atitudes coletivas.

 

A alternativa fenomenologia ou sociologia foi colocada como crítica ao suposto caráter não-empírico da aplicação da ideia tridimensional em sociologia diferencial, no século vinte.

Trata-se da ideia de que a formação social se desenvolve em três escalas, e compreende, respectivamente, (a) o microssocial, abrangendo os Nós e as relações com outrem; (b) o nível parcial, incluindo os agrupamentos sociais particulares (dentre os quais o Estado e os grupos funcionais) bem como as classes sociais; (c) as sociedades globais e suas estruturas.

Houve notada reação de autores simplistas [xxiv] diante da crescente influência internacional nos meios universitários do incentivador da ideia tridimensional, Georges Gurvitch [xxv], fundador da microssociologia, indevidamente estigmatizado como fenomenólogo [xxvi] em razão dos seguintes créditos: (a) por ter lecionado em 1930 a filosofia fenomenológica; (b) ter posto em relevo a introdução por Durkheim do desejável em sociologia, e, finalmente, (c) por ter elaborado, desenvolvido e fomentado o estudo sociológico do tema coletivo dos Nós como forma de sociabilidade[xxvii].

Contra o simplismo de alguns autores, a teoria sociológica é indispensável para que certa atividade intelectual ultrapasse o nível representacional do discursivo e torne-se pesquisa em nossa disciplina científica. E isto exclui as representações que minimizam a indispensabilidade de critérios metodológicos realistas bem diferenciados e precisos.

Em casos de pesquisa empírica, por exemplo, e dentre outras insuficiências, o simplismo leva ao desprezo do alcance fundamental do papel do saber no estudo das sociedades globais que dão à luz o capitalismo (na Europa Ocidental, são os séculos XVII e XVIII os que lhes correspondem) e, desprovido de critérios firmes diante do discurso econômico do próprio “despotismo esclarecido”, favorece o equívoco de atribuir ao advento do maquinismo o papel de causa singular da mudança estrutural [xxviii].

Por contra, em favor do caráter empírico da atividade intelectual do sociólogo, sabe-se que é uma aquisição da indispensável teoria sociológica, na tradição do realismo de Saint-Simon e do jovem Marx, a constatação de que a realidade social é em ato, é a realidade de alguém, logo, inseparável da experiência humana[xxix].

Ao pesquisar a realidade social, o sociólogo já está aplicado aos materiais empíricos, elaborando sobre as significações práticas, aí incluindo as sintaxes existentes [xxx] e todas as coisas que dão lugar à comunicação.

 

A  tridimensionalidade liga-se ao aproveitamento das chamadas teorias de consciência aberta, notadamente à ideia de dialetização do simples.

 

A consciência faz parte das forças produtivas em sentido lato, e desempenha um papel constitutivo nos próprios quadros sociais – seja como linguagem, seja pela intervenção do conhecimento como controle ou regulamentação social, seja ainda como direito espontâneo.

Deste fato decorre que a construção do objeto na teoria sociológica se faz a partir dos quadros sociais, como modos de ação comum, atualizados nas manifestações da sociabilidade, nos agrupamentos particulares, nas classes sociais, nas sociedades globais.

A tridimensionalidade liga-se ao aproveitamento das chamadas teorias de consciência aberta, notadamente à descoberta da dialetização do simples [xxxi], cujo aproveitamento como Gestalten sociais ou ambiências em atitudes coletivas nota-se, especialmente, na sociologia dialética dos níveis ou patamares em profundidade da realidade social [xxxii].

Em termos operativos, além de pesquisa da variabilidade e da multiplicidade dos tempos sociais, a ideia tridimensional significa notadamente a aceitação da dialética complexa como qualidade intrínseca às atitudes coletivas [xxxiii], compreendidas estas, por sua vez, como arranjos que levam a reagir, disposições que levam as unidades coletivas reais (grupos e classes), os Nós no interior destas e as sociedades inteiras a reagirem em maneira comum, a conduzir-se em certo modo e assumir papéis sociais particulares [xxxiv].

São as atitudes coletivas que criam os ambientes sociais onde se cotejam as diferenças sociais e se afirmam as estruturas sociais, ambientes estes que, compreendidos sob a noção de “Gestalten”, como conjuntos ou configurações virtuais ou atuais, implicam um quadro social referenciando os símbolos que se manifestam no seu seio, e as escalas particulares de valores que, por sua vez, são aí aceites ou rejeitadas (as chamadas dinâmicas de avaliação favorecendo a tomada de consciência dos temas coletivos reais).

Em sua expressão dialética, estas ambiências criadoras manifestam-se nas três escalas dos quadros sociais: a dos Nós e relações com outrem (escala microssociológica), a dos grupos e classes (escalas parciais), a das sociedades globais e suas estruturas. Em razão disso, as atitudes são descritas como “ambientes imponderáveis” que, em um aparente paradoxo (só aparente) podem ser detectados, experimentalmente, nos coeficientes de discordância entre as opiniões exprimidas nas sondagens ditas de “opinião pública” e as atitudes reais dos grupos.

Certamente que, incluindo as opiniões coletivas, as representações, as conceituações, o nível mental é estudado, em sociologia, como sendo apenas um aspecto do conjunto, tanto mais incerto quanto os indivíduos mudam de atitude em função dos grupos, ou os personagens que os papéis sociais encarnam mudam segundo os círculos a que pertencem. Voltarei a este assunto.

 

No conjunto dos agrupamentos sociais particulares, há uma dialética entre a independência e a dependência a respeito do modo de operar a integração social pelas sociedades globais.

 

►Mas não é tudo. A ideia tridimensional suscitou reação dos críticos porque conduz a uma compreensão do papel essencial dos agrupamentos sociais particulares.

Fundada em atitudes coletivas contínuas e ativas, o grupo é uma unidade coletiva real, mas parcial, que é observada diretamente. Sua objetivação se afirma, reiteradamente, como “unidade de atitudes, obras e condutas”. Dessa objetivação característica advém o fato de que os agrupamentos sociais particulares se constituam como quadros sociais estruturáveis, com tendência para uma coesão relativa das manifestações da sociabilidade[xxxv].

Tendo em conta que os agrupamentos sociais particulares se encontram engajados na produção das “ideias,” como o direito, a moral, o conhecimento, etc., nota-se, então, no conjunto desses agrupamentos sociais particulares, uma dialética entre a independência e a dependência, a respeito do modo de operar da sociedade global em que estão integrados.

Daí, nas lutas das classes, podem tomar formas muito diversas a competição e a combinação entre, por um lado, o modo de operar unificando os agrupamentos sociais particulares, e, por outro lado, o que rege as sociedades globais.

Seja como for, é essa dialética sociológica de competição e combinação, orientada ora para a independência ora para a dependência, a respeito do modo de operar da sociedade global que, em sociologia diferencial, justifica o estudo separado dos modos de operar regendo os grupamentos.

Da mesma maneira, é essa dialética que justifica a percepção do papel essencial que, por via de sua objetivação característica, os grupos desempenham na unificação pela sociedade global.

Papel essencial porque os agrupamentos sociais particulares impedem que a unificação pelo modo de operar da sociedade global, cuja integração dos fatos é a mais eficaz, seja efetuada sem a intervenção da liberdade humana, sem a intervenção da liberdade de escolha, da liberdade de decisão, da liberdade de criação, ao menos como liberdades coletivas.

O papel dos agrupamentos particulares é não deixar escapar nem a descontinuidade, nem a continuidade entre os dois determinismos, entre o determinismo das classes sociais e o das sociedades globais [xxxvi]

Psiquismo coletivo e Reificação

Do ponto de vista da teoria de estrutura social, a dialética sociológica é estudada em modo diferencial e é descoberta com anterioridade em relação à expressão; é descoberta no próprio ser social, e se mostrará então uma dialética complexa e pluralista que está em medida de expressar a própria multiplicidade dos tempos sociais gerados pelas estruturas em estado de mudança interior.

►Neste sentido, podemos ver o ponto de vista da ligação entre dialética e realidade social no célebre “Tratado de Sociologia”, concebido e dirigido como obra intelectual coletiva por Georges Gurvitch, onde Henri Lefebvre comparece oferecendo uma aplicação sociológica da tridimensionalidade, que ilumina os aspectos paradoxais no psiquismo coletivo da estrutura de classes sociais [xxxvii].

 

Aplicação sociológica da tridimensionalidade

 

Inicialmente, trata de buscar o psiquismo de classe no âmago da reflexão coletiva que descobre a função de representação de toda a vida psíquica, como penetrada pela reificação das qualidades, das forças e das atividades. Isto é, a reificação como uma sorte de força material do pensamento mítico articulado, em fato, como figura de análise efetiva da prática social nas sociedades capitalistas.

O psiquismo de classe e a consciência de classe revelam-se ali dois planos conflituosos, dado que a análise efetiva verificada como impulso para a reificação exerce, exatamente, a função de representação e, nesta diferença, constitui o psiquismo da classe burguesa.

 

A tridimensionalidade compreende o ponto de vista da ligação entre dialética e realidade social.

 

Na elaboração por Lefebvre, dada uma sociedade em que os intermediários podem conquistar e guardar os seus privilégios, a fetichização da mercadoria reage sobre aquilo de que saiu: ou seja, reage sobre a mediação entre os interesses privados e o interesse geral, reage sobre o Estado. Deste modo, constata-se como efetuando-se ao nível econômico a fetichização da mercadoria, a fetichização do dinheiro, do capital, enquanto que, no plano do psiquismo da sociedade e das classes sociais, passa-se um processo de unilateralização, sob a cobertura desse Estado em que as classes se representam.

A partir da constatação da unilateralização nesses termos da generalização das necessidades, se podem distinguir por complementaridade dialética três aspectos da individualidade humana não-seccionada, no seio de uma totalidade social igualmente não-seccionada ela própria por um pensamento e uma ação unilaterais, a saber: a necessidade, o trabalho, a posse [xxxviii].

A relação dessa realidade psíquica com a realidade econômica, com a história e com a realidade social, -sem se reduzir a elas- pode ser verificada se tiver em conta que, em face do processo de unilateralização levando à absorção pelo e no Estado dos interesses privados e do interesse geral, com a supressão da reciprocidade que os ligava, os três aspectos do psiquismo se dissociam parcialmente e, assim separados, “incumbem a classes e a indivíduos diferentes, os quais são representados como tais no Estado, e se representam assim na consciência e nas ideias[xxxix]. Daí o esquema pelo qual (a) há uma classe do trabalho; (b) incumbindo, todavia, a outros a posse, (c) com os mais desfavorecidos representando a necessidade em estado puro.

►Notem que Lefebvre chega a essa compreensão do psiquismo como fenômeno humano total em sua relação com as realidades econômica, histórica e social, mediante a tomada em consideração da reflexão coletiva desdobrada em um modo particular de exercer a “análise efetiva” (teórica e prática), no caso o modo de análise operada pela época burguesa sobre os elementos da realidade humana.

É o modo de análise pela qual a função de representação toma corpo e leva à separação e à segregação, como regras não só do pensamento, mas da sociedade e da história, as regras apoiadas no que Lefebvre chama a casuística dos “en tant que” (“en qualité de, dans la mesure où”), como maneira de análise espontânea ou refletida que caracteriza a liberdade na classe burguesa, a opção para seguir ao máximo o desejo de posse.

O tipo característico dessa classe vive e pensa em qualidades, nunca “en tant que” burguês, mas “en tant que” homem, “en tant que” patrão, “en tant que” pai, “en tant que” cidadão, etc. – o seu ser é apenas um somatório e só se reconhece como um ser em um Eu inacessível, genérico, transcendente ao si mesmo ou à soma dos “en tant que[xl].

Portanto, a dissociação parcial dos três aspectos ou dimensões do psiquismo liga-se à reflexão coletiva da divisão do trabalho social em regras de análise efetiva; liga-se ao fato de que a burguesia começa por reduzir à necessidade as dimensões do homem no período primitivo, onde dominava o ascetismo, a abstinência, a economia em sentido estrito, a acumulação; perquiria com ardor e recalcava ao mesmo tempo o desejo da posse. Posto isso, saltou-se para a posse pura, que não se pode alcançar.

A formulação descoberta por Lefebvre desenvolve-se como um aprofundamento na “passagem de uma economia fundada sobre a acumulação na austeridade e pela abstinência, até uma economia de desperdício e despesas suntuosas – sem que isso correspondesse à satisfação de certas necessidades essenciais” [xli]. Acrescente-se a isso o aspecto metodológico, a observação de que é na crítica à filosofia hegeliana do Estado que Marx teve examinado os três aspectos da individualidade humana não-seccionada, as três dimensões do psiquismo da estrutura de classes: a necessidade, o trabalho, a posse [xlii].

Nota-se, enfim, a partir desse esquema, que a coincidência entre o psiquismo de classe e a consciência de classe só tem sentido em uma teoria privilegiando uma consciência de classe especial, como o faz o jovem Lukacs [xliii], que atribui à consciência de classe do proletariado um caráter singularmente privilegiado. Tal teoria enseja uma “visão majestosa e de estilo filosoficamente clássico”, criticável por fazer o proletariado delegar sua consciência em representantes que, a mais do plano político, encarnariam a sua “concepção do mundo”.  Por isso, em lugar de realizar a filosofia ultrapassando-a conforme o pensamento de Marx, o jovem Lukacs restitui à filosofia um papel inquietante [xliv].

Por contra, em sociologia, a consciência de classe, assim como as ideologias, fazem parte da produção de imagens, da produção de símbolos, ideias, ou obras culturais em que as classes se reconhecem e por quem se recusam reciprocamente. Todavia, há ocorrência de conflitos conjunturais: a consciência de classe é uma determinação psíquica incluída na realidade das classes, que engloba os traços gerais da classe considerada, enquanto o psiquismo de classe compreende as particularidades momentâneas locais.

 

A consciência de classe, assim como as ideologias, fazem parte da produção de imagens, Incluindo a produção de símbolos, ideias, ou obras culturais.

 

Em relação às ideologias, na medida em que correspondem às condições momentâneas da comunicação eficaz entre os grupos e as classes – dispondo para isso da “intelligentsia” como corpo de elementos especializados, agrupando escritores, filósofos, jornalistas, editores, diretores de publicação, etc. – observa-se, antes de tudo, uma tendência para o conflito entre as ideologias e os psiquismos de classe, mais do que um acordo permanente [xlv].

 

(Continua)

Veja a obra

 

[i] Sobre o conceito de estrutura social e as hierarquias múltiplas, veja adiante o tópico A Dialética das Alienações.

[ii] [Dahrendorf, 1974], págs. 141 a 173.

[iii] Ibid, ibidem.

[iv] Ibidem, pág. 193

[v] Ibidem, pág. 196

[vi] A reificação da realidade social surge como a questão de saber até que ponto uma ordem institucional ou alguma parte dela é apreendida como uma faticidade não humana, ou inversamente, se o homem em certa organização ainda conserva a noção de que, embora objetivado, o mundo social foi feito pelos homens e, portanto, pode ser refeito por eles. Veja [Berger/ Luckmann, 1978].

[vii] [Dahrendorf, 1974], op. cit., págs. 62 / 63.

[viii] As formas de sociabilidade são as maneiras de ser ligado pelo todo, no todo.

[ix] Ibidem, págs. 106 / 126

[x] Contra os neoliberais do final do século vinte, que sustentavam não existir sociedade, mas somente mercado, a realidade social não é o lugar do contraste entre opulência e pobreza.

[xi] [Bachelard, 1968].

[xii] As equações de incerteza foram formuladas e defendidas por Werner Karl Heisenberg (1901-1976), em 1927.

[xiii] [Bachelard, 1968], op. cit.

[xiv] Vejam os tópicos que se seguem, em especial “Os procedimentos Dialéticos do Hiperempirismo“, notando que, ao tomar por objeto a variabilidade evidenciada pelas relações de incerteza descobertas em Física Quântica, a sociologia tem garantida sua inserção como disciplina científica.

[xv] Ao invés de uma teoria dos papéis sociais, há que aprofundar o estudo dialético das atitudes coletivas, como ambiências (Gestalten) e disposições virtuais que levam os quadros sociais a reagirem em comum e assumirem papéis sociais. Veja adiante o tópico “As relações dialéticas e as atitudes coletivas”.

[xvi] [Berger/ Luckmann, 1978], op. cit. págs.124/132.

[xvii] Na mesma medida em que viabiliza a funcionalidade das políticas públicas, como ação de integração social, será este equilíbrio dinâmico entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros que o sistema de freios e contrapesos, como conceito de técnica constitucional, visa configurar em sua aplicação ao pluralismo mais concreto dos agrupamentos particulares, inclusive suas disputas de interesses no âmbito da história parlamentar.

[xviii] Veja [Gurvitch, 1962].

[xix] Como se verá adiante, os conjuntos práticos são não-inertes, não apenas lógi­cos, mas em alteração, cujas probabilidades admitem um fator imponderável.

[xx] [Durkheim, 1973] págs. 421 segs.

[xxi] Vejam as análises de Georges Gurvitch sobre as extensões ou amplitudes concretas em [Gurvitch, 1968]. Veja igualmente [Gurvitch, 1969].

[xxii] Se a realidade social é frequentemente tida como um lugar ou uma localização é porque a apreensão original do mundo social é consideravelmente reificada. Veja [Berger / Luckmann, 1978], op.cit. págs. 124/132.

[xxiii] [Bachelard, 1968], op.cit. pág. 315.

[xxiv] Veja [Gorman, 1979].

[xxv] Veja o autoperfil de Gurvitch (1894-1965) [Gurvitch, 1968c]. Veja igualmente [Balandier, 1972]. Veja “Cronologia” no final desta obra.

[xxvi] [Gorman, 1979], op. cit, pág 228.

    [xxvii] veja adiante o tópico “A Microssociologia na Formação”.

[xxviii] Veja adiante o tópico sobre “os procedimentos dialéticos do hiperempirismo”, notadamente os parágrafos sobre “as variações do saber” e sobre “as correlações funcionais” (págs. 51 segs.).

[xxix] veja adiante o artigo anexo: “Desejo e Vontade em Sociologia”.

[xxx] A indispensabilidade da teoria sociológica é notada nos fatores extralógicos do conhecimento científico assinalados por C. Wright Mills, que sustenta uma “teoria social da percepção” segundo a qual, na busca de verificação dos elementos empíricos, os conceitos condicionam os resultados da indagação, porquanto são esses conceitos que constituem “o mundo de objetos estruturados tecnicamente na linguagem especializada”, o mundo no qual se busca a verificação. Daí que “as dimensões observacionais de qualquer modelo de verificação sofram a influência da linguagem seletiva de quem o aplica”, com as “influências sócio-históricas” se fazendo sentir por meio dessa linguagem. [Wright Mills, 1974].

[xxxi]  A dialetização do simples foi desenvolvida em epistemologia por Gastón Bachelard (1884-1962).  Veja [Bachelard, 1972]; [Bachelard, 1968].

[xxxii] [Gurvitch, 1979].

[xxxiii] Veja adiante o tópico “As relações dialéticas e as atitudes coletivas“.

[xxxiv] [Gurvitch, 1979], op. cit. págs. 110 sq.

[xxxv] Sobre o problema da objetivação veja adiante “A Dialética das Alienações”.

[xxxvi] [Gurvitch, 1968], op. cit.

[xxxvii] [Lefebvre, 1968].

[xxxviii] Ib. págs. 516 / 17.

[xxxix] ib. ibidem

[xl] Ib.p.524

[xli] Ib.p.522

[xlii] Ib.p.516

[xliii] [Lukacs, 1960], págs. 93/95.

[xliv] [Lefebvre, 1968], op. cit, pág.509.

[xlv] Ib.p.511

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