Standardização e Ataraxia

Há uma conexão entre a ataraxia na fantasia futurista e as tendências para certas involuções já existentes no cotidiano das sociedades penetradas pela indústria cultural e a cultura de massa

Deve-se levar em conta que a pesquisa sobre o materi-al e a finalidade da arte não se esgota na descoberta do vazio de significação nem se limita ao aspecto do mera-mente existente que ali aflora no déjà vu.

A Standardização através da des-subjetivação leva também à ataraxia cujo primeiro momento foi menciona-do ao notar a ausência de emoção projetada na fantasia futurista.

Isso porque a fantasia futurista glorifica o cotidiano da vida acentuando-lhe a transcendência, mas o faz deixando na sombra a conexão material do espiritual, a qual, por contra, apoiada no desejo, na busca de satisfação, na se-xualidade vem a ser vivida como ansiedade pelos indiví-duos humanos.

Na verdade essa aparente desatenção para com a cone-xão material apenas desenvolve a imagem de apatia que a fantasia futurista tece ao estender a Standardização aos temas da felicidade e da sexualidade.

Neste ponto, pode ver que aprofundando através da análise da fantasia futurista a reflexão sobre o material da arte e literatura de avant-garde encaminha-se na direção que reencontra o pensamento artístico de Marcel Proust.

Com efeito, é na obra desbravadora deste criador his-tórico, na série romanesca reunida em “A La Recherche du Temps Perdu” que o vazio de emoção configura um elemento fundamental, o foco mesmo das imagens e me-táforas da narrativa literária.

Tanto é assim que, em seu notável ensaio sobre Proust , Samuel Beckett insistirá no alcance neutraliza-dor sobre a vontade e sobre a própria auto-afirmação da consciência desempenhado pelo monólogo interior prous-tiano, sobretudo no início do segundo volume de “Le Temps Retrouvé” em que, ao conseguir o vazio de emo-ção, o narrador tem acesso ao êxtase artístico e o viven-cia mediante a intervenção da memória involuntária.

Certamente, a orientação freudiana (sem a psicanáli-se) de T.W. Adorno se distancia de Proust assim como a Libido não esgota o instinto do Eu.

Não que o narrador proustiano seja menos neurótico (Beckett classificará o seu infantilismo como ligado ao complexo de dominação) do que os estados considerados por T.W. Adorno como elementares na criação poético-literária, mas sim que o pensamento de Proust vê a fonte da obra de arte na individualidade mesma do artista e em sua fantasia, enquanto a Crítica da Cultura busca como disse nas significações culturais o foco irradiador das i-magens e metáforas literárias.

Desta forma, T.W. Adorno põe em relevo a conexão entre a ataraxia na fantasia futurista e as tendências para certas involuções já existentes no cotidiano das socieda-des penetradas pela indústria cultural e a cultura de mas-sa, aliás, é essa conexão que orienta toda a sua Crítica da Cultura, como pesquisa sobre os materiais da arte e reflexão estético-sociológica sobre a utopia negativa.

Com efeito, no prolongamento da Standardização pelo futurismo, a ataraxia, a impertubabilidade é produzida por extensão ao âmbito da relação da liberdade individual e dos tabus sexuais, notados estes no já mencionado culto do instrumento técnico separado de todo o destino obje-tivo e da afcção fetichista em possuir perfeitos equipa-mentos de toda a natureza.

A Função da Ataraxia

Segundo T.W. Adorno a função da ataraxia na utopia negativa rebaixa a idealização do meramente existente, ou melhor, da existência monádica ou atomizada dos indiví-duos, dando expressão (antierótica) à relação complemen-taria que existe entre coletivização e atomização.

Assim o núcleo de toda a relação entre seres humanos é amarrado por essa ataraxia ao êxtase sexual. Quer dizer, há na utopia negativa contradição envolvendo uma liber-dade (neutralizada em vazio de emoção) na qual os tabus sexuais perdem sua força e são substituídos pela autoriza-ção do antes proibido, ou se fixam em maneira vã por uma estéril constrição. O prazer mesmo degenera em mise-rável galhofa e em mera ocasião de narcisista satisfação por ter fisgado a esta ou àquele (…); o sexo se faz indiferente e irrelevante pela institucionalização da promiscuidade (…); se deseja a descarga fisiológica como elemento de higiene e a carga emocional que isso pode representar se deposita em conta do desperdício de energia sem utilidade social; o que há de evitar a todo o custo é deixar-se levar pela emoção. Tal a contradição em que desponta a ataraxia, certa im-perturbabilidade como vazio de sexualidade ou de emo-ção, um estado antierótico que T.W. Adorno analisará como construção do orgasmo organizado na fantasia futu-rista. .

No exame de tal contradição – uma liberdade neutrali-zada em vazio de emoção na qual os tabus sexuais per-dem sua força – deve-se distinguir na fantasia futurista a vertente marcada pelo puritanismo, que acolhe e elabora como inseparáveis o sentido religioso, por um lado e, por outro lado, a humilhação do sexo e a entrega sexual, e que se poderá detectar na cena romanesca do The Brave New World.

Desta forma encontra-se mais arraigado o dispositivo ideológico tornando localizado e restrito o assunto sobre sexo, o qual fora equivalente ao tema da libertinagem considerada como estímulo fisiológico, à maneira em que nas chamadas culturas masculinas os cavaleiros costu-mavam falar entre eles de mulheres e de erótica, mes-clando (a) – orgulho por terem conquistado soberania pa-ra tocar no tema tabu e, (b) – desprezo por este tema.

No romance de Aldous Huxley o dispositivo ideológico (que torna localizado e restrito o assunto sobre sexo) e o próprio fato do sexo estão mais sublimados e mais pro-fundamente reprimidos (reforçando o tabu, ou melhor, fi-xando-o em maneira vã por uma estéril constrição), sendo notado na questão da falsa felicidade, que sacrifica a i-déia de felicidade verdadeira.

Tanto mais que nesta vertente derivada do puritanismo a objeção anteposta à “era industrial” denuncia o relaxa-mento dos costumes e não tanto a desumanização. A in-dagação principal é saber se há felicidade possível sem proibições a destruir – como se a felicidade dimanante da violação de um tabu pudera justificar e legitimar o tabu mesmo, como ironiza T.W. Adorno (cf.ib.pág. 108).

Fungibilidade

Por contra, a inoperância de tal ideologia (que fixa o tabu em estéril constrição) influindo na fantasia futurista ao fazer sobressair que o rápido e prescrito câmbio de companhia erótica na utopia negativa deriva da cega e o-ficial organização do sexo, que converte o prazer em broma e o nega ao concedê-lo.

Ou seja, é o tabu mesmo que continua vigorando na impossibilidade de mirar cara a cara o prazer, de entre-gar-se plenamente a ele por meio da reflexão. Se esta proibição houvera sido quebrada, se o prazer se tivera li-berado já das malhas da instituição seria capaz de dis-solver a rigidez do The Brave New World como mundo da utopia negativa.

O princípio moral supremo desse mundo pintado na fantasia futurista, seu desiderato, sua culminação é de que qualquer um pertence a qualquer um: é a fungibi-lidade absoluta, que dissolve o homem como ser indi-vidual.

Mera mitologia, a fungibilidade destrói o último Em-Si do homem, seu último tabu e o determina como me-ro Para-Outro, como nulo.

Tendo em conta essa culminação, mas prosseguindo na desmontagem do dispositivo ideológico efetivo que, tornando localizado e restrito o assunto sobre sexo refor-ça ao contrário o tabu, sublinha nosso autor que a culmi-nada situação de anarquia sexual é incompatível com uma ordem totalitária, posto que o conceito de domínio pode definir-se como a disposição de uns sobre os de-mais e não como disposição total de todos sobre todos.

O homem que não é mais senão para outra coisa fica-ria sem dúvida alienado de sua mesmidade, porém seria também liberado da atadura da autoconservação que mantém unido o mundo da utopia negativa tanto quanto o mundo velho.

Segundo T.W. Adorno a pura fungibilidade corroeria o núcleo do poder e prometeria a liberdade em sentido ab-soluto. Dessa maneira sobressai a debilidade da concep-ção de conjunto que vincula o futurismo por um lado e, por outro lado, a ideologia derivada do puritanismo, e que vincula a ambos com o princípio moral da fungibilidade absoluta na utopia negativa.

Fragilidade composicional esta que T.W. Adorno exa-minará partindo da cena principal do romance da fantasia futurista de Aldous Huxley, a saber: o choque erótico dos dois mundos: o da personagem Lenina – que é o protótipo da mulher americana liberada – e o do “selvagem John” que a ama em modo lírico e puramente contemplativo e que, como uma relíquia do humano, pertence ao mundo que ficou às costas da cultura absoluta de massa, (um mundo pintado nessa fantasia como repugnante e defor-mado, à imagem das colônias nudistas em que o sexo se anula também mediante sua desocultação).

Fonte:

A UTOPIA NEGATIVA: LEITURAS DE SOCIOLOGIA DA LITERATURA

Jacob J. Lumier

(Primeira edição – online junto à Web de Eumed.net, BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

Universidade de Málaga, Espanha)

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Estruturas Econômicas e Forma Romanesca

Estruturas Econômicas e Forma Romanesca

Por

Jacob (J.) Lumier

EPÍGRAFE

Na sociologia da forma romanesca, para saber como se faz a ligação entre as estruturas econômicas e as manifestações literárias em uma sociedade em que esta ligação tem lugar no exterior da consciência coletiva deve-se observar a ação convergente de quatro fatores diferentes.

A sociologia do romance mais diretamente voltada para a arte e literatura de avant-garde ultrapassa a tentativa tradicional de mostrar que a biografia e a crônica social constitutivas do romance em sua fase mais antiga refletiam mais ou menos a sociedade da época. Admite-se a inovação pela qual passa-se a investigar a relação entre a forma estética romanesca ela mesma e a estrutura do meio social no interior do qual ela se desenvolveu.

A hipótese desenvolvida por Lucien Goldmann a respeito disso enuncia que a forma romanesca é a transposição no plano literário da vida cotidiana na sociedade individualista de produção para o mercado e que existe uma homologia rigorosa entre a forma literária do romance, por um lado, e por outro lado a relação cotidiana dos homens com os bens em geral e com os outros naquela sociedade.(Ver Goldmann, Lucien: Pour une Sociologie du Roman, Paris, Gallimard, 1964, 238 págs.).

O esquema psicossociológico desta situação põe em relevo o advento do valor econômico de troca alterando as formas sociais pré-capitalistas em que a produção era conscientemente regida pelo consumo futuro, pelas qualidades concretas dos objetos, por seu valor de uso. Desta sorte, na medida em que se verifica na sociedade produtora para o mercado, a ligação entre as estruturas econômicas e as manifestações literárias passaram a ter lugar no exterior da consciência coletiva .

Vale dizer, na relação cotidiana dos homens com os bens em geral e com os outros em uma sociedade individualista de produção para o mercado observa-se a supressão no plano da consciência dos homens da relação aos valores de uso, a qual no dizer de Lucien Goldmann passa por uma redução ao implícito por efeito da mediação do próprio valor de troca.

Visando pôr em relevo que a ligação entre as estruturas econômicas e as manifestações literárias tem lugar no exterior da consciência coletiva, esse autor faz uma comparação do comportamento econômico dos indivíduos em uma sociedade produtora para o mercado, por um lado, e por outro lado nas outras formas de sociedade anteriores, dizendo-nos que nestas últimas a estrutura mental da mediação não é observável já que a economia é considerada natural. Quando um homem precisava de um vestimento ou ele o produzia ele-mesmo ou o demandava a um indivíduo capaz de produzi-lo, o qual, por sua vez, fosse em virtude de certas regras tradicionais, fosse por razões de autoridade ou de amizade ou ainda, fosse em contrapartida de certas prestações devia ou podia lhe fornecer tal vestimento.

Por contra, nas sociedades de mercado, quando se quer obter um vestimento importa conseguir o dinheiro necessário a sua compra. Por exemplo: o produtor de roupas é indiferente aos valores de uso dos objetos que ele produz. Aos seus olhos estes não passam de um mal necessário para obter aquilo que unicamente lhe interessa: um valor de troca suficiente para assegurar a rentabilidade de sua empresa. Daí se nota a mediação como substitutivo de toda a relação ao aspecto qualitativo dos objetos e dos seres, caracterizando o predomínio da relação aos valores de troca, quantitativos.

Nada obstante, é fato que tal mediação não suprime totalmente os valores de uso da consciência coletiva dos homens, permitindo-se Lucien Goldmann sublinhar que o caráter dos valores da vida econômica comporta um paralelo com o caráter dos valores perquiridos na forma romanesca, a saber: os valores de uso tomam um caráter implícito exatamente como o caráter dos valores autênticos no mundo do romance.

Para acentuar tratar-se de uma homologia rigorosa, Lucien Goldmann toma por um fato principal de sua análise psicossociológica que, como consumidor último oposto no ato mesmo da troca aos produtores, todo o indivíduo na sociedade produtora para o mercado se encontra em certos momentos da jornada em situação de vislumbrar os valores de uso qualitativos que ele não pode alcançar a não ser pela mediação dos valores de troca. Se tivermos em consideração que os criadores no domínio da cultura são os indivíduos que permanecem orientados essencialmente para os valores de uso poderemos alcançar a evidência de que a criação do romance como gênero literário não tem coisa alguma de surpreendente.

A respeito dessa situação são observados dois aspectos seguintes: (a) – se levarmos em conta que a vida econômica no plano consciente e manifesto se compõe de gente orientada exclusivamente para os valores de troca constataremos que os criadores de cultura, como indivíduos ligados à produção, por permanecerem orientados essencialmente para os valores de uso não somente se situam por isso à margem da sociedade, mas se tornam o que na
sociologia de Goldmann se chama indivíduos problemáticos; (b) – nada obstante admite-se como ilusão romântica supor uma ruptura total entre a vida interior e a vida social, mesmo a respeito da situação desses indivíduos problemáticos já que, como criadores de cultura, não poderiam eles destacarem-se da degradação que sofre sua atividade criadora na sociedade produtora para o mercado, desde o momento em que essa atividade se manifesta exteriormente nos quadros, nos livros, no ensino, na composição musical, etc. as quais desta maneira passam a desfrutar de um certo prestígio, por via do qual adquirem um preço.

Quer dizer, a criação do romance, sua forma complexa ao extremo é a forma na qual vivem os homens os dias todos ao serem compelidos a buscar toda a qualidade, todo o valor de uso, por um modo inautêntico através da mediação da quantidade, do valor de troca. Complexidade esta acentuada pelo fato de que todo o esforço para se orientar diretamente aos valores de uso não engendra senão os indivíduos também como inautênticos, embora sob um modo diferente, que é o do indivíduo problemático.

Para Goldmann essa análise psicossociológica esboçada prova que as duas estruturas – a da forma ou gênero romanesco e a da troca econômica competitiva – mostram-se tão rigorosamente homólogas que é possível falar de uma única e mesma estrutura que se manifestaria em dois planos diferentes.

Mas não é tudo. Restam ao menos dois problemas importantes: o da sociologia da obra como veremos adiante, que em Goldmann subordina-se à sociologia do conhecimento; e o problema específico da sua sociologia do gênero romanesco, que é o de saber como se faz a ligação entre as estruturas econômicas e as manifestações literárias em uma sociedade em que esta ligação tem lugar no exterior da consciência coletiva.

Em acordo com esse autor, devemos observar a ação convergente de quatro fatores diferentes.

O primeiro fator põe em relevo que a categoria da mediação ao surgir no pensamento dos membros da sociedade burguesa traz consigo a tendência implícita a substituir esse pensamento por uma falsa consciência total, que Goldmann esclarece como sendo um modelo de orientação no qual o valor mediador se torna valor absoluto e onde o valor mediatizado desaparece inteiramente.

Tendência-limite esta que se realizaria praticamente na propensão a fazer do dinheiro e do prestígio social os valores absolutos e não mais simples mediações dando acesso aos outros valores de caráter qualitativo.

O segundo fator de ligação entre as estruturas homólogas é o que mencionamos há pouco, ou seja: a subsistência dos indivíduos tidos como problemáticos por exercerem um pensamento e um comportamento que permanece orientado para os valores qualitativos, sem que lhes seja facultado subtraírem-se à existência da mediação inautêntica cuja ação geral no conjunto da estrutura social-econômica a nova sociologia do romance põe em destaque.

Assim se incluem dentre os indivíduos problemáticos todos os criadores, escritores, artistas, filósofos, teólogos, homens de ação, etc. cujo pensamento e comportamento são regidos antes de tudo pela qualidade de sua obra –embora como já o mencionamos não possam eles escapar inteiramente à ação do mercado e à acolhida da sociedade reificada.

O terceiro fator compreende um aprofundamento envolvendo a situação dos romancistas em uma conjectura sobre a probabilidade do gênero romanesco. Inicialmente, Goldmann considera estabelecido que nenhuma obra importante pudera ser a expressão de uma experiência puramente individual.

Daí a pesquisa para descobrir a atitude de um conjunto ou grupo social cuja subjetividade pudera haver segregado a energia para a criação cultural do gênero romanesco.

Neste sentido, a conjectura goldmanniana afirma a probabilidade de um descontentamento afetivo não conceituado (ou não representado na percepção coletiva) seguinte: a ocorrência verificável de uma aspiração afetiva à mirada direta dos valores qualitativos que seria observada como se desenvolvendo seja no conjunto da sociedade burguesa, seja talvez unicamente entre as classes médias –sendo no interior destas últimas que são recrutados a maior parte dos romancistas.

Quanto ao quarto e último fator para a ligação entre as estruturas econômicas e as manifestações literárias em uma sociedade em que esta ligação tem lugar no exterior da consciência coletiva deve-se levar em conta algumas observações sobre a origem do elemento de biografia que é constitutivo do romance e a contradição que o limita.

Com efeito, o quarto fator da ligação entre as estruturas homólogas se observa não só em decorrência do fato (a) – de que a biografia individual no romance provém dos valores do individualismo liberal ligados às necessidades mesmas do mercado concorrencial (liberdade, igualdade, propriedade, tolerância, direitos do homem, desenvolvimento da personalidade, etc.); mas (b) – de que no desenvolvimento do romance tal categoria da biografia individual tomou a forma do indivíduo problemático a partir (b1) – não só da experiência pessoal dos indivíduos problemáticos distinguidos na vida da sociedade burguesa, mas (b2) – da própria contradição interna entre o individualismo como valor universal engendrado pela sociedade burguesa e as limitações impo
rtantes e peníveis que essa sociedade aportava em realidade ela mesma às possibilidades de desenvolvimento dos indivíduos.

Goldmann admite que o bom fundamento dessa hipótese sobre a ligação das duas estruturas homólogas é confirmado ao se considerar o paralelismo entre, por um lado, a transformação da vida econômica tal como notada no fim do século XIX e início do século XX pela substituição da economia de livre concorrência dando lugar a uma economia de cartéis e monopólios, suprimindo a função do indivíduo, e por outro lado a transformação paralela da forma romanesca que desemboca na dissolução progressiva e no desaparecimento do personagem individual, do herói.

De acordo com Goldmann, essa transformação no desenvolvimento da forma romanesca dá lugar (a) – às tentativas de substituição da biografia como conteúdo da forma romanesca pelas idéias de comunidade e de realidade coletiva (instituição, família, grupo social, revolução social, etc.); (b) – ao abandono de toda a tentativa de substituir o herói problemático e a biografia individual por uma outra realidade; (c) – ao esforço para escrever o romance da ausência do sujeito, afirmando a não existência de toda a busca que progressa.

Neste ponto, podemos destacar que a nova sociologia do romance baseada na conjectura goldmanianna das duas estruturas homólogas visa não só restabelecer a especificidade e autonomia da forma romanesca, mas o estatuto particular e privilegiado do romance em relação à classe burguesa.

Deste ponto de vista o romance não é a simples transposição imaginária das estruturas conscientes de tal ou qual agrupamento social particular, mas exprime uma busca por valores autênticos que não é defendida em modo efetivo por grupo social algum. Esses valores autênticos são os que a vida econômica tende a tornar implícitos em todos os membros da sociedade.

Da mesma maneira, esse entendimento de que a especificidade e autonomia da forma romanesca se põe em relevo pela análise sociológica de tal redução ao implícito, afirmada esta última ao longo de toda a exposição de Goldmann sobre a homologia das duas estruturas que se mostram ser dois planos de uma única estrutura, é um entendimento sustentando a convicção de que a literatura romanesca ao lado da criação poética moderna e da pintura contemporânea são formas autênticas de criação cultural sem que se possa amarrá-las à consciência coletiva, mesmo que seja somente a consciência possível de um grupo particular.

Aliás, a nova sociologia vai mais longe admitindo que o romance com herói problemático se revela contrariando a opinião consagrada como uma forma literária ligada sem dúvida à história e ao desenvolvimento da classe burguesa, mas que não é a expressão da consciência real ou possível dessa classe.

Dessa maneira, Goldmann encaminha uma solução para o problema da sociologia do romance. Ao afirmar que se trata de uma forma ligada à história e ao desenvolvimento da classe burguesa está nos dizendo que essa classe social constitui o sujeito da criação cultural da forma romanesca, sendo a esse sujeito coletivo que em última instância é referido o conceito de estruturas homólogas como implicando uma relação inteligível.

Há portanto um aprofundamento da pesquisa de correlações sociológicas estendendo-se ao fenômeno do todo ou ao conjunto do grupo social, de tal sorte que em suas análises das obras romanescas Goldmann é levado a distanciar dois escritores da burguesia como Proust e Balzac, já que o primeiro vem a ser compreendido na origem do tema da ausência (como aprofundamento da forma romanesca), enquanto que a obra de Balzac é relacionada à consciência real e possível da classe burguesa.

Nesta perspectiva, se há proximidade dos personagens de Balzac e de Proust como remarcou Bernard de Fallois, haveria entre esses romancistas profunda diferença quanto ao modo de tratar a realidade.

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A UTOPIA NEGATIVA NA SOCIOLOGIA DA LITERATURA: ARTIGOS EM TORNO DE MARCEL PROUST REDIGIDOS EM PORTUGUÊS.

Título: A UTOPIA NEGATIVA NA SOCIOLOGIA DA LITERATURA: ARTIGOS EM
TORNO DE MARCEL PROUST REDIGIDOS EM PORTUGUÊS.
Por
Jacob (J.) Lumier
Descrição.

Neste livro o autor Jacob (J.) Lumier esclarece sobre a utopia negativa
como objeto da sociologia da literatura. Agarrado ao ponto de vista da
individuation, ensina aos universitários como apreciar a arte literária de Proust sob
o aspecto da mediatização e no quadro da crise de objetividade literária,
lembrando que a supressão do objeto do romance em face do gênero reportagem
no século XX implica e altera a posição do narrador que, por diferença do
realismo literário do século XIX, não mais possui a experiência do conteúdo a ser
narrado – situação essa classificada como crise da possibilidade de narrar algo
especial e particular.

Trata-se de uma coletânea de textos e artigos expondo leituras de
Sociologia da Literatura em que se examinam as linhas básicas da evolução
histórica e da situação do romance moderno em sua ambiguidade como técnica
de comunicação, descrevendo-se as variações composicionais mais significativas a
respeito da posição do narrador, do elemento personagem e da relação com o leitor.

Nessa descrição se aprofunda na crítica da cultura, sobretudo em vista de
situar a arte de Proust como ponto de referência para a desmontagem da
ideologia do futurismo.

L’utopie Négative Dans La Sociologie De La
Littérature: Articles Au Tour De Marcel Proust
Redigés En Portugais foi elaborado por Jacob (J.) Lumier sob a mirada
do sociólogo em vista de produzir bibliografia básica para a formação nas
Ciências Humanas e dar aproveitamento e atualidade às fontes históricas
revalorizando a arte de Proust.
Categorias: Comunicação social, ciências humanas, sociologia, história, teoria
literária, avant-garde.
Palavras chaves:
Romance, fantasia, mundo dos valores, conhecimento, realidade, alienação,
reificação, coisificação, indivíduo, individualismo, crítica, cultura, psicologia,
consciência, sociedade, artista, mediação, subjetividade, consciência,
mediatização..
© 2007 by Jacob (J.) Lumier
***

Titres de la Table des Matiéres
PRÉSENTATION
SOCIOLOGIE, LITTÉRATURE ET FANTASIE:
Le probléme des relations avec la sociologie de la connaissance.
INDIVIDUALISME ET RÉIFICATION:
Sur l’éthique de l’écrivain, l’ironie et le probléme esthétique du genre romanesque.
STRUCTURES ÉCONOMIQUES ET GENRE ROMANESQUE.
CRITIQUE DE LA CULTURE ET SURREALISME:
Par delá la Psicanalise.
CRISE DU ROMAN ET INDIVIDUALISME:
La standardization en tant que facteur du Montage chez T.W. Adorno.
DOSTOYEVSKI, PROUST, KAFKA ET LA CRISE DU ROMAN DANS LE
CONTEXT DE L’INDUSTRIE CULTURELLE:
Quelques lignes au tour du Monologue Interieur.
FUTURISME ET UTOPIE NÉGATIVE DANS LA CRITIQUE DE LA
CULTURE:
Élaboration iniciale pour lire um texte d’Adorno.
SOCIOLOGIE ET LITTÉRATURE D’ AVANT-GARDE:
Le Théme de l’Absence et la présence de Proust.
REMISSIVE INDEX
Message sur l’Auteur

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Apresentação
Neste e-book encontram-se reunidos textos e artigos
expondo as minhas leituras críticas de Sociologia da Literatura. Críticas mas não
contestatórias dos produtos da indústria cultural que muitas vezes são lançados
como se tivessem a aparência de literatura.

O leitor benevolente verá nesta
coletânea que passamos à margem dessas estórias extravagantes em que os
extraordinários efeitos visuais dos filmes nos são oferecidas em volumes que
parecem livros onde seria de esperar o conteúdo literário.

Tampouco nos
detivemos no catastrofismo saboreado pelos best-sellers das grandes editoras. É
claro que o consumismo dos chamados gêneros fantásticos e dos romancesreportagens
sensacionalistas também é pesquisado em sociologia e serve ao
desenvolvimento da economia. Sabemos disso e não preconizamos uma
sociologia da literatura elitista ao dar aproveitamento e atualidade às fontes
históricas revalorizando a arte de Proust.

Pelo contrário. A utopia negativa como horizonte crítico da cultura descobre a referência básica da sociologia literária na pesquisa sobre a ambigüidade do romance como técnica de comunicação: exige verificar a situação do romance em face da realidade no momento antirrealista do romance.

Neste quadro se compreende a arte de Proust como
passando pela Utopia Negativa. É preciso pois ter em vista o monólogo interior
como conhecimentos do homem experiente ou experimentado, suas recordações,
e o valor humano exemplar das lembranças prousteanas que escapam ao sistema e
são mais do que impressões subjetivas.

Dessa forma podemos dizer que a arte de
Proust serve de contraponto para aprofundar o universo da utopia negativa,
sobretudo serve de referência ou ponto de vista na desmontagem da ideologia do
futurismo, originalmente segregada no bem conhecido romance de Aldous
Huxley “The Brave New World”, ideologia essa já integrada na cultura de massa e
bem propagada na mídia pelo filme, por DVD, etc.

Com efeito, desde o ponto de vista da arte de Proust se
afirma a recordação pelo monólogo interior. Personificada em sua realidade
humana pelo narrador prousteano ou mesmo para-além dele, a arte de Proust
atualiza o dilettantismo: o modo de ser do homme de lettres como sujeito social de
conhecimentos, o homem no exercício experimental de suas recordações, por esta
via vinculado ao Iluminismo e à liberdade de pensamento.

É o ponto de vista da
recordação que além de experiência não-generalizável se exerce por um proceder
experimental, por intenção tenteadora, a saber: a recordação na medida em que se
experimenta como esperança ou desilusão fornece o critério que confirma ou refuta para si mesmo as observações do sujeito como indivíduo humano. Tal o caráter do monólogo interior na arte de Proust, caráter artístico criado pelo narrador prousteano como homem experimentado.

Aliás, em favor desse entendimento é bom lembrar que a
supressão do objeto do romance em face da reportagem no século XX implica e
altera a posição do narrador que, por diferença do realismo literário do século
XIX, não mais possui a experiência do conteúdo a ser narrado – situação essa
classificada como crise da objetividade literária ou crise da possibilidade de narrar
algo especial e particular.

Dessa orientação específica são tiradas as principais linhas
das “leituras” de sociologia da literatura reunidas neste e-book, seguintes:
►A situação do narrador que não mais possui a experiência do conteúdo a ser
narrado (crise de objetividade) estivera em correspondência com uma situação já
antecipada por Dostoyevski, a saber: o avanço de Dostoyevski está em ter
assimilado o sentimento de que o romance estava obrigado a romper com o
positivo e apreensível e a assumir a representação da essência como das
qualidades humanas. Se há psicologia na obra de Dostoyevski trata-se de uma
psicologia de caráter inteligível, uma psicologia da essência.

►A supressão do objeto do romance por efeito cultural da preeminência da
informação e da ciência leva à seguinte situação do romance do século XX: para
permanecer fiel à sua herança realista e continuar dizendo como são realmente as
coisas, o romance tem que se afastar de um realismo voltado para reproduzir
apenas a fachada e tem que promover o equívoco desta. Tarefa por sinal não
estranha ao romance que desde o século XVIII com o Tom Jones, de Fielding, já
encontrara seu verdadeiro objeto no conflito entre os homens vivos e as
petrificadas (ou mumificadas) relações, de tal sorte que a própria alienação se
converte assim para o romance em meio artístico.

►Novamente reencontramos Proust. O procedimento narrativo do monólogo
interior desenvolvido em sua obra literária e romanesca estaria conforme a
exigência de suspensão da ordem objetiva espacio-temporal (onde predomina a
coisificação), suspensão essa como já o assinalamos em artigo anterior que
unicamente permite ao narrador fundar um espaço interior.

Será exatamente pela
arte do monólogo interior que o mundo vai sendo arrastado ao espaço interior
assim fundado e todo o externo se apresenta como um fragmento de
interioridade: momento da corrente da consciência resguardado em face da
refutação pela ordem do mundo alheio. Tal é a “técnica micrológica” que T.W.
Adorno interpreta ao observar que todo o primeiro livro de Proust -Combray – não
é mais do que o desenvolvimento das dificuldades que tem uma criança para
dormir quando a mãe bonita não lhe deu o beijo de boa noite.

►Desta forma, T.W. Adorno descobre em Proust o exemplo de uma maneira de
proceder artístico para o autor literário evitar a pretensão de que sabe exatamente
“como foi”, a “pretensão de conhecimento”, o gesto e o tom do “foi assim”, que o
romance deve excluir. Nessa constatação T.W. Adorno percebe o elemento da
fantasia – “o quimérico” – na arte de Proust, no seu proceder micrológico, a saber:
as significações da unidade do vivo fracionada em átomos, que em sociologia crítica da cultura chamar-se-á “o esforço do sensório estético”.

►Na abordagem crítica da cultura a ação dramática do romance está envolvida
em uma técnica da ilusão que reserva previamente ao leitor o papel limitado de
realizar algo já realizado e participar assim do caráter ilusório do conteúdo
representado – ainda que esse caráter ilusório vá sendo suprimido na história
literária conforme se passe de Flaubert para Proust, Gide, Thomas Mann ou
Musil e desemboque no que T.W. Adorno chama “reabsorção da distância estética”.

Não que, por sua vez, a análise crítica da cultura seja desprovida de interesse
específico para a sociologia literária. Sua orientação como vimos é verificar a
situação do romance em face da realidade no momento antirrealista do romance.
Nada obstante, desse modo vem a ser favorecida a prevalência da relação com o
leitor por fora e em detrimento da união autor-personagem-leitor, porquanto a
asserção de que a alienação se converte em meio artístico, para um tipo de
romance cujo impulso é decifrar o enigma da vida externa, exige pôr em relevo
além da fantasia a ambigüidade do romance como técnica de comunicação.

►Será por via do quimérico, da fantasia, que podemos passar da sociologia crítica
da cultura à crítica personalista, de T.W. Adorno à Nathalie Sarraute. Ou seja, a
presença de Proust é justamente tomada como igualmente decisiva para enfrentar
a chamada crise do romance psicológico.

Para Nathalie Sarraute, célebre romancista e
refinada ensaísta crítica do romance, em modo diferente da sociologia crítica da
cultura, o objeto do romance é antes de tudo o objeto literário: é a fantasia posta
em questão na análise da crise do romance psicológico de tal sorte que a reflexão
estética reporta-se sobre a união em ato entre o autor, o personagem e o leitor. O
problema do caráter inteligível e das qualidades humanas deve ser investigado a
partir das próprias descrições oferecidas pelos romancistas nas manifestações dos
seus personagens. Dessa maneira, antes de voltar-se ao exame da representação da
essência obscurecida pela consciência alienada, dá-se prioridade à experiência do
fato literário como tal.

►Em relação à representação da essência em meio à alienação como meio
artístico, podemos ver em nossa autora que os personagens de Dostoyevski dão
uma impressão irreal porque já têm tendência a tornarem-se o que os personagens
de romance serão cada vez mais, isto é, não tanto tipos humanos como aqueles
que a gente acredita perceber em torno do ambiente e cujo desmembramento
“parecia ser o objetivo principal do romancista”, mas, sim, somente “simples
suportes”, os portadores de estados da subjetividade que as pessoas podem
reencontrar nelas mesmas ainda que sejam estados ou “movimentos” ainda
inexplorados.

Será com referência a este traçado do elemento “personagem”
como simples suporte que Nathalie Sarraute aventa a hipótese de que o
esnobismo mundano de Proust “a repercutir-se com um caráter de obsessão
quase maníaca em todos os seus personagens” não seja outra coisa senão uma
variedade dessa mesma carência obsessiva de fusão verificada em Dostoyevski, só
que cultivada em um solo artístico diferente, formalista e dos começos do século
XX.

Na pior alternativa, nossa autora considera como adquirido que a obra de
Proust vista com a distância entre o leitor dos anos de 1960 e os começos do
século XX, mostra como aqueles estados complexos e sutis já verificados na
composição da fantasia em Dostoyevski foram captados por Proust em sua
procura ansiosa através de todos os seus personagens. Mais ainda: aqueles estados
da subjetividade são o que subsiste na obra proustiana de mais precioso e mais
sólido, são o que se preserva mesmo se os invólucros pelos tipos humanos de
Swann, Odete, Orianne de Guermantes ou os Verdurin tenham se tornado com a
distância do contexto um pouco espessos demais.

►Trata-se de saber como deve ser vista a trajetória da figuração do elemento
“personagem” no romance moderno como levando ao deslocamento de seu
centro de gravidade, com o personagem deixando de figurar tipos humanos e se
tornando essencialmente o simples suporte ou portador dos estados de alma sutis
e complexos que incluímos sob a noção sociológica de fantasia.

Ou seja, a trajetória do “personagem” está em correspondência com a via que
exprime os estados de alma coletivos, que exprime o sentimento coletivo. Tais estados complexos e sutis não somente estão ancorados num fundo comum, mas tendem
sem cessar através dos invólucros que os separam, a se reagrupar e a se misturar
na massa comum. Tais estados complexos “passam de um personagem ao outro,
se reencontram em todos, são refratados em cada um segundo um índice
diferente e nos apresentam cada vez uma de suas inumeráveis nuances ainda
desconhecidas”.

► Em relação à ambigüidade do romance como técnica de comunicação no
ambiente da alienação como meio artístico, se comparados, observaríamos que a
procura dos personagens de Dostoyevski os conduz, “no seio do mais fraternal
mundo que seja”, a buscar, como já o dissemos, “uma espécie da sempre possível
interpenetração ou fusão total, enquanto que os esforços dos heróis de Kafka são
orientados para um objetivo mais modesto e mais longínquo.

Ou seja, oferecendo-nos as palavras do próprio narrador kafkiano, nossa ensaísta nos diz que para os personagens de Kafka, “aos olhos dessa gente que os mira com tanta
desconfiança”, trata-se de se tornar somente nem t
anto seus amigos, mas enfim
seus concidadãos; ou, sob outro aspecto, malgrado todos os obstáculos, trata-se
de empenhar-se em preservar com aqueles mesmos que lhes são mais próximos
algumas tênues semelhanças de relações.

Para Sarraute, as interpretações metafísicas de Kafka são devidas às características desta acanhada busca, sua desesperada obstinação, a profundidade do sofrimento humano, a indigência e o abandono total que nessa acanhada busca se revelam e que transbordam o plano psicológico.

Nada obstante, nossa autora repele que se possa identificar os heróis
de Kafka “à imagem da realidade humana como despojada de todas as
convenções psicológicas”.

Vale dizer, esta perspectiva personalista reencontra a
ambigüidade do romance como técnica de comunicação constatando que, não
obstante a consciência alienada, a auto-alienação na utopia negativa, nem os
personagens de Kafka podem ser vistos como se houvessem sido esvaziados de
todo o pensamento e de toda a vida mental subjetiva.

Articles au tour de Marcel Proust redigés en Portugais. © 2007 Jacob (J.) Lumier.
Websitio Produção Leituras do Século XX – PLSV
http://www.leiturasjlumierautor.pro.br
FIM