Standardização e Ataraxia

Há uma conexão entre a ataraxia na fantasia futurista e as tendências para certas involuções já existentes no cotidiano das sociedades penetradas pela indústria cultural e a cultura de massa

Deve-se levar em conta que a pesquisa sobre o materi-al e a finalidade da arte não se esgota na descoberta do vazio de significação nem se limita ao aspecto do mera-mente existente que ali aflora no déjà vu.

A Standardização através da des-subjetivação leva também à ataraxia cujo primeiro momento foi menciona-do ao notar a ausência de emoção projetada na fantasia futurista.

Isso porque a fantasia futurista glorifica o cotidiano da vida acentuando-lhe a transcendência, mas o faz deixando na sombra a conexão material do espiritual, a qual, por contra, apoiada no desejo, na busca de satisfação, na se-xualidade vem a ser vivida como ansiedade pelos indiví-duos humanos.

Na verdade essa aparente desatenção para com a cone-xão material apenas desenvolve a imagem de apatia que a fantasia futurista tece ao estender a Standardização aos temas da felicidade e da sexualidade.

Neste ponto, pode ver que aprofundando através da análise da fantasia futurista a reflexão sobre o material da arte e literatura de avant-garde encaminha-se na direção que reencontra o pensamento artístico de Marcel Proust.

Com efeito, é na obra desbravadora deste criador his-tórico, na série romanesca reunida em “A La Recherche du Temps Perdu” que o vazio de emoção configura um elemento fundamental, o foco mesmo das imagens e me-táforas da narrativa literária.

Tanto é assim que, em seu notável ensaio sobre Proust , Samuel Beckett insistirá no alcance neutraliza-dor sobre a vontade e sobre a própria auto-afirmação da consciência desempenhado pelo monólogo interior prous-tiano, sobretudo no início do segundo volume de “Le Temps Retrouvé” em que, ao conseguir o vazio de emo-ção, o narrador tem acesso ao êxtase artístico e o viven-cia mediante a intervenção da memória involuntária.

Certamente, a orientação freudiana (sem a psicanáli-se) de T.W. Adorno se distancia de Proust assim como a Libido não esgota o instinto do Eu.

Não que o narrador proustiano seja menos neurótico (Beckett classificará o seu infantilismo como ligado ao complexo de dominação) do que os estados considerados por T.W. Adorno como elementares na criação poético-literária, mas sim que o pensamento de Proust vê a fonte da obra de arte na individualidade mesma do artista e em sua fantasia, enquanto a Crítica da Cultura busca como disse nas significações culturais o foco irradiador das i-magens e metáforas literárias.

Desta forma, T.W. Adorno põe em relevo a conexão entre a ataraxia na fantasia futurista e as tendências para certas involuções já existentes no cotidiano das socieda-des penetradas pela indústria cultural e a cultura de mas-sa, aliás, é essa conexão que orienta toda a sua Crítica da Cultura, como pesquisa sobre os materiais da arte e reflexão estético-sociológica sobre a utopia negativa.

Com efeito, no prolongamento da Standardização pelo futurismo, a ataraxia, a impertubabilidade é produzida por extensão ao âmbito da relação da liberdade individual e dos tabus sexuais, notados estes no já mencionado culto do instrumento técnico separado de todo o destino obje-tivo e da afcção fetichista em possuir perfeitos equipa-mentos de toda a natureza.

A Função da Ataraxia

Segundo T.W. Adorno a função da ataraxia na utopia negativa rebaixa a idealização do meramente existente, ou melhor, da existência monádica ou atomizada dos indiví-duos, dando expressão (antierótica) à relação complemen-taria que existe entre coletivização e atomização.

Assim o núcleo de toda a relação entre seres humanos é amarrado por essa ataraxia ao êxtase sexual. Quer dizer, há na utopia negativa contradição envolvendo uma liber-dade (neutralizada em vazio de emoção) na qual os tabus sexuais perdem sua força e são substituídos pela autoriza-ção do antes proibido, ou se fixam em maneira vã por uma estéril constrição. O prazer mesmo degenera em mise-rável galhofa e em mera ocasião de narcisista satisfação por ter fisgado a esta ou àquele (…); o sexo se faz indiferente e irrelevante pela institucionalização da promiscuidade (…); se deseja a descarga fisiológica como elemento de higiene e a carga emocional que isso pode representar se deposita em conta do desperdício de energia sem utilidade social; o que há de evitar a todo o custo é deixar-se levar pela emoção. Tal a contradição em que desponta a ataraxia, certa im-perturbabilidade como vazio de sexualidade ou de emo-ção, um estado antierótico que T.W. Adorno analisará como construção do orgasmo organizado na fantasia futu-rista. .

No exame de tal contradição – uma liberdade neutrali-zada em vazio de emoção na qual os tabus sexuais per-dem sua força – deve-se distinguir na fantasia futurista a vertente marcada pelo puritanismo, que acolhe e elabora como inseparáveis o sentido religioso, por um lado e, por outro lado, a humilhação do sexo e a entrega sexual, e que se poderá detectar na cena romanesca do The Brave New World.

Desta forma encontra-se mais arraigado o dispositivo ideológico tornando localizado e restrito o assunto sobre sexo, o qual fora equivalente ao tema da libertinagem considerada como estímulo fisiológico, à maneira em que nas chamadas culturas masculinas os cavaleiros costu-mavam falar entre eles de mulheres e de erótica, mes-clando (a) – orgulho por terem conquistado soberania pa-ra tocar no tema tabu e, (b) – desprezo por este tema.

No romance de Aldous Huxley o dispositivo ideológico (que torna localizado e restrito o assunto sobre sexo) e o próprio fato do sexo estão mais sublimados e mais pro-fundamente reprimidos (reforçando o tabu, ou melhor, fi-xando-o em maneira vã por uma estéril constrição), sendo notado na questão da falsa felicidade, que sacrifica a i-déia de felicidade verdadeira.

Tanto mais que nesta vertente derivada do puritanismo a objeção anteposta à “era industrial” denuncia o relaxa-mento dos costumes e não tanto a desumanização. A in-dagação principal é saber se há felicidade possível sem proibições a destruir – como se a felicidade dimanante da violação de um tabu pudera justificar e legitimar o tabu mesmo, como ironiza T.W. Adorno (cf.ib.pág. 108).

Fungibilidade

Por contra, a inoperância de tal ideologia (que fixa o tabu em estéril constrição) influindo na fantasia futurista ao fazer sobressair que o rápido e prescrito câmbio de companhia erótica na utopia negativa deriva da cega e o-ficial organização do sexo, que converte o prazer em broma e o nega ao concedê-lo.

Ou seja, é o tabu mesmo que continua vigorando na impossibilidade de mirar cara a cara o prazer, de entre-gar-se plenamente a ele por meio da reflexão. Se esta proibição houvera sido quebrada, se o prazer se tivera li-berado já das malhas da instituição seria capaz de dis-solver a rigidez do The Brave New World como mundo da utopia negativa.

O princípio moral supremo desse mundo pintado na fantasia futurista, seu desiderato, sua culminação é de que qualquer um pertence a qualquer um: é a fungibi-lidade absoluta, que dissolve o homem como ser indi-vidual.

Mera mitologia, a fungibilidade destrói o último Em-Si do homem, seu último tabu e o determina como me-ro Para-Outro, como nulo.

Tendo em conta essa culminação, mas prosseguindo na desmontagem do dispositivo ideológico efetivo que, tornando localizado e restrito o assunto sobre sexo refor-ça ao contrário o tabu, sublinha nosso autor que a culmi-nada situação de anarquia sexual é incompatível com uma ordem totalitária, posto que o conceito de domínio pode definir-se como a disposição de uns sobre os de-mais e não como disposição total de todos sobre todos.

O homem que não é mais senão para outra coisa fica-ria sem dúvida alienado de sua mesmidade, porém seria também liberado da atadura da autoconservação que mantém unido o mundo da utopia negativa tanto quanto o mundo velho.

Segundo T.W. Adorno a pura fungibilidade corroeria o núcleo do poder e prometeria a liberdade em sentido ab-soluto. Dessa maneira sobressai a debilidade da concep-ção de conjunto que vincula o futurismo por um lado e, por outro lado, a ideologia derivada do puritanismo, e que vincula a ambos com o princípio moral da fungibilidade absoluta na utopia negativa.

Fragilidade composicional esta que T.W. Adorno exa-minará partindo da cena principal do romance da fantasia futurista de Aldous Huxley, a saber: o choque erótico dos dois mundos: o da personagem Lenina – que é o protótipo da mulher americana liberada – e o do “selvagem John” que a ama em modo lírico e puramente contemplativo e que, como uma relíquia do humano, pertence ao mundo que ficou às costas da cultura absoluta de massa, (um mundo pintado nessa fantasia como repugnante e defor-mado, à imagem das colônias nudistas em que o sexo se anula também mediante sua desocultação).

Fonte:

A UTOPIA NEGATIVA: LEITURAS DE SOCIOLOGIA DA LITERATURA

Jacob J. Lumier

(Primeira edição – online junto à Web de Eumed.net, BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

Universidade de Málaga, Espanha)

Estudo sobre a responsabilidade social no Brasil.

A preocupação com as questões do meio ambiente é relativamente recente na consciência social, mas progrediu muito em diversos setores da sociedade, inclusive no meio empresarial. Por ora, no entanto, há poucos indícios do surgimento de uma cultura realmente nova caracterizada por um diálogo crítico e autocrítico entre a economia e a sociedade a respeito das questões ambientais.

Instituto de Pesquisas das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social – UNRISD

A economia política da responsabilidade empresarial noBrasil: as dimensões social e ambiental

por

Paola Cappellin e Gian Mario GiulianiResumo

Janeiro de 2005

O discurso e as práticas associadas à responsabilidade social e ambientaldas empresas (RSAE) vêm se intensificando e desenvolvendo rapidamente nosúltimos anos.

Este documento descreve a agenda da RSAE no Brasil, examina sua história, identifica os fatores e os atores que estimularam as empresas a adotar iniciativas dessa natureza, e se interroga sobre seus efeitos concretos para o desenvolvimento social sustentável.

O interesse mundial pela RSAE cresceu muito na década de 1990 e estendeu-se aos países em desenvolvimento por via de processos, políticas e instituições relacionadas com a globalização.

Mas muitos países em desenvolvimento também têm uma história própria de iniciativas de RSAE.

O desejo de melhorar o desempenho social das empresas no Brasil aumentou significativamente nos anos 80, graças principalmente às inquietações dos atores e aos contextos internos.

Um fator decisivo foi a difusão de certos valores e princípios éticos ligados à democratização e a um pensamento religioso progressista.

O processo de democratização também abriu caminho para a expansão das organizações da sociedade civil e dos movimentos sociais preocupados com os impactos sociais e ambientais das atividades das empresas.

Um setor da comunidade empresarial desempenhou um papel fundamental nessas mudanças, as associações empresariais, que não só representavam osi nteresses econômicos de seus membros, mas se colocavam questões filosóficas e culturais, entre elas as das relações entre as empresas e a sociedade.

Partindo de uma posição crítica com relação à atitude tradicional do empresariado, essas associações procuraram despertar a consciência social das empresas e estimular atividades filantrópicas.

O círculo dos atores e instituições que preconizava a RSAE ampliou-se consideravelmente na década de 1990. Partidos políticos, organizações não-governamentais, sindicatos, meios de comunicação de massa, governos locais, consumidores e acionistas engajaram-se nessas ações, assim como algumas entidades empresariais, diretores e empresas de visão mais proativa.

Mas há diferenças fundamentais de visão entre as organizações da sociedade civil. Os sindicatos, por exemplo, consideram as empresas como as grandes responsáveis pela deterioração das condições de trabalho e reclamam a universalização dosdireitos trabalhistas, enquanto muitas organizações não-governamentais tendem a incentivar ações sociais voluntárias empresariais.

A impulsão favorável à RSAE recebeu ainda o reforço das influências e pressões internacionais ligadas à gestão além-fronteiras das companhias multinacionais, da militância da sociedade civil mundial, da certificação ambiental e das normas e leis internacionais relacionadas com o trabalho, o meio ambiente e os direitos humanos.

Outra mudança importante ocorreu nos anos 90. No momento em que as companhias buscavam reestruturar-se para aumentar sua competitividade no mercado internacional, alguns diretores – e especialistas em gestão de empresas se deram conta de que as iniciativas de RSAE podiam ser usadas para reduzir custos, aumentar as vantagens competitivas e administrar os riscos e a reputaçãode suas empresas.

As repercussões internacionais de uma imagem desfavorável levaram as empresas brasileiras a priorizar uns poucos problemas específicos, entre os quais a pobreza, a violência, o trabalho infantil, a educação e a proteção do meio ambiente. Além disso, alguns segmentos do mundo dos negócios,principalmente as grandes empresas dos setores mais dinâmicos da economia, colocaram-se na dianteira das ações sociais, procurando fechar algumas das brechas abertas pela fragilidade, real ou percebida, do setor público.

A RSAE tornou-se assim parte de uma estratégia mais ampla de legitimidade, uma maneira de limpar a imagem maculada dos empresários e das empresas que muitos consideravam responsáveis pela concentração da riqueza e pelo caráter cada vez mais especulativo dos investimentos financeiros.

Em outraspalavras, os empresários brasileiros utilizaram-se da RSAE para restabelecer a confiança dos trabalhadores, aumentar sua competitividade e, sobretudo consolidar a fidelidade dos consumidores e a aceitação da coletividade.

Em uma época de mercados de trabalho flexíveis e de desregulação dos custos da mão de obra, a responsabilidade social permitiu às empresas amenizar um pouco os efeitos dessas políticas e processos. Com a ampliação da agenda de RSAE durante a década de 1990 um número cada vez maior de grandes empresas se interessaram por diversas iniciativas que iam além dos limites da filantropia e incluíam o bem-estar social, a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento comunitário. Tais atividades seconcentravam habitualmente em doações e ações sociais voltadas para as comunidades locais em que as empresas haviam se instalado.

Em outraspalavras, as empresas e entidades empresariais dirigiram suas ações sociais para fora de seus muros. Entretanto, com a intensificação da reestruturação industrial, as ações sociais foram redirecionadas para dentro, isto é, para investimentos na qualificação dos trabalhadores e para a modernização das técnicas de produção usadas nos locais de trabalho, sobretudo nos setores metalúrgico, químico, têxtil e de construção civil.

Os investimentos orientados para os trabalhadores visavam primordialmente o aumento da produtividade. Por outro lado, essas iniciativas contribuíram para reduzir os problemas tradicionais das fábricas brasileiras, como os acidentes de trabalho, o analfabetismo, as doenças, o absenteísmo e a baixa adesão aos objetivos da empresa.

***

Se é possível constatar que as empresas adotam cada vez mais iniciativas de responsabilidade social e ambiental, a dinâmica da responsabilidade social empresarial (RSE) e da responsabilidade ambiental empresarial (RAE) são muito diferentes entre si.

A RSE surgiu num contexto de desregulamentação e deterioração das normas e direitos do trabalho. Embora o discurso e prática da RSE tenham se disseminado, as empresas e suas associações fazem pressão sobre o Estado para que os direitos trabalhistas e as normas de trabalho sejam excluídos da legislação nacional e transferidos para a órbita da negociação coletiva direta.

Juntamente com a desregulamentação da legislação trabalhista de caráter universal, as grandes empresas cortam empregos formais e salários.

Vista nesse contexto geral, a RSE mais parece uma “abordagem paliativa” para aliviar a consciência pesada.

A responsabilidade ambiental das empresas (RAE), por sua vez, apóia-se em sistemas de controle definidos pela legislação nacional e por acordos internacionais, além das pressões da sociedade civil, e é fortalecida por determinados nichos de negócios. Mas concluir daí que as empresas estão se convertendo à causa ecológica é simplificar em excesso um processo que é bem complexo e envolve diferentes atores e dinâmicas.

A preocupação com as questões do meio ambiente é relativamente recente na consciência social, mas progrediu muito em diversos setores da sociedade, inclusive no meio empresarial. Por ora, no entanto, há poucos indícios do surgimento de uma cultura realmente nova caracterizada por um diálogo crítico e autocrítico entre a economia e a sociedade a respeito das questões ambientais.

Na realidade, os progressos obtidos na Responsabilidade Ambiental das Empresas são frágeis. As relações entre as empresas e as organizações não-governamentais preocupadas com o meio ambiente permanecem tênues, e certos grupos empresariais continuam a reivindicar uma atenuação da rigidez das leis ambientais, principalmente no que diz respeito à conservação florestal e às restrições à produção e comercialização de produtos transgênicos (ou geneticamente modificados).

A perspectiva da RSAE depende, em última análise, de um contexto institucional que reúna condições legais, políticas e comerciais. Alguns sinais parecem indicar que o Brasil poderá reunir essas condições. É provável que o momento favorável aos dois tipos de responsabilidade ganhe impulso, sobretudo porque uma série de atores e instituições – antigos e novos, nacionais e internacionais – têm se empenhado ativamente em promovê-la.

Os mercados de bens e serviços ambientais continuam a expandir-se, e as recentes mudanças políticas indicam que o Estado brasileiro poderá vir a desempenhar um papel mais proativo no desenvolvimento econômico e social.

No novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a agenda da RSAE faz parte de uma pauta maior de questões em que as políticas públicas universalizantes voltaram a ocupar o centro do modelo brasileiro de desenvolvimento econômico e social. O governo também anuncia uma nova cultura de consenso social e uma nova relação entre a regulação voluntária e a normatividade estatal.

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Paola Cappellin e Gian Mario Giuliani, Doutores em Sociologia pelaUniversidade de Paris X – Nanterre, são professores do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) do Instituto de Filosofia eCiências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brasil.
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Texto reproduzido por Jacob (J.) Lumier

Sociologia da Literatura – I: Leitura de Proust: Uma Abordagem Inspirada por Samuel Beckett.


Sociologia da Literatura – I: Leitura de Proust

Uma Abordagem Inspirada por Samuel Beckett

Jacob (J.) Lumier

DESCRIPTION

Dans ce livre Jacob (J.) Lumier éclaircit sur le probléme de l’individuation<!–[if supportFields]> XE "individuation" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> burgeoise en matiére de sociologie du roman, pris celui-ci dans sa ambiguité comme technique de communication. Il expose l’approche beckettienne sur la pensée artistique en vue d’enseigner les points basiques de la lecture esthétique de Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. Y prend relief la definition sur le procedé de l’art comme contemplation du monde indépendément du principe de causalité que nos a donné Schopenhauer<!–[if supportFields]> XE "Schopenhauer" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, en aboutissant a la conception du Désir lié à la nulité de la volonté au cours de l’expérience artistique-extatique.

La médiatisation par la figure ocultée du narrateur proustien est la referénce pour l’analyse et l’interprétation de l’expression in-voluntaire, dans laquelle, desarmée la logique habituelle et les régles de l’existence empirique, le sujet y concentre ses éfforts pour s’annuler soi-même. De lá, la centralité du théme de la désillusion impliquée dans une philosophie du sentiment comme expréssion de l’individuation<!–[if supportFields]> XE "individuation" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. À l’examen de cette philosophie on y voit la tragédie d’ Albertine et le probléme proustien de l’impossibilité dans la possession de l’autre, aboutissant à son tour dans la valeur essentielle de la jalousie comme critérium de l’objectivité littéraire, formée dans le complexe de domination et dans l’ enfantinisme que Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> souligne en Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>.

Cependant cette description n’est pas limitée au volume deuxiéme de “Le Temps Retrouvé”, mais comprendre aussi le théme de l’intuition littéraire développé dans le volume premier de l’oeuvre citée à la mesure que, par allusion a la phrase de Pascal<!–[if supportFields]> XE "Pascal" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> “le moi est odieux” et a propos du mondainisme, Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> souligne le désir d’exhibition.

la LITTÉRATURE – I : LECTURE DE PROUST, UNE APPROCHE INSPIRÉE par SAMUEL BECKETT > a été élaboré par Jacob (J.) Lumier sous le régard du sociologue en vue de produire de la bibliographie basique pour la formation dans les Sciences Humaines et actualiser certaines interprétations historiques qui revalorisent le monologue proustien.

Catégories:

Communication, sciences humaines, sociologie, histoire,

théorie littéraire, avant-garde<!–[if supportFields]> XE "avant-garde" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>..

Les Mots Clés:

Sociologie/ realité/ roman/ avant-garde<!–[if supportFields]> XE "avant-garde" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>/ individualism/ alienation/ fantasie/ artiste/ société/ utopie/ monologue/subjectivity/médiatisation/conscience.

© 2007 by Jacob (J.) Lumier

SOCIOLOGIE de la LITTÉRATURE – I : LECTURE DE PROUST.

UNE APPROCHE INSPIRÉE par SAMUEL BECKETT

Jacob (J.) Lumier

Descrição em português

Nesta obra o autor esclarece o problema da individuação burguesa em sociologia<!–[if supportFields]> XE "sociologia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> do romance<!–[if supportFields]> XE "romance" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, tomado este em sua ambigüidade como técnica de comunicação. Expõe a abordagem beckettiana<!–[if supportFields]> XE "beckettiana" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> sobre o pensamento artístico<!–[if supportFields]> XE "artístico" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> ensinando quais são os pontos básicos que guiam a leitura de Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> desde o ponto de vista estético. Relevando a definição de Schopenhauer<!–[if supportFields]> XE "Schopenhauer" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> do procedimento da arte<!–[if supportFields]> XE "arte" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como contemplação do mundo independentemente do princípio de causa, destaca a concepção do Desejo ligado à neutralização da vontade na experiência<!–[if supportFields]> XE "experiência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> artístico-extática.

A figura velada do narrador proustiano<!–[if supportFields]> XE "proustiano" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como mediação é a referência para a análise e interpretação da expressão involuntária, na qual, desarticulada a lógica habitual e as regras da existência empírica, o sujeito aplica suas energias em apagar-se a si mesmo. Daí a centralidade do tema da desilusão<!–[if supportFields]> XE "desilusão" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> implicando uma filosofia<!–[if supportFields]> XE "filosofia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> do sentimento<!–[if supportFields]> XE "sentimento" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como expressão da individuation<!–[if supportFields]> XE "individuation" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. No exame dessa filosofia, sobressaem a tragédia<!–[if supportFields]> XE "tragédia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de Albertine e o problema proustiano da impossibilidade em tomar posse do outro, levando por sua vez a pôr em relevo o alcance essencial<!–[if supportFields]> XE "essencial" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> dos ciúmes<!–[if supportFields]> XE "ciúmes" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, como critério de objetividade<!–[if supportFields]> XE "objetividade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> literária<!–[if supportFields]> XE "literária" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> compondo uma forma do complexo de domínio e do infantilismo que Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> nota como duas tendências sumamente desenvolvidas em Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. Todavia a descrição não se limita ao Segundo Volume de “Le Temps Retrouvé”, mas examina o ponto de vista da intuição<!–[if supportFields]> XE "intuição" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> literária, afirmado igualmente no Primeiro Volume, na medida em que – alusivamente à frase de Pascal<!–[if supportFields]> XE "Pascal" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de que “o Eu é odioso” e tratando o mundanismo<!–[if supportFields]> XE "mundanismo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> – Proust enfoca o desejo<!–[if supportFields]> XE "desejo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de exibir-se.

<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, uma abordagem inspirada por Samuel Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> > foi elaborada por Jacob (J.) Lumier sob a mirada do sociólogo em vista de produzir bibliografia básica para a formação nas Ciências Humanas e dar aproveitamento e atualidade às fontes históricas revalorizando a arte<!–[if supportFields]> XE "arte" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de Proust.

Categorias:

Comunicação social, ciências humanas, sociologia<!–[if supportFields]> XE "sociologia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, história, teoria<!–[if supportFields]> XE "teoria" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> literária<!–[if supportFields]> XE "literária" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, avant-garde<!–[if supportFields]> XE "avant-garde" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>.

Palavras chaves:

Romance, fantasia<!–[if supportFields]> XE "fantasia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, mundo<!–[if supportFields]> XE "mundo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> dos valores, conhecimento, realidade<!–[if supportFields]> XE "realidade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, alienação<!–[if supportFields]> XE "alienação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, reificação<!–[if supportFields]> XE "reificação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, coisificação<!–[if supportFields]> XE "coisificação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, indivíduo<!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, individualismo<!–[if supportFields]> XE "individualismo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, crítica<!–[if supportFields]> XE "crítica" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, cultura, psicologia, consciência<!–[if supportFields]> XE "consciência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, sociedade<!–[if supportFields]> XE "sociedade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, artista<!–[if supportFields]> XE "artista" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, mediação, subjetividade<!–[if supportFields]> XE "subjetividade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, consciência, mediatização<!–[if supportFields]> XE "mediatização" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>.

© 2007 by Jacob (J.) Lumier

APRESENTAÇÃO

(INDIVIDUATION [i] e SOCIOLOGIA)

Este ensaio foi elaborado em vista de aprofundar na arte<!–[if supportFields]> XE "arte" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> literária<!–[if supportFields]> XE "literária" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> sob o aspecto da mediatização e no quadro da crise de objetividade<!–[if supportFields]> XE "objetividade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> literária, cujo exame teve início em obra anterior [ii] .O interesse da sociologia<!–[if supportFields]> XE "sociologia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> no ro
mance<!–[if supportFields]> XE "romance" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> é o individualismo<!–[if supportFields]> XE "individualismo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. No século XX os sociólogos acentuam que a dificuldade em descrever a biografia e a psicologia do personagem deve-se ao fato de se viver numa sociedade<!–[if supportFields]> XE "sociedade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> onde o indivíduo<!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> já não é o valor predominante. Admite-se que para permanecer fiel à sua herança realista e continuar dizendo como são realmente as coisas, o romance teve que se afastar de um realismo voltado para reproduzir apenas a fachada e teve que promover o equívoco desta. Tarefa por sinal não estranha ao romance que desde o século XVIII com o Tom Jones, de Fielding, já encontrara seu verdadeiro objeto no conflito entre os homens vivos e as petrificadas (ou mumificadas) relações, de tal sorte que a própria alienação<!–[if supportFields]> XE "alienação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> se converte assim para o romance em meio artístico<!–[if supportFields]> XE "artístico" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> (T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>).

Como se sabe em história literária<!–[if supportFields]> XE "literária" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, a ação dramática do romance<!–[if supportFields]> XE "romance" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> esteve envolvida em uma técnica da ilusão que reservava previamente ao leitor<!–[if supportFields]> XE "leitor" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> o papel limitado de realizar algo já realizado e participar assim do caráter ilusório do conteúdo representado. Entretanto, simultaneamente à supressão do objeto do romance em face do gênero reportagem no século XX, implicando e alterando a posição do narrador que por diferença do realismo literário do século XIX não mais possui a experiência<!–[if supportFields]> XE "experiência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> do conteúdo a ser narrado, nota-se que o caráter ilusório vai sendo suprimido conforme se passe de Flaubert para Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, Gide, Thomas Mann ou Musil e desemboque no que T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> chama “reabsorção da distância estética<!–[if supportFields]> XE "estética" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>”. Desse modo vem a ser favorecida a prevalência da relação com o leitor por fora e em detrimento da união autor-personagem<!–[if supportFields]> XE "personagem" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>-leitor. Daí um tipo de romance cujo impulso é decifrar o enigma da vida externa (o autor literário que não mais possui a experiência do conteúdo evita a pretensão de que sabe exatamente “como foi”, exclui a “pretensão de conhecimento[iii]). Tipo de romance este ao qual se aplica a asserção de que a alienação<!–[if supportFields]> XE "alienação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> se converte em meio artístico<!–[if supportFields]> XE "artístico" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, de tal sorte que a análise sociológica exige pôr em relevo, além da fantasia, <!–[if supportFields]> XE "fantasia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> a ambigüidade do romance como técnica de comunicação.

Quer dizer, o aspecto da fantasia já não é acessível sem a mediação da técnica de comunicação. Neste sentido T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> remarca que o avanço de Dostoyevski<!–[if supportFields]> XE "Dostoyevski" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> está em ter pressentido que o romance<!–[if supportFields]> XE "romance" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> estava obrigado a romper com o positivo e apreensível e a assumir a representação da essência<!–[if supportFields]> XE "essência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como das qualidades humanas, uma psicologia do caráter inteligível. Daí o surgimento de um narrador como homem no exercício experimental de suas recordações únicas. Daí também, dessa atitude experimental em literatura<!–[if supportFields]> XE "literatura" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, em modo especial, um vínculo ao Iluminismo e à liberdade de pensamento que ultrapassa o Eu genérico legado do século XVIII. Portanto, será o narrador como homem no exercício experimental de suas recordações únicas e por esta via não-generalizável vinculado ao Iluminismo e à liberdade de pensamento, que Adorno reencontrará em Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. Se na arte<!–[if supportFields]> XE "arte" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> deste se afirma a recordação<!–[if supportFields]> XE "recordação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> pelo monólogo<!–[if supportFields]> XE "monólogo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> interior – recordação personificada em sua realidade<!–[if supportFields]> XE "realidade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> humana pelo narrador<!–[if suppor
tFields]> XE "narrador" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> prousteano ou mesmo para-além dele – se atualiza igualmente o dilettantismo: o modo de ser do homme de lettres como sujeito social de conhecimentos. Tal é o ponto de vista da recordação que além de experiência<!–[if supportFields]> XE "experiência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> não-generalizável se exerce por um proceder experimental, por intenção tenteadora, a saber: a recordação na medida em que se experimenta como esperança ou desilusão<!–[if supportFields]> XE "desilusão" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> fornece o critério que confirma ou refuta para si mesmo as observações do sujeito como indivíduo<!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> humano<!–[if supportFields]> XE "humano" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. Tal o caráter do monólogo interior na arte de Proust, caráter artístico<!–[if supportFields]> XE "artístico" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> criado pelo narrador prousteano como homem experimentado [iv].

Neste sentido, o interesse sociológico na literatura<!–[if supportFields]> XE "literatura" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> do século XX aprofunda no individualismo<!–[if supportFields]> XE "individualismo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> para focar-se na própria individuation<!–[if supportFields]> XE "individuation" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> burguesa, na possibilidade mesma do que constitui ou diferencia um indivíduo<!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de outro indivíduo em contexto de alienação. Daí o domínio conexo entre a estética<!–[if supportFields]> XE "estética" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>-sociológica e as teorias metapsicológicas, já que à objetivação do humano nas estruturas corresponde o surgimento da subjetividade, a aspiração aos valores que resta em estado de aspiração, uma cultura que não se individualiza. Daí o simples como pensamento letargado, perplexo, chegando à ataraxia [v], a qual não deve ser confundida às alienações mentais subjetivas, esquizofrenias ou delírios patogênicos em face da realidade<!–[if supportFields]> XE "realidade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> e frequentemente provocados no envolvimento do indivíduo em alternativas inconciliáveis para o sentimento<!–[if supportFields]> XE "sentimento" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de felicidade.

Com efeito, em sociologia<!–[if supportFields]> XE "sociologia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> a busca da individuação na composição literária<!–[if supportFields]> XE "literária" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de avant-garde<!–[if supportFields]> XE "avant-garde" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> deve levar em conta a coisificação<!–[if supportFields]> XE "coisificação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> não somente como condição da ruptura libertadora, condição negativa, mas como a forma positiva que torna objetivo o trauma subjetivo, como o caráter de mercadoria assumido pela relação entre os homens. O modelo da tradição do romance<!–[if supportFields]> XE "romance" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> que vem do século XVIII, desde o Iluminismo, tendo por objeto o conflito entre o homem vivo e as petrificadas relações sociais, é uma referência limitada ao nível ideológico e, falta de crítica<!–[if supportFields]> XE "crítica" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> social, não atende à exigência de justiça poética, não evita colocar os personagens em injustiça pelo não reconhecimento ou pela descaracterização do perfil neurótico desempenhado. T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> acentua a crítica social não só como ponto de vista aproximadamente freudiano sobre a busca da individuação (objetivação do trauma subjetivo), porém equipara a crítica social ao conhecimento de que a promessa humanista da civilização afirma o humano<!–[if supportFields]> XE "humano" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como incluindo em si juntamente com a contradição da coisificação<!–[if supportFields]> XE "coisificação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> também a coisificação mesma.

Nesse caráter de mercadoria assumido pela relação entre os homens, uma relação que se esqueceu de si mesma – forma positiva que torna objetivo o trauma subjetivo – a busca da individuação passa pela forma reflexa afirmando a falsa consciência<!–[if supportFields]> XE "consciência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> que o homem tem de si mesmo e que é decorrente dos seus fundamentos econômicos. Essa falsa consciência configura por sua vez o homem coisificado não somente como uma realidade<!–[if supportFields]> XE "realidade" <![endif]–><!–[i
f supportFields]><![endif]–> crítico-teórica, mas dá-lhe expressão como um homem obnubilado diante de si mesmo. Daí, finalmente, desse estado patético procede a figura recorrente na literatura<!–[if supportFields]> XE "literatura" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de avant-garde do personagem<!–[if supportFields]> XE "personagem" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> neurótico como afirmação da individuação buscada no contexto da Standardização e da indústria cultural, o personagem com alcance crítico e por isso com valor<!–[if supportFields]> XE "valor" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> artístico<!–[if supportFields]> XE "artístico" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> positivo. De fato, se a justiça poética é uma noção reflexiva aplicável à utopia negativa como tema configurando o campo da arte<!–[if supportFields]> XE "arte" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> e literatura de avant-garde e se vale para designar o modo pelo qual o autor, como artista<!–[if supportFields]> XE "artista" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, deve observar e aplicar a forma de objetivação na composição dos personagens, sua figuração da ataraxia (ou até mesmo da ancilose [vi], como em “A Metamorfose”, de Kafka<!–[if supportFields]> XE "Kafka" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>), isto é, sua assimilação ou seu distanciamento para com a crítica<!–[if supportFields]> XE "crítica" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> social, então temos que a atitude efetiva assumida em face desse modo composicional ou dessa crítica social leva a distinguir um momento positivo e um momento negativo interpenetrados na utopia negativa. É o que T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> nos sugere e suas análises esclarecem [vii].

Mas não é tudo. Em suas múltiplas facetas, o domínio conexo entre a estética<!–[if supportFields]> XE "estética" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>-sociológica e as teorias metapsicológicas pode ser assinalado igualmente no caráter estranhado da subjetividade daquele que ainda tem história apesar da fixação do Sempre Igual da produção em massa, caráter que se observa em certas formas de arte<!–[if supportFields]> XE "arte" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de avant-garde do século XX, como o surrealismo. Neste, se configura uma tensão entre esquizofrenia e coisificação marcando a individuation<!–[if supportFields]> XE "individuation" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> na era da modernidade e que se descarrega na catarse ou shock surrealista. Sustenta T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> que se as formações surrealistas têm analogia<!–[if supportFields]> XE "analogia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> com o sonho em psicanálise por desarticularem a lógica habitual e as regras da existência empírica, todavia elas continuam respeitando as coisas isoladas, separadas violentamente umas das outras do mundo<!–[if supportFields]> XE "mundo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> coisificado, continuam respeitando todos os seus conteúdos e até aproximam o humano<!–[if supportFields]> XE "humano" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> à figura coisista.

No sonho, o mundo coisista aparece incomparavelmente mais velado ou menos posto como realidade<!–[if supportFields]> XE "realidade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> do que no surrealismo, que é a arte<!–[if supportFields]> XE "arte" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> sacudindo a arte. Quer dizer, no surrealismo o sujeito atua muito mais abertamente e menos inibidamente aplicando suas energias em apagar-se a si mesmo, enquanto no sonho isso é feito sem necessidade de energia alguma. A diferença é que disso resulta tudo mais objetivo no surrealismo do que no sonho em psicanálise. Neste último o sujeito é ausente por antecipação e se ele dá cor e penetra em tudo o que ocorre o faz entre bastidores. Daí porque as associações dos conteúdos no surrealismo não sejam as mesmas que na psicanálise, embora ambos busquem a expressão involuntária. No surrealismo, onde se tem em vista a coisificação total que o remete totalmente a si mesmo e ao seu protesto, o sujeito dessa expressão involuntária e que dispõe livremente de si, tendo se desentendido de toda a consideração do mundo empírico, revela ser algo des-animado, desprovido do elemento anímico, mítico.

T.W.Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> sublinha haver uma dialética da liberdade subjetiva em situação de falta de liberdade objetiva de tal sorte que, nas imagens do surrealismo, o que se tem é o abandono pela sociedade<!–[if supportFields]> XE "sociedade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> burguesa da sua esperança na própria sobrevivência. Daí a aplicação ao conteúdo do surrealismo da frase atribuída ao Hegel de A Fenomenologia do Espírito segundo a qual “a única ação da liberdade geral é a aniquilação que não tem dimensão nem cumprimento interno algum” [viii]. Segundo T.W. Ado
rno, esta frase que põe em relevo o sentido do “algo des-animado” caracterizando o sujeito da expressão involuntária como desprovido do elemento anímico ou mítico serve para explicar o alcance crítico do surrealismo.

Dessa forma, não surpreende que tenhamos acentuado a interconexão metapsicológica da leitura de Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> neste nosso ensaio. Assim, sob o valor da notoriedade na relação de prestígio dos freqüentadores proustianos dos Salões parisienses, nos anos que precederam a década de Vinte, os autores afeitos à sociologia<!–[if supportFields]> XE "sociologia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> literária<!–[if supportFields]> XE "literária" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> da vertente psicanalítica observam o que Theodor W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> classificou de “um decisivo complexo”, designando o esnobismo<!–[if supportFields]> XE "esnobismo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como vontade de superar ou tornar sem importância o medo do tabu mediante o ingresso entre os iniciados [ix]. Nas observações deste autor será com referência à percepção desse “decisivo complexo” que se pode constatar não só a aproximação de Kafka<!–[if supportFields]> XE "Kafka" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> a Proust, mas um certo paralelismo entre, por um lado, estes dois grandes artistas-escritores, através notadamente do primeiro, e por outro lado o pensamento de Freud na obra “Totem e Tabu”.

Com efeito, T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> sustentará a aplicação da noção de tabu de um rei tirada de Freud como imprescindível para compreender aquilo que em Kafka<!–[if supportFields]> XE "Kafka" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> move aos homens para unirem-se com outros mais altos. Sua análise é suscitada pela questão de como chegar à interpretação do cosmos de Kafka e seu ponto de partida é a hipótese sobre o estatuto da linguagem nas obras deste, marcadas pela inversão da relação conceito/gesto, em que os gestos são resíduos, são os restos das experiências recobertas pelo significar: o gesto é “o assim é”, enquanto a língua “cuja configuração deve ser a verdade”, estando quebrada, é a não-verdade. Segundo T.W. Adorno é a lógica da perspectiva hierárquica em psicanálise que se verifica no esnobismo<!–[if supportFields]> XE "esnobismo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> proustiano<!–[if supportFields]> XE "proustiano" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como complexo e em Kafka [x].

Mas não é tudo. Para caracterizar a orientação artística de Kafka<!–[if supportFields]> XE "Kafka" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> em sua ligação com a psicanálise, T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> nos oferece suas observações mais sociológicas sobre a atitude de Kafka em face do sofrimento<!–[if supportFields]> XE "sofrimento" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, tomado este como estando cada vez mais submetido aos controles racionais do mundo da comunicação social. De início, comparando com a orientação de Freud em que a psicanálise é voltada para “o desmascaramento do mundo aparencial” tendo em vista as entidades psíquicas como os atos falhos, os sonhos e os sintomas neuróticos – lembrando que dentre estes últimos se incluem os que acometem ao herói K ao crer que os vizinhos o estão observando desde as janelas ou ao ouvir ao telefone sua própria voz cantarolando – T.W. Adorno põe em relevo que em Kafka tais entidades psíquicas são tomadas como “o lixo da realidade<!–[if supportFields]> XE "realidade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>”, os produtos do desperdício separados da sociedade<!–[if supportFields]> XE "sociedade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> evanescente pelo novo que se forma: tal o material único tomado por Kafka ao produzir sua arte<!–[if supportFields]> XE "arte" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. Quer dizer, como em toda a grande arte, a arte de Kafka “domina a ascese diante do futuro” sem esboçar todavia a imagem da sociedade nascente, mas “a monta com os produtos do desperdício”. Em vez de sanar a neurose, “Kafka busca nela mesma a força salvadora que é a do conhecimento”; “as feridas que a sociedade ocasiona ao indivíduo<!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> são lidas por este como cifras da não-verdade social, como negativo da verdade. Sua potência é potência da decomposição”. Ao desmantelar a decomposição arrancando a máscara conciliatória que recobre o desmesurado sofrimento submetido aos controles racionais, “o artista<!–[if supportFields]> XE "artista" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> não se limita como o faz a Psicologia a ficar junto ao sujeito, mas penetra até o meramente existente detectado no fundo subjetivo com a caída da consciência<!–[if supportFields]> XE "consciência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> ao perder toda a auto-afirmação”.

T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> sugere a aplicação da abordagem de Kafka<!–[if supportFields]> XE "Kafka" <![endif]–><!–[if supportFields]&gt
;<![endif]–> como exemplar à literatura<!–[if supportFields]> XE "literatura" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> que interpela a individuação burguesa, incluindo Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> e Joyce<!–[if supportFields]> XE "Joyce" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. Trata-se de subtrair a psicanálise para confrontar o especificamente psicológico notado na concepção que “faz derivar o indivíduo<!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> a partir de impulsos amorfos e difusos”, isto é faz derivar o Eu do Isto[xi] convertendo a pessoa de entidade substancial, de ser em vigência do anímico, em “mero princípio de organização de impulsos somáticos”. A via de Kafka seria voltada para reinventar a psicanálise, tratando a esta em uma série experimental em vista de verificar o que aconteceria se as asserções da mesma “fossem certas não metafórica e mentalmente, mas sim materialmente”, tomando-a mais ao pé da letra que a própria psicanálise, mas, desta forma, pecando contra a sua regra de simples desmascaramento do mundo aparencial, desmascaramento pelo qual a psicanálise “prova à cultura e à individuação burguesa sua mera aparência”. Daí a compreensão de T.W. Adorno equiparando a caída da consciência<!–[if supportFields]> XE "consciência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> uma vez desprovida de auto-afirmação à caída do sujeito como engenho, lembrando a imagem de mônada leibntziana fechada, sem janelas, mas tomando-a como o foco irradiador da narrativa de Kafka ou, no dizer mesmo de Adorno: “a mônada sem janelas prova ser lanterna mágica, mãe de todas as imagens, como em Proust e em Joyce”.

Acresce que, coerente com essa interpretação do foco da narrativa por monólogos irradiando-se de uma consciência<!–[if supportFields]> XE "consciência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>-mônada, T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> acentua as experiências desprovidas de normas que em Kafka<!–[if supportFields]> XE "Kafka" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> circunscrevem a própria norma [xii] como expressando o permanente déjà vu, que é o déjà vu de todos: o fim oculto da arte<!–[if supportFields]> XE "arte" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de Kafka é a disponibilidade, a tecnificação e a coletivização do déjà vu [xiii] .

Finalmente, note-se que a interconexão metapsicológica neste nosso ensaio encontra-se igualmente afirmada na aproximação beckettiana<!–[if supportFields]> XE "beckettiana" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> sobre a obra de Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. A conjectura estética<!–[if supportFields]> XE "estética" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> essencial<!–[if supportFields]> XE "essencial" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> para a memória<!–[if supportFields]> XE "memória" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> involuntária de Proust, seu modelo de reduplicação alcançado pela e na experiência<!–[if supportFields]> XE "experiência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> artístico<!–[if supportFields]> XE "artístico" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>-extática, afirmando como coerente a hipótese de um dado esquecido cristalizado na vida interior, tem respaldo na teoria metapsicológica de Alfred Adler [xiv], em que o modo pelo qual o indivíduo<!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> amolda seu caráter passa através de um mundo imaginário e belo no qual a vontade de finalidade pode restar indemne, conforme o desejo<!–[if supportFields]> XE "desejo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de precedência. De tal sorte que, nesta teoria metapsicológica afirmando o instinto do Eu é a tensão para o objetivo fictício fixado que toma o lugar da pulsão i-nata e saída das profundezas do ser que era a libido de Freud. Há uma trajetória pela qual o indivíduo constrói ele mesmo seu personagem com base em uma imagem ideal ou utilizando-se da comédia e da ficção. Vale dizer, o Eu, no plano do sentimento<!–[if supportFields]> XE "sentimento" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, efetua uma sorte de compensação pela ficção em tal maneira que a incerteza dolorosa em suportar é não só reduzida a sua mais simples expressão, porém, na seqüência, vem a ser transposta no seu pólo diametralmente oposto, o objetivo fictício, que se torna, então, o alvo de todos os anseios, de todos os sonhos e de todos os afetos.

© 2007 Jacob (J.) Lumier

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO – pág. 13

PREFÁCIO – pág. 23

TEMPO, HÁBITO, MEMÓRIA ou

AS METÁFORAS DE JANUS:

Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> e a Memória Involuntária em Proust – pág. 29

SOB A VISÃO DA AVÓ:

A experiência<!–[if supportFields]> XE "experiência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> artístico<!–[if supportFields]> XE "artístico" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>-extática na

Análise beckettiana<!–[if supportFields]> XE "beckettiana" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> do leitmotiv na obra de Prous<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>t – pág. 36

SOB A VISÃO DE ALBERTINE:

A filosofia<!–[if supportFields]> XE "filosofia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> estética<!–[if supportFields]> XE "estética" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> do sentimento

<!–[if supportFields]> XE "sentimento" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como expressão da individuation – pág. 49<!–[if supportFields]> XE "individuation" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>

SOB O MILAGRE DE ANALOGIA:

O Êxtasis Artístico e a Necessidade da Arte – pág. 58

SOB O SOFRIMENTO NÃO TEMATIZADO:

Mundanismo, frivolidade<!–[if supportFields]> XE "frivolidade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> elegante, esnobismo<!–[if supportFields]> XE "esnobismo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> no

Primeiro Volume de Le Temps Retrouvé – pág. 70

NOTAS COMPLEMENTARES – pág. 91


ÍNDICE REMISSIVO – pág. 103

ANEXO

A ARTE DA MONTAGEM NA

FILOSOFIA LITERÁRIA DE ERNST BLOCH – pág. 108

SOBRE O AUTOR – pág. 125

ÍNDICE ANALÍTICO – pág. 130

***

SOCIOLOGIE de la LITTÉRATURE – I : LECTURE DE PROUST.

UNE APPROCHE INSPIRÉE par SAMUEL BECKETT

Jacob (J.) Lumier

PREFÁCIO

Imaginamos que o objeto de nosso desejo<!–[if supportFields]> XE "desejo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> é um ser que pode se entregar a nós encerrado em um corpo. Porém, ai!!! [tal objeto] é o prolongamento desse ser até todos os pontos do espaço e do tempo<!–[if supportFields]> XE "tempo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> que ocupou e ocupará. Se não temos contato com tal lugar e com tal momento não possuímos a esse ser. Mas não podemos alcançar todos esses pontos”.

O sublime da memória<!–[if supportFields]> XE "memória" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> involuntária sugere a Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> uma interpretação de Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> centrada na imagem de que a impossibilidade para alguém possuir o outro pode ter a nobreza do trágico, uma interpretação acentuando a individualidade extrema da experiência<!–[if supportFields]> XE "experiência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> artística, tida por incomunicável, elemento de negatividade caracterizando o artista<!–[if supportFields]> XE "artista" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> em sua atividade singular. Pela mirada beckettiana<!–[if supportFields]> XE "beckettiana" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, houvera Proust recusado sacrificar “a única essência<!–[if supportFields]> XE "essência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> real e incomunicável de “uno mismo” às exigências de qualquer hábito<!–[if supportFields]> XE "hábito" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de conversar”, preservando desse modo “a assimilação espiritual do imaterial tal como o artista o extrai da vida”. A individualidade extrema como qualidade do sujeito da expressão involuntária compreende o caráter estranhado da subjetividade daquele que ainda tem história em contexto da produção em massa, a que T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> atribui a tensão entre esquizofrenia e coisificação, enfocando nesse modo a individuation<!–[if supportFields]> XE "individuation" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> na era da modernidade sob o prisma do algo des-animado ou desprovido do elemento anímico, em cujas imagens, mais do que o abandono pela sociedade<!–[if supportFields]> XE "sociedade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> burguesa da sua esperança na própria sobrevivência, se reflete a denúncia da ausência de esperança à própria ausência de esperança. Quer dizer, na expressão involuntária, desarticulada a lógica habitual e as regras da existência empírica, o sujeito aplica suas energias em apagar-se a si mesmo. Daí a centralidade do tema da desilusão<!–[if supportFields]> XE "desilusão" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>.

Ou seja, em l’approche beckettiana<!–[if supportFields]> XE "beckettiana" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> se admite haver um ego das aspirações do ontem e um ego para as do hoje e que nessa diferença não há logicidade, não há sistema algum de sincronização em o sujeito B se decepcionar com a trivialidade de um objeto preferido pelo sujeito A. Então, será do ponto de vista da diferença inserindo-se no desejo<!–[if supportFields]> XE "desejo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> mesmo que se configura l’approche beckettiana a nos oferecer inicialmente uma análise da desilusão<!–[if supportFields]> XE "desilusão" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> em face do que chama nulidade da consecução ou da realização invisível dos sentimentos. Sustenta-se por um lado que a incapacidade em apreciar nossa alegria comparando-a racionalmente à nossa tristeza põe em relevo o sentido em que a memória<!–[if supportFields]> XE "memória" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> voluntária em Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> carece de valor como instrumento de evocação proporcionando nada mais que uma imagem tão alheia do real quanto o é o mito tirado de nossa imaginação. Vale dizer que qualquer esforço intelectual consciente para reconstituir o impensável ou invisível como uma realidade<!–[if supportFields]> XE "realidade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> revela-se infrutuoso.

Por outro lado, admitindo não somente que, em decorrência, a identificação do sujeito ao objeto do seu apego escapa a qualquer relação lógica, mas que o alcance pelo sujeito do objeto do desejo<!–[if supportFields]> XE "desejo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> atende a um desses milagres de coincidência em que o calendário dos fatos corre paralelo ao calendário dos sentimentos, neste caso, teríamos uma consonância tão perfeita quanto o estado temporal da consecução elimina tão precisamente o estado temporal da aspiração de tal sorte que, no fim, o real parece o inevitável. É pois em relação ao real impensável assim aparecido, inalcançável pelo esforço intelectual então ressentido como desilusão<!–[if supportFields]> XE "desilusão" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> que se compreende o sentido da memória<!–[if supportFields]> XE "memória" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> in-voluntátria em Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–>
<!–[if supportFields]><![endif]–>, posto haver somente uma impressão real e um modo de evocação adequado e não dispomos de controle sobre nenhum dos dois.

Mas não é tudo. Essas observações iniciais sobre o enraizamento profundo no indivíduo<!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> humano da desilusão<!–[if supportFields]> XE "desilusão" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> estão integradas em uma reflexão envolvendo os vários níveis da transação entre o indivíduo e seu contorno pela qual Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> nos oferece certa aproximação de Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> e Schopenhauer<!–[if supportFields]> XE "Schopenhauer" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. O cerne dessa reflexão em torno à definição de Schopenhauer do procedimento artístico<!–[if supportFields]> XE "artístico" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como contemplação do mundo independentemente do princípio de causa não está limitado somente na exposição de uma teoria de transição contida na solução proustiana, mas compreende exatamente uma interpretação da fórmula solucionadora de Proust opondo o Hábito<!–[if supportFields]> XE "Hábito" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como uma segunda natureza a uma primeira natureza tomada por sua vez como livre das maldades e encantos daquela. Em face desta fórmula, l’approche beckettiana<!–[if supportFields]> XE "beckettiana" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> desdobra-se pela compreensão de que essa primeira natureza, por via de conseqüência, não só corresponde a um instinto mais profundo do que o mero instinto do organismo à auto-conservação, mas se revela diretamente ao ego durante tais períodos de abandono, durante os momentos de suspensão do Hábito.

Então, naquela primeira natureza trata-se da capacidade espontânea do ego em apreender diretamente o modelo de duplicação composto na experiência<!–[if supportFields]> XE "experiência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> artística. Antes, porém, notemos que tomando as maldades e encantos da metáfora proustiana como sendo as da realidade<!–[if supportFields]> XE "realidade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, se admite em reflexão estética<!–[if supportFields]> XE "estética" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> uma forma de percepção propriamente artística correspondendo a tais encantos da realidade. Ou seja, quando se percebe o objeto como particular e único e não só como pertencendo a um grupo; quando o objeto aparece independente de qualquer idéia geral e separado da sensatez de uma causa, “isolado e inexplicável à luz da ignorância”, só então pode ser fonte do encanto poético. O problema, a dificuldade é que no dizer de Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> o Hábito<!–[if supportFields]> XE "Hábito" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> vetou essa forma de percepção, segregando uma ação que consiste precisamente em esconder a essência<!–[if supportFields]> XE "essência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, o caráter acessível do objeto individuado na bruma do conceito-preconceito. Todo o esforço da reflexão beckettiana<!–[if supportFields]> XE "beckettiana" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> é mostrar como acontece e o que significa na obra romanesca de Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> a suspensão da função do Hábito, a suspensão dessa contínua adaptação e readaptação de nossa sensibilidade orgânica às condições dos mundos do Hábito, em referência do qual o sofrimento<!–[if supportFields]> XE "sofrimento" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> representa a supressão dessa função, seja por negligência ou insuficiência, enquanto o tédio<!–[if supportFields]> XE "tédio" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> representa a sua realização. Segundo Beckett na obra romanesca de Proust a composição pode ser equiparada a um pêndulo oscilando entre esses dois extremos: o sofrimento, que lança uma ponte para o real e é a condição primeira da experiência artística; e o tédio, o mais tolerável dos males humanos por ser o mais permanente.

Há que penetrar, portanto, na série interminável de renovações para buscar os esforços de escavação poética e não tomá-la como uma progressão, o que nos deixaria indiferentes. A teoria proustiana de transição operada por Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> volta-se exatamente para os períodos que separam adaptações consecutivas e os enfoca como as zonas perigosas da vida dos indivíduos: arriscadas, precárias, dolorosas, misteriosas e febris quando por um momento o tédio<!–[if supportFields]> XE "tédio" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> em viver é substituído pelo sofrimento<!–[if supportFields]> XE "sofrimento" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> no ser: é substituído pelo livre jogo de todas as faculdades ou estados de ânimo do indivíduo<!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> humano. Em seus enunciados as leis da memória<!–[if supportFields]> XE "memória" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> estão sujeitas às leis mais gerais do hábito<!–[if supportFields]> XE "hábito" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> na medida em que o hábito é uma transação entre o indivíduo e seu contorno, entre o indivíduo e suas próprias excentricidades orgânicas funcionando como garantia de uma opaca inviolabilidade de sua existência. Em l’approche beckett
iana<!–[if supportFields]> XE "beckettiana" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> há uma escala de valores sob o imperativo de objetivação da vontade do indivíduo, ou seja: se o mundo é uma projeção da consciência<!–[if supportFields]> XE "consciência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de si dos indivíduos, o pacto de garantia deve renovar-se continuamente. Daí falar-se que a vida é uma sucessão de hábitos tanto quanto o indivíduo é uma sucessão de indivíduos.

Finalmente, em relação ao critério de objetividade<!–[if supportFields]> XE "objetividade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> literária<!–[if supportFields]> XE "literária" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> proustiana, o sujeito da expressão involuntária que em l’approche beckettiana<!–[if supportFields]> XE "beckettiana" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> corresponde ao sujeito da experiência<!–[if supportFields]> XE "experiência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> artístico<!–[if supportFields]> XE "artístico" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>-extática, extensão da individuation<!–[if supportFields]> XE "individuation" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> na diferença intrínseca ao objeto do desejo<!–[if supportFields]> XE "desejo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, é afirmado nos ciúmes<!–[if supportFields]> XE "ciúmes" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> tornados tão ferozmente hipertrofiados que compõem o complexo de domínio e o infantilismo do (neurótico) narrador proustiano<!–[if supportFields]> XE "proustiano" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. Tanto é assim que este último formula um juízo de valor sobre o objeto do desejo afirmando que o apego mais exclusivo para com uma pessoa sempre é apego em relação a alguma outra coisa; que, em modo metafórico, na insignificância dela existe uma corrente misteriosa levando-o a adorar uma deusa implacável cuja condição é a decomposição e cujo culto faz nascer a humanidade, a saber, a Deusa Tempo<!–[if supportFields]> XE "Tempo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>: “nenhum objeto estendido nessa dimensão temporal suporta a posse, lograda somente mediante a completa identificação de objeto e sujeito”. É esse conhecimento assim formulado por metáfora, dispondo ao narrador Albertine sob a imagem de uma mulher que carece de realidade<!–[if supportFields]> XE "realidade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> e o levando conscientemente a adorar a Deusa Tempo, que permite a Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> assinar aos ciúmes do narrador uma função essencial<!–[if supportFields]> XE "essencial" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, meio para fazer ver a verdade da impenetrabilidade do ser humano mais comum.

O esquema analítico de Beckett<!–[if supportFields]> XE "Beckett" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> não é tão complexo quanto o são sua aplicação e seu desenvolvimento. Baseia-se o mesmo na constatação de que, em uma relação humana proustiana a instabilidade do objeto aprofunda-se para além da sua simples contaminação pela instabilidade de um sujeito inserido no fluir do tempo<!–[if supportFields]> XE "tempo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. Quer dizer, se, na percepção dos fenômenos correntes, o objeto dado é correlativo de um sujeito inserido no fluir do tempo ou de um observador que contamina o observado com a sua própria instabilidade, em uma relação humana nos defrontamos com um objeto cuja instabilidade é independente e pessoal ou, no dizer do próprio Beckett: “dois dinamismos separados e imanentes não relacionados por sistema algum de sincronização”. Daí a inferência referindo qualquer objeto de uma relação humana a uma sede de possessão que segundo Beckett só pode ser por definição insaciável, admitindo todavia que essa orientação de sua análise da relação absolutamente central entre o narrador e Albertine só em maneira muito abstrata pode corresponder ao pensamento estético de Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. A intenção aqui é acentuar que as criaturas artísticas de Proust são irremediavelmente tomadas por uma condição e circunstância predominante, a saber, o Tempo<!–[if supportFields]> XE "Tempo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, e igual nisso aos organismos inferiores são apenas conscientes de duas dimensões, permanecendo pasmadas ante o mistério da altura: “não se pode escapar das horas e dos dias, nem do amanhã nem de ontem”. Dessa forma Beckett põe em relevo o modo pelo qual se inter-relacionam por um lado o problema da Memória e do Hábito<!–[if supportFields]> XE "Hábito" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, atributos do Tempo, e por outro lado o problema da impossibilidade em tomar posse do outro.

© 2007 Jacob (J.) Lumier

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[ii] Lumier, Jacob (J.): L’Utopie Négative dans La Sociologie de la Littérature: Articles au tour de Marcel Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> redigés en Portugais, E-Book, 133 págs, Internet.http://www.lulu.com/content/900345

[iii] A pretensão de conhecimento o colocaria na ordem objetiva espacio-temporal onde predomina a coisificação<!–[if supportFields]> XE "coisificação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, entendida esta <!–[if supportFields]> XE "Coisificação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> como a outra face da desmitologização que se desenrola na base do processus de mediação próprio à sociedade<!–[if supportFields]> XE "sociedade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> de produção para o mercado. A separação irreversível da ciência e da arte<!–[if supportFields]> XE "arte" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> está em correlação com a coisificação<!–[if supportFields]> XE "coisificação" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> do mundo<!–[if supportFields]> XE "mundo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>. Por isso, na sociologia<!–[if supportFields]> XE "sociologia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> crítica<!–[if supportFields]> XE "crítica" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> da cultura a análise da situação do romance<!–[if supportFields]> XE "romance" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> do século XX leva à assertiva de que na transcendência estética<!–[if supportFields]> XE "estética" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> se reflete o desencantamento do mundo.

[iv] Theodor W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>: “Prismas: la Critica de la Cultura y la Sociedad”, tradução de Manuel Sacristán, Barcelona, Ariel, 1962, 292 pp. Ver o artigo intitulado “Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>”.

[v] No ensaio sobre “The Brave New World”, examinando o meramente existente<!–[if supportFields]> XE "existente" <![endif]–><!–[if supportFields]>
<![endif]–> detectado com a caída da consciência<!–[if supportFields]> XE "consciência" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> desenvolve uma análise da des-subjetivação levando à ataraxia como subjetividade<!–[if supportFields]> XE "subjetividade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> estacionária na fantasia<!–[if supportFields]> XE "fantasia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> futurista (regressão da aspiração a valores no indivíduo<!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>). É o esquema de uma des-subjetivação pura a que se identificam os sujeitos-objetos (a) – em sua incapacidade para perceber e pensar o que não é como eles mesmos; (b) – em sua auto-suficiência cega de sua própria existência; (c) – em sua imposição da pura utilidade subjetiva. Ver Lumier, Jacob (J.): Futurismo e Utopia Negativa na Crítica da Cultura: elaboração inicial para ler um texto de Theodor W. Adorno in L’utopie Negative dans La Sociologie de la Littérature: Articles au tour de Marcel Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> Redigés en Portugais, págs.93 a 118, E-Book, Internet, 133 págs, http://www.lulu.com/content/900345. <!–[if supportFields]> XE "existente" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–><!–[if supportFields]> XE "subjetividade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–><!–[if supportFields]> XE "fantasia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–><!–[if supportFields]> XE "indivíduo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>

[vi] Segundo T.W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> a redução da contraposição de espírito no sentido dos bens culturais da tradição, por um lado e, por outro lado a natureza como paisagem, imagem criação-sem-dominar mais além da sociedade, leva os homens à impossibilidade absoluta de movimentos, isto é à ancilose. Trata-se do entendimento diferente que o tema central da filosofia<!–[if supportFields]> XE "filosofia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> burguesa assume <!–[if supportFields]> XE "fantasia" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>pelo tratamento do culto do instrumento tomado como separado de toda a destinação objetiva. Redução que corresponde a certas involuções já existentes no cotidiano da civilização técnica e da sociedade<!–[if supportFields]> XE "sociedade" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> em regime avançado do capitalismo organizado que tendem a se converter em disposições com que a cultura de massa organiza o tempo<!–[if supportFields]> XE "tempo" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> livre para fazer deste um Standard do decoro infantil.

[vii] Ver Lumier, Jacob (J.): Futurismo e Utopia Negativa na Crítica da Cultura: elaboração inicial para ler um texto de Theodor W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> in L’utopie Negative dans La Sociologie de la Littérature: Articles au tour de Marcel Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> Redigés en Portugais, págs.93 a 118, E-Book, Internet, 133 págs., http://www.lulu.com/content/900345 op cit.

[viii] Cf. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, Theodor. W.: “Notas de Literatura”, tradução Manuel Sacristán, Barcelona, Editora Ariel, 1962, 134 pp., ver págs. 109 sq, ver citação de Hegel à pág.112. Ver Lumier, Jacob (J.): Crítica da Cultura e Surrealismo: para além da Psicanálise, in L’Utopie Négative dans La Sociologie de la Littérature: Articles au tour de Marcel Proust<!–[if supportFields]> XE "Proust" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> redigés en Portugais, E-Book, 133 págs., Internet, págs.51 a 59, http://www.lulu.com/content/900345.

.

[ix] Cf. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>, T.W.: “Prismas”, tradução Manuel Sacristán, Barcelona, Arial, 1962, pág. 267, op.cit.

[x] T. W. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> destaca a observação de Freud sobre a distribuição das pequenas diferenças de força mágica do tabu que fazem invejar e que são menos temíveis que as grandes diferenças, sendo por esta forma que a hierarquia do tabu se estabelece, ou melhor, a hierarquia do medo do tabu de um rei. Assim o súdito que teme a grandiosa tentação do contato com o rei – o tabu deste é demasiado forte para o súdito por ser demasiado grande a diferença social entre ambos – pode suportar o rodeio através de um mediador próximo ao rei, tal como um ministro, ao qual não se sente movido a invejar tanto, configurando-se a hierarquia na medida em que o ministro, por sua parte, pode mitigar sua própria inveja do rei considerando o poder que ele próprio detém.

[xi] ID=Isto, em alemão.

[xii] Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–> dá-nos como exemplo significativo dessas experiências desprovidas a cena em uma grande cidade no momento em que um veículo se precipitou sobre um outro, quando “inúmeras testemunhas se acercam e se declaram conhecidos”.

[xiii] Cf. Adorno<!–[if supportFields]> XE "Adorno" <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>,T.W.: “Prismas”, tradução Manuel Sacristán, Barcelona, Arial, 1962, pág. 268,269.

[xiv] Ver: Adler, Alfred : “Der Nervose Charakter”, obra de 1922, citada por Ernst Bloch em “Le Principe Espérance –Vol I ” (Paris, Gallimard, 1976) e por este considerada uma teoria válida. Ver Nota Complementar 05.