O problema da possibilidade da estrutura

 

O problema da possibilidade da estrutura e a classificação dos grupos estruturados como Sedes específicas do conhecimento

Por Jacob (J.) Lumier

 

O conceito de estrutura, em sociologia diferencial, não minimiza a variabilidade, mas acentua a escala dos tempos sociais, e o faz na medida em que põe em relevo o fato de o conjunto social, por mais complexo que seja, preceder, virtualmente ou atualmente, todos os equilíbrios, hierarquias, escalas, de que depende o tipo de estrutura. Em consequência, as tendências e os equilíbrios que constituem o caráter estruturável de um grupo nem sempre são conseguidos, levando a constatar que existem grupos “apenas estruturáveis”.

Sumário

Preliminares. 1

A classificação das hierarquias que definem o tipo de sociedade. 1

As hierarquias múltiplas. 1

As hierarquias em unificação. 1

Passagem do grupo à história. 1

O caráter estruturável de um grupo. 1

Os agrupamentos estruturáveis. 1

Os grupos estruturados. 1 (descrição e classificação)

 

 

 

O conceito de estrutura, em sociologia diferencial, não minimiza a variabilidade, mas acentua a escala dos tempos sociais, e o faz na medida em que põe em relevo o fato de o conjunto social, por mais complexo que seja, preceder, virtualmente ou atualmente, todos os equilíbrios, hierarquias, escalas, de que depende o tipo de estrutura. Em consequência, as tendências e os equilíbrios que constituem o caráter estruturável de um grupo nem sempre são conseguidos, levando a constatar que existem grupos “apenas estruturáveis”.

 

 

Preliminares

 

Este artigo pressupõe a leitura dos seguintes textos do autor: (a) “Os tempos sociais, a sociologia e a história”< https://leiturasociologica.wordpress.com/os-tempos-sociais-a-sociologia-e-a-historia/ >; (b) “ Pluralismo Descontinuísta: Primeira Parte” < https://leiturasociologica.wordpress.com/2016/09/20/pluralismo-descontinuista-e-desdogmatizacao/ >(sobre o método tipológico no estudo da realidade social); (c) “A sociologia dos agrupamentos particulares como quadros sociais do conhecimento” <https://leiturasjlumierautor.wordpress.com/2017/04/18/a-sociologia-dos-agrupamentos-particulares/ >. Devem ter em conta, igualmente, que, em sociologia, os quadros conceituais operativos são relacionais, e se definem uns pelos outros.

No caso presente, o conceito de estrutura é relacional do método tipológico, é um quadro dialético, favorece a descrição dos tempos sociais, e não deve ser reduzido às tipologias, que são construídas para chegar à explicação sociológica, a qual é mais ou menos conjectural.

O tipo sociológico reflete o ideal do equilíbrio tendencial entre as diversas hierarquias em uma sociedade, sua construção não reduz nem absorve o problema dos equilíbrios reais, cuja formação se expressa na estrutura social. Os problemas que devem ser esclarecidos são igualmente problemas reais e não artificiais, tais com a duração da estrutura e a sua possibilidade em face da variabilidade que caracteriza a realidade social. Assim, por exemplo, a “ordem” das condutas, dos procedimentos, dos fatos, sua relativa coerência são aspectos reais das hierarquias na estrutura social.

 

A classificação das hierarquias que definem o tipo de sociedade

 

Se trata de incluir no estudo da estruturação, a compreensão de que as manifestações da sociabilidade, como fenômenos microssociológicos, são elementos anestruturais, portanto, incapazes, por si próprios, de formar hierarquias dos patamares de realidade. Ou seja, as formas da sociabilidade, embora não unifiquem, como vimos, atualizam no seu seio os degraus objetivados da realidade, aos quais Gurvitch chamará “níveis múltiplos”, constatando que, entre esses níveis, se trata de relações inteiramente variáveis, alternando e combinando, por um lado, graus de cristalização e, por outro lado, graus de espontaneidade, e assim constituindo forças dinâmicas de mudança.  Em palavras simples, a partir desses níveis assim compreendidos como níveis múltiplos, se afirma o conhecimento de que não existe tipo de sociedade que alcance uma coesão sem choques; de que nada se resolve nunca numa sociedade, pelo menos não definitivamente, só há graus de coesão e de disparidade.

Portanto, as hierarquias em que esses níveis múltiplos tomam parte são também hierarquias múltiplas, que variam em cada sociedade e em tal ou qual tipo de estrutura, seja estrutura parcial ou global, e nas quais a descontinuidade prevalece.  O estudo desses níveis e dessas hierarquias múltiplas permite avançar na explicação sociológica do que Gurvitch chama “pluridimensionalidade da realidade social” , suas “ordens sobrepostas” ,e , se as camadas seccionadas podem se afirmar como sendo mais cristalizadas e oferecer um suporte mais sólido à estruturação do que jamais poderão fazê-lo as manifestações da sociabilidade, cabe sublinhar que elas nada representam, e não passam de aspectos difusos da matéria social dinâmica, independentes do grau de valor e de realidade, somente limitados aos graus de dificuldade para acessá-los.  Dessa maneira, a teoria sociológica constrói seu objeto na medida em que delimita a realidade social em níveis mais ou menos construídos para estabelecer “conceitos” ou quadros operativos eficazes em vista de dar contas da pluridimensionalidade da realidade social.

O estudo das combinações móveis dessas camadas seccionadas somente tem lugar se for feito antes que intervenha sua unificação no determinismo sociológico parcial regendo os agrupamentos particulares e as classes sociais. Note-se que, para esse autor, a anterioridade desse estudo das camadas seccionadas se resguarda da arbitrariedade do chamado “corte epistemológico” praticado nas metodologias abstratas, exatamente por verificar a dialética dos níveis de realidade como combinada a essa outra dialética das três escalas.

Desse modo, se poderá diferenciar  dez patamares em profundidade, seguintes:  1)- a superfície morfológica e ecológica;  2)- os aparelhos organizados;  3)- os modelos sociais;  4)- as condutas coletivas regulares;  5)- as tramas dos papéis sociais;  6)- as atitudes coletivas;  7)- os símbolos sociais;  8)- as condutas coletivas inovadoras;  9)-as idéias e valores coletivos;  10)- os estados mentais e atos psíquicos coletivos   -cabendo sublinhar que é maior a dificuldade de acesso quanto mais profundo ou espontâneo é o nível estudado.

Para aclarar o arranjo dessas camadas subjacentes, suas combinações móveis em hierarquias específicas múltiplas, a sociologia diferencial leva em conta que as alterações nesses planos de conjunto estão na origem das mudanças fundamentais no interior das estruturas,  e que, portanto, igualmente a estas, as camadas subjacentes se movem nos tempos sociais , por meio dos quais admitem princípios de equilíbrio, isto é: admitem graus diversos de mediação entre o contínuo e o descontínuo, entre o quantitativo e o qualitativo, o reversível e o irreversível, constituindo sequências de microdeterminismos sociológicos que se combatem e sofrem desajustes nas cadências dos seus movimentos, mas que , nada obstante, chegam a arranjos em hierarquias múltiplas e variadas, por efeito da dialética entre a escala do microssocial, a escala do parcial  e a escala do global, de tal sorte que as hierarquias figuram como criações do esforço de unificação.

Temos, então, para simplificar, que os princípios de equilíbrio constituindo sequências microssociológicas, estão na base das hierarquias de que, por sua vez, as estruturas configuram as dinâmicas de formação de equilíbrio ao darem nascimento aos tempos sociais.

 

As hierarquias múltiplas

 

As hierarquias múltiplas implicam uma formação dinâmica de equilíbrio no interior de uma estrutura social, uma formação que não chega a estar pronta e acabada em suas posições relativas, mas em vias de se fazer conforme a escala dos tempos sociais da própria estrutura. Pode dizer que as hierarquias múltiplas acentuam a permanência das mudanças fundamentais ocorrentes no interior da estrutura.

Por sua vez, os tempos sociais, pela variabilidade que precipitam, alteram a formação de unidade do tipo de sociedade global, alteram a combinação das hierarquias que definem o tipo.

Devem observar a classificação de Gurvitch sobre as hierarquias de que depende o tipo de estrutura. Essa classificação consiste em uma aplicação da visão de conjunto (veja a exposição sobre essas hierarquias em sua obra “Determinismos Sociais e Liberdade Humana: em direção ao estudo sociológico dos caminhos da liberdade”, Rio de Janeiro, Forense, 1968, 361 pp., traduzido da 2ª edição francesa de 1963. (1ª edição em Francês: Paris, PUF, 1955). 

A série das hierarquias específicas e múltiplas compreendem as escalas ramificadas nas quais o elemento hierárquico assenta-se na distribuição [efetividade da multiplicidade dos tempos sociais] e não na pressão do conjunto [unificação dos tempos].

Tais hierarquias múltiplas são as seguintes: 1)- a combinação das manifestações da sociabilidade, como atualizando-se no conjunto e nos agrupamentos particulares;   2)- a acentuação dos  patamares em profundidade da realidade social, como atualizando-se no conjunto, na escala do parcial, e no microssocial;   3)- a escala dos modos de divisão do trabalho e dos modos de acumulação , que também se atualizam nas classes sociais, e não só nas sociedades globais;   (4)- a hierarquia das regulamentações sociais (também chamados “controles sociais”);   5)-  a escala dos tempos sociais , hierarquizando-se, combinando-se, interpenetrando-se, entrechocando-se de diferentes maneiras, pois, como já foi dito, a duração de uma estrutura nunca é um repouso, mas, no dizer de Gurvitch (ibid, ibidem), é uma “procissão através de vias tortuosas abertas pela multiplicidade dos tempos sociais”.

 

As hierarquias em unificação

A série das hierarquias em unificação com preeminência do elemento de contenção são as seguintes:

1)- a hierarquia dos agrupamentos funcionais, às vezes em competição com as hierarquias das classes sociais e das respectivas organizações.  Nota-se que  essa competição lhe imprime um acentuado fator de variação, em virtude do que a hierarquia dos agrupamentos funcionais desfruta de um estatuto ambíguo e pode ser considerada também entre as hierarquias múltiplas [o elemento hierárquico assenta-se na distribuição e não na pressão do conjunto], já que ainda não constitui as formas particulares dos  conjuntos;   2)- a combinação dos modelos, signos, sinais, símbolos, ideias, valores, em breve, das obras de civilização cimentando a estrutura social global, notando-se que essa hierarquia constitui o momento fundamental na formação de unidade;   3)- a hierarquia dos determinismos sociais, compreendendo a dialética entre o microssocial, o parcial e o global, cuja unificação dá a forma particular do determinismo sociológico global.

 

Passagem do grupo à história

Do fato de o conjunto social preceder todas as hierarquias, temos não somente que o problema chamado “passagem do grupo à história” releva da pluridimensionalidade da realidade social e se examina no âmbito do estudo das camadas seccionadas, que, conforme dissemos, é um estudo empreendido  antes que intervenha a unificação das mesmas  nos determinismos sociológicos parciais regendo os agrupamentos particulares e as classes sociais,  mas, em consequência, temos que as tendências e os equilíbrios que constituem o caráter estruturável de um grupo nem sempre são conseguidos e os grupos não chegam a se tornar estruturados, mostrando ser real o problema da possibilidade da estrutura .

 

O caráter estruturável de um grupo

O caráter estruturável de um grupo tem três proveniências, seguintes:   (1)- o fato de que a unidade do grupo se realiza mediante o arranjo de uma coesão particular entre  (a)- as manifestações da sociabilidade, por um lado, e (b)- por outro lado, as atitudes coletivas, incluindo suas expressões nas condutas regulares;    (2)- a existência de um princípio de equilíbrio entre as hierarquias múltiplas;    (3)- o fato de que a inserção do grupo em uma classe social ou em uma sociedade global tende a manifestar-se por um arranjo  (a)- de suas relações com os outros grupos e, (b)-, do papel e do lugar que o grupo tem na hierarquia particular dos agrupamentos que caracterizam uma sociedade global dada.

 

Os agrupamentos estruturáveis

Em consequência da observação dessas proveniências, se pode formular a definição de que os agrupamentos são estruturáveis porque:  1)-  manifestam tendência para estabelecer um arranjo virtual das hierarquias múltiplas, ou seja, uma “ordem particular”;  2)-  manifestem tendência para pôr em relevo a posição, o papel e as relações do grupo com o “exterior”, ou seja, um “espírito de corpo”.

Todavia, como dizíamos, do fato de o conjunto social preceder todas as hierarquias, resulta que as tendências e os equilíbrios que constituem o caráter estruturável de um grupo e que viemos de enumerar nem sempre são conseguidos.  Daí que existam grupos estruturados, como os idosos, os grupos de juventude, certas profissões (embora estes grupos sejam habitualmente desorganizados, têm expressão em diferentes organizações), e existam também grupos “apenas estruturáveis”, como os diferentes públicos, as minorias étnicas, os produtores, os consumidores, as indústrias, os grupos de geração.

Nota que o nível organizado, em relação ao equilíbrio da estrutura, é só uma questão de expressão, não indispensável, ainda que todo o grupo organizado seja ao mesmo tempo estruturado, já que, em contrapartida, um grupo pode ser não somente estruturável sem ser organizado, como pode também ser estruturado e não ter organização própria.

Do ponto de vista do interesse na sociologia do conhecimento, que apreciamos neste ensaio, são os grupos estruturados que oferecem planos de referência mais precisos (ver a este respeito e das análises que se seguirão, a obra de Gurvitch intitulada “Los Marcos Sociales del Conocimiento”, já citada).  Tanto é assim que, pela abordagem da análise gurvitcheana, o conhecimento opera como um elemento cimentador da estrutura, fazendo com que os grupos estruturados sejam sedes específicas do conhecimento.

 

         Os grupos estruturados

Visando exatamente pôr em relevo o caráter específico dessas sedes do conhecimento, a análise gurvitcheana dá privilégio aos agrupamentos sociais caracterizados no seguinte: (I) – segundo seu modo de acesso seja aberto, condicionado, fechado; (II) – segundo suas funções, destacando a família, os grupos de localidade de pequena envergadura, as fábricas; (III) – os blocos de grupos multifuncionais, como o Estado e a Igreja.

(I) – Os grupos abertos, como já mencionamos, incluem, além dos grupos de fato (diferentes públicos, grupos de idade, etc.) as multidões, as manifestações públicas ou não públicas, as reuniões, certos grupos filantrópicos, etc.   Evidentemente, esses grupos não representam focos ou sedes específicas do conhecimento.  Todavia, é admitido a exceção dos grupos de jovens e dos grupos das pessoas de idade, na medida em que constituem unidades coletivas reais, como nas sociedades patriarcais ou, simplesmente, nas sociedades tradicionais, visto que os anciãos podem ser considerados como os únicos portadores do conhecimento esotérico ou do conhecimento cuja difusão é aceite, fazendo predominar, como intermediários, o sistema cognitivo da sociedade global sobre todo outro saber nessas sociedades,  tornando-se, imperceptivelmente, grupos fechados.

(I-1)- Quanto a esses grupos fechados , quer se trate de uma casta de sacerdotes, de um grupo feudal, da nobreza de armas, ou da nobreza de toga, da camada mais alta da burguesia (que recruta somente por nascimento ou por herança), de trustes, ou de cartéis, nacionais ou internacionais, produzem um saber específico, oposto ao da sociedade global, um saber que,(a)- mesmo formando sistemas cognitivos, estes se reduzem a certos conhecimentos políticos, a certos conhecimentos técnicos, ou a outros tantos de senso comum, sendo que a combinação de tais conhecimentos varia segundo o caráter dos grupos fechados e o das conjunturas ante as quais se encontram;  (b)- um saber que manifesta uma tendência ao hermético e esotérico, ainda que a forma racional triunfe por completo e conduza ao cálculo aperfeiçoado de balanços financeiros complexos …

(I-2)- No que concerne os grupos de acesso condicionado, em que a análise gurvitcheana do interesse na sociologia do conhecimento contempla os grupos profissionais privilegiados, aqueles que exigem títulos ou diplomas, como o professorado, a magistratura, ou os que são submetidos a um controlador organizado, como o conselho de medicina, a ordem dos advogados, etc.   Gurvitch descreve a situação dos estabelecimentos de ensino superior, cujo acesso é por cooptação ou por concurso, notando que essas instituições são sedes específicas de conhecimentos científicos, técnicos, ou de conhecimentos filosóficos.  Considerados como conhecimentos propriamente universitários, ou que constituem matéria de ensino e pesquisa, esses conhecimentos se caracterizam todos pela acentuação das formas de conhecimento, com predomínio das formas conceitual, simbólica, positiva, coletiva e racional, sem excluir que o saber concebido e ensinado nas universidades continua sendo em parte esotérico , hermético e tradicional, “defeito” este que,  segundo o nosso autor, se corrige pelo espírito competitivo, embora seja certo que toda a inovação se faça com lentidão e não se impõe sem grandes precauções.   Quanto ao papel do conhecimento estratégico ou político e do conhecimento de senso comum nesse sistema cognitivo, nota-se que estes conhecimentos restam muito abaixo dos níveis dos conhecimentos ensinados , já que, quando se trata de estabelecer questões administrativas, se  requerem qualidades e conhecimentos  de uma classe completamente distinta.  Enfim, o conhecimento de outro e dos Nós-outros , quer dizer,  dos colegas e dos estudantes,  não se atualiza no seio da universidade se a comunidade não consegue  predominar sobre a massa e a comunhão.

(II)-     Na análise da família-matrimônio como sede de conhecimentos , deve-se levar em conta o seguinte:  (1)- que, como já sublinhamos, todo o grupo muda de caráter  segundo o tipo de sociedade global em que está incluído e segundo a classe social em que está inserido;    (2)- o estado de harmonia ou de desacordo no seio da família;   (3)- as influências exteriores dos outros grupos;  (4)- a mobilidade social;  (5)- que, em nossa época, a família não revela grande riqueza ao estudo do saber, encontrando-se habitualmente como um grupo  demasiado submetido e aberto  à influência cognitiva  das classes e sociedades globais em que está inserido.  Dessa maneira, considerando o papel do conhecimento de outro e dos Nós-outros, nota-se que essa classe de conhecimento predomina sobre as demais se a situação familiar é de harmonia:  é, então, conhecimento entre marido e mulher, entre pais e filhos, e conhecimento entre os filhos.  Se, todavia, aparecem na família os desacordos, os problemas de qualquer classe, os membros deixam de entender-se e se dividem em campos opostos, o que leva a desprezar o conhecimento dos demais.  Quanto ao conhecimento de senso comum, se supõe que os pais o transmita aos filhos e o apliquem eles mesmos para um funcionamento sem tropeços da família. Entretanto, nota-se que, nas condições atuais de vida, esse conhecimento de senso comum está mais limitado e dá espaço às influências contrárias ao saber viver da família, influências estas que podem se exercer sobre os pais desde os locais de trabalho, desde a participação nos sindicatos, etc., e sobre os filhos, desde os estabelecimentos de ensino e desde os companheiros.   Somente as famílias dos meios de classe média, ou as camponesas, continuam cultivando essa classe de conhecimento.  Já o conhecimento político dispõe de mais espaço nas famílias.  Há o sentido restrito de um conhecimento da estratégia a que devem recorrer os pais para a educação e a formação dos seus filhos e, reciprocamente, pelo lado dos filhos, há o sentido de um conhecimento dos meios de lograr de seus pais o máximo de liberdade.  Caso se tome o conhecimento político em seu sentido mais geral e habitual, que implica tomadas de posição estritamente políticas e o conhecimento das regras estratégicas a observar no que concerne à sociedade global, nota-se a perda de lugar desse conhecimento em relação ao tempo em que estava submetido a uma tradição longínqua e contínua, efeito de uma mobilidade muito reduzida da situação de classe das famílias (os filhos seguindo as posições dos pais).   Observa-se que, no século XX, por um lado, a mobilidade se tornou maior e, por outro lado, em um mesmo nível social, a continuidade dos conhecimentos políticos se rompe amiúde.  Todavia, essa diminuição progressiva da influência da família continua sendo limitada. Enfim, nota-se a importância crescente de certos conhecimentos técnicos, ainda que em nível rudimentar, no funcionamento da família: o manejo dos artefatos domésticos e das máquinas a motor exige um mínimo de informação.

(II-1)-       A análise  e descrição  dos grupos locais de pouca envergadura, tais como povoados, lugarejos, vilas ou aldeias, leva em conta o seguinte:   (1)- a delimitação desses grupos como grupos funcionais se faz com precisão porque suas “obras a realizar” são sempre multifuncionais e bem diferenciadas, pois se trata de assegurar a regulamentação e a administração da boa vizinhança, bem como a realização de distintas atividades econômicas e administrativas , ou de estabelecer as relações com outros grupos locais da mesma classe, etc.;  (2)- esses grupos tendem normalmente a favorecer a atuação em seu seio das comunidades em detrimento das massas e das comunhões , sendo, porém, eles próprios inconfundíveis com as comunidades que atualizam em seu seio, além disso, esses grupos , em conjunturas históricas especiais, como guerras, revoluções , movimentos de libertação, etc., são incapazes de resistir ao surgimento de comunhões ou à dissolução da comunidade em massa.

A classe de conhecimento mais preeminente nos grupos locais de pouca envergadura é o conhecimento perceptivo das relações com o exterior, isto é, o mundo exterior que esses grupos conhecem está imbricado nas perspectivas dos jardins, hortas, campos, bosques, estradas e caminhos de comunicação com as localidades vizinhas e os lugarejos onde se fazem os mercados.  Segundo os termos da análise gurvitcheana, trata-se de amplitudes egocêntricas e concêntricas imprimindo o caráter específico desse conhecimento, portanto, um conhecimento voltado para a ambiência particular desses grupos. Isso quer dizer que o mundo exterior tende a se afrouxar, perdendo poder de atração ou de pressão como o que vem de fora, embora seja digno de notar as perspectivas ou amplitudes difusas das relações com as cidades, com o Estado e sua capital, como lugar de organização administrativa e política.

Nota-se ainda que a penetração pelos Estados, Igrejas, e sociedades globais se faz sentir na aplicação pelos grupos locais de conceptualizações e de medidas para os tempos, como os tempos cíclicos das estações do ano e os de longa duração, bem como na aplicação de conceptualizações para as amplitudes das relações com o exterior, ocorrendo, então, que os grupos locais rechaçam suas amplitudes e seus tempos concretos, aos quais, todavia, permanecem vinculados.  No que concerne ao conhecimento de senso comum, esses grupos são seu último refúgio.  Já o conhecimento de outro e dos Nós-outros são marcados pelos estereótipos provenientes da sociedade global, com a televisão e o rádio tendo parte importante nisto.  O conhecimento político dos grupos locais de pouca envergadura compreende a tática própria para manter boas relações com os vizinhos, compreende também a participação na vida política do país, através das eleições municipais, as legislativas, etc., participação esta que, aliás, se faz notar exatamente a partir dos grupos locais de pequena envergadura.

(II-2)-       A análise gurvitcheana das fábricas e o saber, privilegiando os grupos de operários, favorece o interesse pelo conhecimento político que apresenta caráter específico.   São distinguidos três níveis dessa classe do saber: (a) – um nível particularizado, entendido como “tática de adaptação ao humor dos companheiros de equipe, ao humor dos capatazes ou ao dos engenheiros”.   Tática de adaptação esta que vem unida a uma espécie de conhecimento de senso comum, em relação não com a tradição, mas com o ambiente específico da fábrica.  Dessa maneira, esse conhecimento político particularizado pode às vezes entrar em conflito com: (b) –  o conhecimento político em nível proletário ou nacional e, por conseguinte, com a atitude dos sindicatos e dos organismos de representação operária.  Entre estes dois aspectos, há (c) – o terceiro nível de conhecimento político das fábricas: o modo de expressão do descontentamento, a fatiga e a oposição espontânea ao regime autoritário das fábricas.  Note-se que essa modalidade do conhecimento político contribui para reconciliar e combinar as outras duas.  Sem dúvida, há que levar em conta o igualmente específico conhecimento perceptivo do mundo exterior, cujo lugar é muito importante na fábrica, como conhecimento que os operários têm do mundo próprio da oficina, da fábrica, da empresa, cuja característica básica está em que os objetos dessa percepção, os locais, as máquinas, as oficinas, incluindo as oficinas dos diretores e dos engenheiros, são objetos tão próximos e ao mesmo tempo estão tão longe dos operários.   Além disso, são também objetos desse mundo exterior que os operários conhecem, as perspectivas e as correspondentes cadências em que se desenvolvem os esforços e a vida dos operários em equipe; bem como as distâncias, incluindo os percursos para falar aos seus chefes; as máquinas a usar; o tempo a sacrificar, como a locomoção domicílio-trabalho-domicílio.

Enfim, completando sua análise desse sistema cognitivo,  Gurvitch situa a submissão dos trabalhadores às máquinas, à administração dos técnicos especialistas e aos diretores das fábricas,  no âmbito  do conhecimento de outro e dos Nós-outros, o qual, exatamente  por esses mesmos  fatos, fica em último lugar, tornando-se um conhecimento de aspectos padronizados, um conhecimento de expectativas, como o comportamento, que, então, é o que se nota nos companheiros, como, por exemplo, o comportamento em relação ao trabalho, o comportamento a respeito do sindicato, ou  durante uma greve , ficando distanciadas, nesse conhecimento de expectativas ou de comportamentos, as pessoas próprias dos companheiros, situação de “estranhamento” esta que poderia mudar em um regime  de gestão autocontrolada.  Nota-se ainda que a forma do conhecimento político acentua o especulativo, o simbólico, e até o mitológico, sem perder, todavia, seu aspecto racional, calculador e adequado, enquanto as demais classes de conhecimento em foco nas fábricas atualizam, ao lado das formas adequada e racional, a forma empírica, a positiva, e a forma coletiva, o que, sublinha nosso autor, torna bem diferenciado o aspecto específico do conhecimento político dos operários das fábricas.

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Las bases sociológicas de la positivación de los derechos humanos: Presentación

 

Las-bases-sociologicas-de-la-positivacion-de-los-derechos-humanos

Una mirada para sustituir los temas ideológicos

Las-bases-sociologicas-de-la-positivacion-de-los-derechos-humanos

 

 Río de Janeiro / RJ, Brasil, Agosto 2015.


Presentación

El presente trabajo ha sido concebido en el marco de una actividad autónoma de cooperación junto a la sesión “Civil Society” de la Oficina del Alto Comisionado para los Derechos Humanos de las Naciones Unidas, especialmente la promoción del “World Program  for Human Rights Education – WPHRE”, en su tercera fase, de que el primer fruto ha sido publicado en mi libro bajo el título “Sociología y Derechos Humanos: Introducción”, concluido en julio de 2014 [1].

Ese nuevo escrito es el fruto de una tentativa de relacionar el enseño de los derechos humanos con los estudios en sociología internacional. Su orientación tiene por resultado que abandonar el “estado-nación” como unidad de análisis sociológico, y evitar el “nacionalismo metodológico”, no es una consigna artificial sino una exigencia de la realidad social e histórica.

El problema sociológico investigado en convergencia con los derechos humanos pone en relieve el pluralismo social efectivo y la variabilidad, como características favorables a la internacionalización de la sociología, y hace el teste de una conjetura explicativa sobre el desmembramiento de la soberanía del Estado Nacional en entornos capitalistas, ya señalada por Durkheim.

Además, en el objeto mismo de ese trabajo, se lleva en cuenta que el legado de la época burguesa reenvía a un espacio público unilateralizado, correlato de la generalización de las necesidades.  En consecuencia, una unidad de análisis como el Estado nacional se muestra muy figurativa y demasiado estricta, especialmente en una situación de globalización y de tecnologías de información y comunicación.

Finalmente, el contenido aquí ofrecido ha sido desarrollado a partir de una comunicación al Congreso de la International Sociological Association –ISA en 2014 [2].  En su versión original, por su vez, el presente trabajo se encuentra presentado para publicación como artículo junto al periódico “International Sociology”.

Jacob (J.) Lumier

SSF-RIO Fórum de Sociologia < http://ssfrjbrforum.wordpress.com/  

j.lumier@gmail.com

 

Sumario

Abstract. 1

Parte 1… 1

Aspecto histórico del interés sociológico por los derechos humanos.. 1

El punto de vista evolutivo.. 1

El desmembramiento de la soberanía.. 1

El pluralismo social efectivo.. 1

Parte 2… 1

Una visión sociológica para la situación de desmembramiento del Estado o el Estado Unilateralizado.. 1

(…)

 

Abstract

Este artículo trata del enseño de los derechos humanos y de la construcción de una visión sociológica para sustituir los temas ideológicos. Presupone el recurrente debate público en la imprenta latinoamericana en esa materia. Desarrolla un abordaje sociológico diferencial desde el punto de vista del pluralismo social efectivo sobre los cuatro planos de análisis e interpretación siguientes: (1) los aspectos sociológicos que implican la positivación de los derechos humanos; (2) la percepción de las dinámicas de frenos y contrapesos; (3) la experiencia pluralista del desmembramiento de la soberanía del Estado Nacional en entornos capitalistas, a partir del tipo de sociedad democrática liberal; (4) en ese cuadro, examina la aplicación del modelo lefebvriano de espacio público unilateralizado, como característica de la época burguesa (siglos XVI al XIX).

Palabras llave: deseo de pose, estructura de clases, función de representación, psiquismo colectivo, fetichización de la mercadería.

 

Parte 1

Aspecto histórico del interés sociológico por los derechos humanos

El punto de vista evolutivo

 

La reflexión de los sociólogos sobre los derechos humanos ha sido posta en relieve, hacía los años noventa, cuando el carácter histórico, en esa materia, vino a ser defendido.  Emergió el aspecto crítico de que existe una grande distancia, una paradoja entre el que está escrito en las Declaraciones y el que hay de concreto.  Para realizar los derechos humanos, decían, no bastaría solamente estar inserido en los textos internacionales y en la mayoría de las constituciones de los países occidentales, sino que sería fundamental la acción protectora del Estado [Bobbio, 1992].

En consecuencia, la positivación de las diversas declaraciones de derechos ha sido valorizada como un proceso evolutivo que aún ocurre. Admite, por ejemplo, que la Declaración Americana (1776), la Declaración Francesa (1789) y la Declaración de la ONU [United Nations, 1948] al influenciaren el surgimiento de las protecciones jurídicas de los derechos fundamentales en diversos países, despuntaran como alternativas para garantizar la estabilidad en la tutela de los derechos tenidos como esenciales a la condición humana [Oliveira, 2007].

Sin embargo, como saben los sociólogos, la afirmación constitucional de los derechos humanos lleva los Estados a reforzar su compromiso con la creación de programas sociales que protegen contra la inseguridad, la desigualdad y la pobreza.

La conocida propagación de reformas constitucionales en una larga centena de países, en los años noventa, con incorporaciones de los derechos humanos [i], es un formidable esfuerzo colectivo a demonstrar por si sólo innegable tendencia para la universalización de eses derechos. Se trata de una expansión crítica que había creado un plano autónomo, igualmente crítico, alrededor de la globalización de la economía, la cual acarreó pobreza, desestabilización de las formas de vida, inmigración y decadencia del medio ambiente. Ciertamente aquella propagación de reformas constitucionales significó innegable refutación del posicionamiento contrario a los derechos humanos como sistema de frenos y contrapesos eficaces.

Por su vez, la aplicación del punto de vista evolutivo cautivó los sociólogos, que investigan las tres o cuatro generaciones de derechos y los respectivos ambientes históricos estructurales [Frezzo, 2011]. Entretanto, cuando uno contempla el debate público en la imprenta latinoamericana en esa materia, puede observar una supervaloración de los temas ideológicos del Estado Nacional, incluso, sobre las llamadas transformaciones del mismo en la segunda mitad del siglo XX, con reflejo en el enseño, y, además, con exagerado destaque para el histórico del cruzamiento de las ideologías políticas, que, de alguna manera supuesta, hubieran favorecido el fomento de los derechos humanos [ii].

La solidaridad internacional

Sucede que la acción protectora estatal es inserida en cuadros sociales y ambientes culturales determinados, de tal suerte que el problema de los obstáculos a la universalización de los derechos tiene primacía en sociología.

De esa forma, hay varios aspectos sociológicos que preceden e implican la positivación de los derechos humanos, cuyo enseño no debe ser limitado a una lectura por el enfoque del Estado Nacional y sus transformaciones.

Uno de esos aspectos, que tiene la democratización y el pluralismo social por base, sobresale cuando se retiene la presencia del sociólogo en el fomento de los derechos humanos, la cual es muy avanzada, y, bajo la intervención de Georges Gurvitch, remete a los años cuarenta, en los antecedentes de la Declaración de la ONU [United Nations,1948].

Con efecto, durante su estadía en Estados Unidos, Gurvitch publica, en 1942, Sociology of Law.  Poco después, en 1944, motivado por el prestigio que le asistía en los asuntos sobre las relaciones entre los Estados Unidos y la URSS [Moreau de Bellaing, 2005], gracias a su amistad con Eleonor Roosevelt y bajo la inspiración de la perspectiva de solidaridad internacional del Discurso de las Cuatro Libertades de F.D. Roosevelt [iii], él se atreve a publicar una Declaración de los Derechos Sociales, en la cual trata de describir algunos modelos de democracia industrial, [Gurvitch, 1944].

Al poner en relieve que la realización de los derechos humanos es viable en razón de la sociabilidad y de su característica fusión parcial entre las obligaciones de unos y las prerrogativas de otros, Gurvitch admitió el propósito de tornar operativa la perspectiva de solidaridad internacional, y afirmó la primacía de las sociedades globales.

Acrece que, por dislocar el foco para más allá del Estado,  esa orientación tiene reciprocidad con la constatación por Durkheim de la decadencia del Estado como unidad jurídica particular y del contracto, en el pasaje del siglo veinte, una situación de incertidumbres agravadas que delimitan el ambiente referencial del concepto sociológico de amorfismo social [ Durkheim, 1973, p. 421].

Por su vez, en perspectiva recíproca, Gurvitch observa el Estado Nacional desmembrado en el pasaje de la segunda mitad del siglo veinte, y pone en relieve la soberanía jurídica como social, la cual se ejerce en el espacio público que viene de las sociedades globales, con el reconocimiento colectivo de los procedimientos dialécticos de intermediación (Gurvitch, 1944, op. cit.].

De esa forma, fue confirmado el entendimiento consagrado después de la Declaración de los Derechos Sociales, cuando aconteció la adopción de la aludida Declaración de la ONU [United Nations, 1948, op. cit.], y se afirmó que la positivación de los derechos humanos, por la acción protectora estatal, no debe ser representada en favor de una quimérica restauración de la catastrófica soberanía nacional exclusiva, la cual llevó a las deflagraciones del neo imperialismo, en el obscurecer del siglo XIX.

Aunque no excluya la soberanía como rebajada, la primacía de los derechos humanos es afirmada en apoyo de la realización de un compromiso internacional asumido por los Estados como miembros de las Naciones Unidas, por conciencia de libertad y por fuerza del auto preservación colectiva, cuyo cuadro de referencia es puesto con la democracia. Tal compromiso internacional recurrente tiene su momento en 24 de octubre de 1945, cuando China, los Estados Unidos, Francia, el Reino Unido, la Unión Soviética y la mayoría de los demás países signatarios ratificaron la Carta de las Naciones Unidas.

El desmembramiento de la soberanía

Hubo y aparentemente hay aún, cierta reluctancia por parte de autores nostálgicos de la representación de fronteras nacionales petrificadas. Incluso algunos adeptos de la judicialización de las acciones humanitarias procedentes de los pactos internacionales, contrarios en admitir que la obligación asumida en los propios pactos (treaties), y en los demás instrumentos internacionales autónomos de los derechos humanos, releva de un compromiso que, por su vez, sólo tuvo lugar en virtud de la solidaridad internacional, con la profusión de reformas constitucionales de los años noventa poniendo en perspectiva la accesibilidad de las cuatro libertades fundamentales, para todas las personas en cualquier lugar del mundo.

Los formalistas, hasta el final del siglo veinte, hubieran sugerido que la capacidad del Estado nacional en imponer su control jurisdiccional exclusivo tendría consistencia en virtud de su correspondencia al llamado problema hobbesiano del orden, la imposición legitima de la ley por el más fuerte.

Pueden comprobar eso en los llamados posicionamientos pluralistas como técnicas políticas, en los cuales hay un distanciamiento del anti-dogmatismo propio de la sociología diferencial [iv].

Entre los suportes de esas extemporáneas teorías de coacción noten, por ejemplo, el procedimiento dogmático que, mediante la equivocada separación del análisis histórico y del análisis estructural [v], inscribe el pluralismo de los contra poderes en una metodología axiomática, de tal manera que, el espacio público viene a ser rebajado a una discursiva dialéctica del poder y de la resistencia (Dahrendorf, 1974).

En esa concepción formalista, por la cual, todavía, soberanía y jurisdicción aparecen debidamente combinadas, las posiciones jerárquicas permiten a sus ocupantes ejercer el poder, puesto que dotadas de soberanía: los hombres que las ocupan establecen la ley para sus súbditos, con el aspecto más importante de esa posición siendo el control de sanciones, la capacidad de garantir la conformidad a la ley.

De esa noción esquemática, debe uno concluir que: (1) – siempre hay resistencia al ejercicio del poder (cuya eficiencia y legitimidad serian precarias); (2) – el grupo de los que ocupan las más altas posiciones es el grupo más fuerte; y (3) – la sociedad se mantiene unida en virtud del ejercicio de su fuerza, esto es, por la coacción. Tal seria la supuesta solución hobbesiana para el supuesto problema hobbesiano del orden.

Por el contrario, los hechos de la segunda mitad del siglo veinte muestran que la soberanía estatal exclusiva y su tendencia a imponer con legitimidad la coacción por el más fuerte, se ha tornado irreversiblemente repugnante por efecto del Holocausto, que hubiera suscitado la solidaridad internacional (incluso la cooperación para el desarrollo) a partir de la segunda mitad de los años cuarenta, cuando las Naciones Unidas tomaran la iniciativa.

En esa línea, es ampliamente conocido el desmembramiento de la soberanía como hecho irreversible, pero positivo. Toman como marcador, entre otros, el advenimiento del Tratado de Paris, de 18 de abril de 1951 (la institución de la Comunidad Europea del Carbón y del Acero – CECA), que llevó la Europa Occidental a conducir un proceso de integración económica complejo, rompiendo el paradigma de la soberanía jurídica exclusiva del Estado nacional y haciendo prevalecer la construcción del Derecho Comunitario en el ámbito de las relaciones internacionales.

El pluralismo social efectivo

En consecuencia, ocurre que los elementos de la democracia deban ser buscados en la realidad social, para que, juntamente con los obstáculos que esta suscita, la positivación y más ampliamente la universalización de los derechos humanos tuviera lugar, y, en primer, la descripción del pluralismo social efectivo, sin el cual la democracia no se diferencia como foco del compromiso internacional asumido por los Estados en las Naciones Unidas.

De hecho, el pluralismo como técnica constitucional, del cual Montesquieu enseñó, es como sabe el primer paso para describir la democracia, ya que pone en relieve el sistema de frenos y contrapesos, característico de todo el pluralismo.

Sin embargo, la percepción de la dinámica de los contrapesos no es limitada a la técnica constitucional. Una mirada en profundidad puede descubrir que, bajo grados diferenciados de complejidad, como señaló Gurvitch, la realidad social comporta niveles múltiples [vi], incluso el psiquismo colectivo, que, descritos como camadas (paliers) subyacentes, revelan en eficacia la pluridimensionalidad de la realidad social [vii].

De esa manera, el carácter incierto de las relaciones fluctuantes con los otros grupos sobresale en el espacio público en un pluralismo social efectivo [viii].

La comprensión ampliada de esa situación comporta cinco procedimientos dialécticos de intermediación[ix]: complementariedad, implicación mutua, ambigüedad dialéctica, polarización dialéctica, reciprocidad de perspectiva (Gurvitch, 1962).

De ese punto de vista, puede comprender que el desmembramiento del Estado como bloco de localidades y unidad jurídica, que llevó a un fin el siglo XIX, tenga revertido en factor de incremento de la estructura de clases. Esa realidad tornó evidente la existencia real y multiforme de varios sistemas de frenos y contrapesos.

Al hablar del desmembramiento del Estado debe tener en cuenta el contexto privilegiado en el curso de la Segunda Revolución Industrial iniciada en la segunda mitad del siglo XIX, descripto en los desarrollos dentro de la industria química, eléctrica, del petróleo y del acero. Hay que destacar, igualmente, los sucesos subsecuentes del período 1885 a 1914 (la “Paz Armada”), cuando tendrán lugar las deflagraciones del neo imperialismo.

Es decir, Durkheim tenía bajo sus ojos el crepúsculo de la sociedad democrático-liberal, que corresponde al capitalismo concurrencial desarrollado predominante en el siglo XIX y en el inicio del siglo XX, una consecuencia de la revolución francesa y de la evolución de los órganos y costumbres parlamentares, particularmente en Inglaterra. Todavía, como bien señaló Gurvitch, la significativa tendencia para el desmembramiento de la soberanía del Estado sobresale en las siguientes características: (a) – el desarrollo de la clase burguesa industrial, financiera, comerciante – solitaria o asociada con las clases medias y el campesinado enriquecido – que torna el Estado a ella sometido; (b) – la acción del poder reglamentar y disciplinar privado, limitando la autoridad del Estado en relación a los capitanes de industria, a las fábricas y a millones de obreros; (c) – el desarrollo de trusts y carteles, por un lado, y, por otro lado, la acción tanto del sindicalismo obrero cuanto del patronal, llevando al surgimiento de las reglamentaciones jurídicas autónomas (convenciones colectivas, etc.); (d) – en fin, la actividad intensa de los partidos políticos, que se tornan, cada vez más, representaciones de las clases sociales en presencia, lo que termina por fragilizar de fato el Estado, su predominancia y su autoridad. De esta suerte, la jerarquía de los agrupamientos funcionales es debilitada, tendiendo a ser sustituida por la jerarquía de las clases sociales, lo que acentúa la instabilidad del Estado, el cual se apoya en su máquina burocrático-militar y no sobre su ascendente moral, jurídico y económico (Gurvitch, 1968, op. cit.].

Sin embargo, resta que, del punto de vista de una sociología internacional, hace falta poner en relieve una comprensión sociológica de conjuntos para tal situación de desmembramiento del Estado, la cual no es un hecho aislado, sino que hace parte de la época burguesa. La conjetura capaz de tener en cuenta el carácter incierto de las relaciones fluctuantes con los otros grupos y la clarificación por los procedimientos dialécticos de intermediación es la aplicación del concepto de espacio público unilateralizado [x] que, conforme el modelo lefebvriano, ya descripto en el análisis sociológica del psiquismo colectivo de la estructura de clases, es una consecuencia de la fetichización de la mercadería [Lefebvre, 1968].

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Parte 2

 

Una visión sociológica para la situación de desmembramiento del Estado o el Estado Unilateralizado

Leia o texto completo na WEB da OEI < http://www.oei.es/historico/cienciayuniversidad/spip.php?article5926 >

 

NOTAS

[1] E-book free: http://www.bubok.es/libros/235144/Sociologia-y-Derechos-Humanos-Introduccion

[2] ISACONF Abstract #30864 – XVIII ISA World Congress of Sociology (July 13-19, 2014). Título: “La sociología en la universalización de los derechos humanos y sociales a través de la deconstrucción de las desigualdades”.

[i] Dado que la globalización se aceleró en la década de 1990, representando una amenaza para las poblaciones, la mayoría de los estados han incorporado en sus constituciones disposiciones de los derechos humanos. Saben que de las 165 constituciones, 122 incluyen disposiciones sobre derechos socioeconómicos (tales como el derecho a un trabajo digno, derecho a la vivienda y la seguridad alimentaria), 134 han adoptado disposiciones para los derechos de las mujeres, 89 han adoptado disposiciones de los derechos de salud, y 105 tienen disposiciones para los derechos de las minorías (Moncada and Blau, 2006).

[ii] Pueden ver la valoración de los temas ideológicos referidos al Estado Nacional en los argumentos circulantes en la imprenta cuando han publicado los planes nacionales de derechos humanos en Brasil.

[iii] Four Freedoms Speech, 1941: 1.- Freedom of speech and expression; 2.- Freedom of worship; 3.- Freedom from want; 4.- Freedom from fear. Ver el Preámbulo de la Universal Declaration of Human Rights (United Nations, 1948).

[iv] El método y los procedimientos de la sociología diferencial, incluso el abordaje por el pluralismo social efectivo, que este trabajo presupone y aplica, sacan provecho de la orientación gurvitchiana (Gurvitch, 1979, 1986) y de estudios anteriores del autor en esa materia ya publicados en Internet.

[v] Es improductivo proponer problemas de estructura social sin tener en atención la nítida conciencia colectiva de la jerarquía específica y referencial de una unidad colectiva real, como lo es la jerarquía de las relaciones con los otros grupos y con la sociedad global, o sea, la jerarquía específica de las formas de sociabilidad.

[vi] Es decir, entre eses niveles múltiples se tratan relaciones íntegramente variables, alternando y combinando, por un lado, grados de cristalización y, por otro lado, grados de espontaneidad, y así constituyen fuerzas dinámicas del cambio. En consecuencia, no existe tipo de sociedad que alcance una cohesión en definitivo, sino grados de cohesión y disparidad (Gurvitch, 1968, op. cit.).

[vii] La pluridimensionalidad de la realidad social comprende (a) las jerarquías específicas y múltiples, en las cuales la discontinuidad prevalece y el elemento jerárquico asienta en la distribución y no en la presión del conjunto; (b) las jerarquías en unificación con preeminencia del elemento de contención (Gurvitch, 1968, op. cit.). .

[viii] Del punto de vista de la sociología diferencial, el principal criterio de los materiales empíricos es la variabilidad: los agrupamientos particulares cambian de carácter y no apenas de posiciones; asumen identidades y diferencias no asumidas en tipos o subtipos de sociedades diferentes. En la medida en que participan del cambio en eficacia que se opera en el interior de las estructuras, los grupos, más do que se dislocaren conforme trayectorias apenas exteriores, se mueven en la multiplicidad de los tiempos sociales, ya descriptos por Gurvitch (Gurvitch, 1968, op. cit.).

[ix] Constatación sociológica que asimila el sistema de frenos y contrapesos, los procedimientos dialécticos de intermediación se diferencian en grados que envuelven las maneras de ser ligado en el todo por efecto del propio todo, como Gurvitch (1962) bien definió las formas de sociabilidad. Se revelan variaciones en la simetría mínima que tales maneras comportan para que sean los elementos originarios en el todo dinámico de una realidad social. En ese sentido, debe comprender que el procedimiento dialéctico privilegiado sea la reciprocidad de perspectiva, de la cual se diferencian los demás cuatro procedimientos referidos.

[x] La constatación de un espacio unilateralizado no es insólita. Desde un punto de vista lógico relativista, lo que provee consistencia al espacio es la simultaneidad de dos observadores inerciales, alejados de cierto fenómeno, pero esa simultaneidad se rompe conforme uno de los dos observadores alcanza velocidad relativista, luego, en ese supuesto, el espacio que miden se torna diferente y por tanto pierde simetría. En ese sentido, la unilateralización sería una suerte de “asimetrización”, precipitada por la fetichización de la mercadería.

Los Derechos Humanos del punto de vista del elemento de la solidaridad internacional

 

 

Los Derechos Humanos del punto de vista del elemento de la solidaridad internacional

 

El presente artículo es una forma de cooperación junto a los actuales esfuerzos de la sociedad democrática en participar del programa mundial para la educación en derechos humanos [[i]]. Su objetivo es esbozar algunas líneas de reflexión sobre los contenidos de sociología y derechos humanos para desarrollo en un taller sociológico y curso formativo.

Tiene el mismo aplicación para situar la cuestión de la diferencia en frente de los temas ideológicos, a la cual examina bajo varios aspectos: (a) en torno al problema del individualismo en el siglo XX, en relación al cual algunos publicistas erróneamente apuntan la presunta ligación de los derechos humanos, en razón de esos últimos inicialmente centraren su foco en el individuo; y (b) en referencia con el impacto de las técnicas de información y comunicación (las TICs), que no sólo potencializan la indispensable libertad de expresión, pero ponen en relieve la difusión de los derechos humanos y sus violaciones.

Obviamente, el método utilizado aquí es una aplicación de la sociología, y consiste en situar la materia en el marco de la realidad social e histórica. Sin embargo, esta orientación no significa privilegiar la conocida clasificación de las tres generaciones de derechos humanos, preferida por muchos sociólogos, en detrimento de su enfoque multidimensional.

 

El elemento de la solidaridad internacional

 

De lo contrario. Desde el punto de vista del pluralismo efectivo de la realidad social, con sus escalas, sus cuadros sociales y sus procedimientos dialécticos, el aspecto multidimensional de los derechos humanos en su interpenetración, afirmándose unos por los otros, no podría permanecer en según plano, sobre todo porque hay en eso el elemento de la solidaridad internacional, puesto en foco por la tercera generación de los derechos humanos, que, abarcando los derechos que van más allá del ámbito civil y social, alberga el amplio espectro de los derechos grupales y colectivos, los cuales, en medio de otros, apuntan a la consecución de un nivel de vida adecuado.

Entre los tópicos debatidos aquí, se observó que la era de las tecnologías de la información y comunicación (TICs) favorece la tendencia para la retomada del utilitarismo como doctrina de recorte moral, y que este hecho debe ser tenido en cuenta en el estudio de los derechos humanos desde el punto de vista sociológico, ya que allí, igualmente a los adeptos actuales del atomismo, prevalece la visión de la sociedad únicamente de individuos para la realización de fines que son primariamente los fines individuales, lo que lleva a hablar de que “no hay tal cosa como una sociedad”, y por extensión nada del derecho internacional a la solidaridad [[ii]].

 

Carácter indispensable del WPHRE

 

Carácter indispensable de un programa educativo como el Programa Mundial para la Educación en Derechos Humanos / World Programme for Human Rights Education (WPHRE) de cara al impacto pro utilitarismo doctrinal resultante de las TICs.

 

De ahí, de ese impacto pro utilitarismo doctrinal resultante de las TICs, uno puede ver claramente el carácter indispensable de un programa educativo como el Programa Mundial para la Educación en Derechos Humanos / World Programme for Human Rights Education [[iii]], que fomenta la tomada de consciencia y promueve junto al periodismo y a los medios de comunicación su vinculación a los derechos humanos. Tanto más exigida cuanto las formas de participación social en el contexto de una era de tecnologías de información y comunicación pasa por una cultura del compartir [[iv]].

Sin embargo, en la medida en que el utilitarismo doctrinal y el atomismo social pueden servir como cobertura y justificación de las posiciones pro mercaderizacción de las relaciones sociales [[v]], la cual es claramente perjudicial a la universalización de los derechos humanos, revelase una situación igualmente desfavorable a los titulares de derechos y a la percepción de los comportamientos y representaciones generatrices de violaciones, incluso las imágenes despreciativas de otros [[vi]].

Como saben, en el contexto de las desigualdades sociales, muchas personas tienen una idea equivocada de que, si los otros están a lograr los derechos, van ellas a perder lo que creen ser derechos, pero que en verdad revelan privilegios. De ahí la relevancia de la crítica psicosociológica, más indispensable cuanto las imágenes despectivas permanecen disimuladas o disfrazadas en las jerarquías sociales donde prevalece la distribución compulsiva de ventaja competitiva [[vii]].

 

El derecho de saber

 

Sea como sea, en la medida en que el derecho de saber es un requisito para la libertad de pensamiento y de conciencia, así como la libertad de pensamiento y la libertad de expresión forman las condiciones necesarias para la libertad de acceso a la información, pueden decir que la educación en derechos humanos se desarrolla básicamente en la libertad de expresión y reunión.

 

La falsa alternativa de la moral y de la política

Por último, el tópico donde a menudo se debate la ‘’cuestión de saber si los derechos humanos son de matiz moral o tienen coloración político ideológica es un plano complejo que también tiene su lugar en este artículo, pero con unas pocas líneas, ya que esta alternativa de la moral o la política deja de existir, una vez admitido que la acción en que los organismos del Estado están participando y están promoviendo es la acción pública, cuyo marco de referencia es la sociedad democrática y no el aparato del Estado [[viii]] .

Esto significa que, en lugar de los temas ideológicos (el papel del Estado nacional, la participación en los partidos políticos, por ejemplo), los temas colectivos reales (las relaciones con los otros, incluso las relaciones con los grupos, las clases, las sociedades globales) deben ser puestos en releve, ya que son esos últimos y no los primeros que traen consigo los obstáculos reales a la universalización de los derechos humanos, tales como las desigualdades sociales, la degradación del medio ambiente, los desastres ambientales (guer- ras, eventos naturales y de salud pública) y la necesidad de saneamiento (sanitation).

Por su vez, esa referencia a los elementos de la sociedad democrática emerge con fuerza desde la perspectiva de profundización de la educación en derechos humanos, que, además de los sistemas de enseñanza del primero, segundo y tercer grado, es orientada a la capacitación de maestros, funcionarios públicos, incluidos los militares, así como periodistas y profesionales de los medios de comunicación.

A la vista de esa dimensión transversal correctamente diseñada en el mencionado Programa Mundial para la Educación en Derechos Humanos / World Programme for Human Rights Education, ya poden comprender que, como consecuencia de ello, el factor que imprime el contenido de los derechos humanos no es primordialmente un elenco de medidas con la misma manera (recursos técnicos y articulación de intereses ) de las que se aplican generalmente a poner en obra, por ejemplo, una estrategia diferenciada de acción económica para el desarrollo, aunque este tenga metas que respecten y valoren la población civil de bajos ingresos, como es ampliamente deseable. Pero el factor que imprime el contenido de los derechos humanos plantea como primordial la tomada de conciencia de los obstáculos efectivos a la universalización. De ahí la relevancia de la sociología, y de la psicología colectiva que ella trae, en esa práctica pedagógica.

La falsa orientación de la cuestión del papel del Estado

A su vez, el intento exagerado para reducir el desafío de la universalización de los derechos humanos a la cuestión ideológica del papel del Estado tiene poco aprovechamiento, cuando se trata de comportamiento y conciencia colectiva. En verdad, al despreciaren el potencial de las nuevas formas de participación social planteadas por las TICs , varios publicistas desacreditan la posibilidad de universalización de los derechos humanos (con la reducción de las violaciones en escala global) y, en razón de ese escepticismo, sostienen equivocadamente que la actuación estatal en la promoción, garantía y reparación de los derechos humanos, al desarrollarse como solamente más una de las políticas públicas establecidas, debería servir a los dictámenes del pensamiento ideológico de turno.

Tratase en este caso una falsa orientación que no es más que una mistificación de las teorías de hegemonía. Aunque integrados en el dominio jurídico interno de los Estados Miembros de las Naciones Unidas, los derechos humanos proceden de estas últimas, como bloques de sociedades globales, y, por esa razón, constituyen factor de apaciguamiento de los grupos y de reconocimiento de las poblaciones civiles. Además, se muestran históricamente arraigados en las intermediaciones de las sociedades democráticas y no hay manera de utilizarlos para fines distintos de su universalización. De lo contrario se perderá la libertad intelectual y de expresión que es crítica para ellos.

En este artículo, al revalorizar las actividades de la sociedad democrática que contemplan el psiquismo colectivo, como la mencionada libertad intelectual y de expresión (incluso las acciones pedagógicas), se pone de relieve la diferencia de los derechos humanos y la especificidad transversal de sus temas, que no deben confundir a los temas ideológicos, puesto que los temas de DDHH no sirven de trampolín para los proyectos de poder y hegemonía.

Dirigido a la cooperación con el mencionado programa mundial para la educación en derechos humanos, se comparte la comprensión de que, como un procedimiento eficaz en la universalización, la educación en esta área contribuye a combinar los programas y políticas de derechos humanos, por una parte, y por otra, las acciones pedagógicas.

 

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Primer punto: las sociedades democráticas

 

Antes de que cualquier premisa de pensamiento ideológico y del Estado, es indispensable tener el foco en la complejidad de la experiencia humana, para abrazar la causa de los derechos humanos expresados en los tres actos fundamentales de las Naciones Unidas siguientes : (1) – Declaración Universal de los Derechos Humanos / Universal Declaration of Human Rights, adoptada en 1948; (2) – Pacto Internacional de Derechos Civiles y Políticos / International Covenant on Civil and Political Rights – ICCPR, 1966; 3 – Pacto Internacional de Derechos Económicos, Sociales y Culturales / International Covenant on Economic, Social, and Cultural Rights- ICESCR, también 1966.

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La crítica exagerada de que los DDHH perpetúan el individualismo o la moral individualista deja a un lado las diferencias específicas y trata de proyectar una identificación errónea de los DDHH con la ideología neoliberal. Entretanto, tal diferencia existe, y se la puede resumir en la siguiente observación: el hecho de que las personas tengan interés propio cuando participan en las relaciones sociales no significa la busca del lucro, no significa que están allá para ganar más dinero. Ese interés expresa su aspiración al bien estar y puede ser el deseo de realizar obras, participar y ampliar sus conocimientos y experiencias.

La moralidad individualista no es un mal en sí mismo. Tampoco el hecho de que los DDHH fortalecen al individuo como foco de aspiraciones a los valores no significa una imposición del individualismo como pilar de algún proyecto de hegemonía cultural, algún existencialismo, socialismo no colectivista, y mucho menos para el neoliberalismo. Aunque pueden allí descubrir orientaciones filosóficas, no hay ninguna doctrina de antemano que encuadre estratégicamente la Declaración Universal de los Derechos Humanos en un proyecto de hegemonía. Sólo existe el compromiso y la actitud solidaria de las sociedades democráticas en promover, asegurar, reparar los derechos humanos proclamados por las Naciones Unidas, siguiente: “La Asamblea General proclama la presente Declaración Universal de Derechos Humanos como ideal común por el que todos los pueblos y naciones deben esforzarse, a fin de que tanto los individuos como las instituciones, inspirándose constantemente en ella, promuevan, mediante la enseñanza y la educación, el respeto a estos derechos y libertades, y aseguren, por medidas progresivas de carácter nacional e internacional, su reconocimiento y aplicación universales y efectivos, tanto entre los pueblos de los Estados Miembros como entre los de los territorios colocados bajo su jurisdicción [xi].

El problema de los valores

(En una lectura sociológica)

Sin embargo, resta el hecho de que, al fortalecer el individuo como aspiración a los valores, los DDHH ponen en perspectiva una o varias morales individualistas y, por esa vía, sería compatible o incluso favorecería a algún existencialismo, socialismo no colectivista, neoliberalismo. Podría ser así, tal vez, si los valores proclamados no hubiesen sido reconocidos de modo justo en función de la libertad humana eficaz.

Este punto es irreductible, y se sobrepone a toda la representación de que los DDHH puedan servir de antemano a una orientación de hegemonía cultural. Es suficiente prestar atención al Preámbulo de la Declaración Universal de Derechos Humanos / Universal Declaration of Human Rights, cuyo párrafo segundo, pone en foco las libertades esenciales [[ix]], que se afirman de ellas propias en la experiencia humana y en la base de todos los valores reconocidos en los DDHH tomados en conjunto, a saber: la libertad de hablar y creer y la libertad de no temer y querer (freedom of speech and belief and freedom from fear and want).

En este sentido de libertad consciente, hay que tener en cuenta que, antes de cualquier orientación metamoral (Kant, Hegel, Spinoza, Durkheim) [[x]], el problema de los valores en las obras de la civilización se incluyen como “escalones que dirigen la elevación libertadora”.

La Experiencia Moral en la libertad efectiva

Desde el punto de vista sociológico, el conocimiento de los criterios morales se torna concreto como reflexión posterior sobre el acto moral directamente vivido, implicando los valores vislumbrados en el calor de la acción misma.

Además de no encuadrarse en ninguna doctrina previa, esa acción moral creadora de sus propios criterios está en directa oposición a cualquier filosofía de la historia, y a su creencia en el progreso automático, señalando que la especificidad de la experiencia moral así efectuada se verifica exactamente como el reconocimiento, acción participativa en los distintos grados del esfuerzo (como intento de realización) o, en una frase, ” es la voluntad con los ojos abiertos en las tinieblas” [[xi]].

La elevación libertadora

En la lectura sociológica, la base de esa experiencia moral específica es la teoría de la intuición de la voluntad guiada por sus propias luces, a la que se puede llegar por medio de la concepción dinámica de toda la moralidad efectiva, en tres niveles (escalones):

(a) – como la superación continua de lo adquirido; (B) – como la re-creación permanente de los Nosotros y de Otros; (C) – como moralidad de acción y de aspiración participando en la libertad creadora por el propio esfuerzo incesante de los Nosotros [[xii]] .

Concepción dinámica esta resumida en la fórmula de Henri Bergson (1859 – 1941), según la cual, “para que la conciencia se distinguiera de lo ya hecho y se aplicase a lo que se está a hacer sería necesario que, retornándose y retorciéndose sobre sí misma, la facultad de ver constituyera una sola unidad con el acto de querer”. En la acción libre, al lanzarse uno hacia adelante, se tiene la conciencia de los motivos y de los móviles en vía de se tornaren ambos idénticos [[xiii]].

Esa teoría de la intuición de la voluntad es no solamente la base de la especificidad de la experiencia moral, sino que esta misma especificidad es la libertad consciente. Es decir, así como hay diferentes espesores de la duración y variadas intensidades de la libertad, hay igualmente diferentes grados de voluntad consciente, la cual se hace cada vez más libre en la medida en que: (a) – va más allá de la elección entre las alternativas, por ejercicio de la decisión; (B) – supera la propia decisión voluntaria, mediante el ejercicio de la voluntad propiamente creadora.

De esa forma, la moral de la creación, que uno puede tirar de Bergson, encuentra fundamento para proseguir su realización en los diferentes escalones (paliers) en profundidad de la realidad social. Es la libertad situada en el meollo de la vida humana consciente [[xiv]].

Para comprender mejor el problema de los valores, tomados como escalones que dirigen la elevación libertadora, deben tener en cuenta que, siendo el deseo una tendencia (para la realización) expresa en las obras de civilización, la voluntad a su vez no es más do que la misma tendencia acompañada de la consciencia: el deseo y la voluntad no se pueden poner en oposición uno a la otra, como en las filosofías metamorales, eso en razón de que ellos no son más do que gradaciones del mismo proceso de realización, hay entre ellos una gradación de los niveles intermediarios.

El problema de la libertad intelectual

Toda persona tiene derecho a la libertad de opinión y expresión; este derecho incluye la libertad de sostener opiniones sin interferencia y de buscar, recibir y difundir informaciones e ideas por cualquiera de los medios y sin consideración de fronteras. / Everyone has the right to freedom of opinion and expression; this right includes freedom to hold opinions without interference and to seek, receive and impart information and ideas through any media and regardless of frontiers. (Art.19 UDHR) [[xv]] .

► Tratase de la libertad de expresión en su sentido más efectivo, como libertad intelectual – para recordar el concepto desdogmatizador de Spinoza, libertad ejercida con anterioridad histórica a los mass media y no con dependencia de ellos. Es decir, la libertad de expresión orientada para el efectivismo como elemento de las libertades, como el carácter humano de las libertades [1]. De hecho, el efectivismo difiere donde es afirmada la concepción dinámica de la experiencia moral, como ya se sabe.

De esa forma, en paralelo con la anteriormente referida teoría de la intuición de la voluntad, hay que recordar Spinoza [Baruch Spinoza, 1632 – 1677] que, pensador de la libertad intelectual, revela interés para el sociólogo [xvi]. Puede uno decir que el iusnaturalismo con Spinoza avanzó en la anticipación de las libertades esenciales, las que se afirman de ellas propias antes de toda la proyección y representación, a las cuales todo el humano llega en y por su experiencia.

Al reconocer que la libertad intelectual es absoluta y no puede ser refrenada ni restringida desde afuera, el filósofo anticipó la ética racional que Max Weber muy apreció, ya que solamente la moralidad racional investida del tipo prudente y sabio está en condiciones de contener la progresión absoluta de la libertad intelectual, por delante de un soberano que no puede prevalecer contra ella. Por su vez, superar el iusnaturalismo implica comprender las funciones intelectuales a fin de situar adecuadamente la libertad efectiva.

De hecho, el interés de las funciones intelectuales está bien marcado en la sociología del conocimiento, que pone de manifiesto la oposición entre, por un lado, el plano de los estados mentales – incluso las representaciones y la memoria, así como las opiniones colectivas [[xvii]] – y, por otro lado, la intervención de los actos mentales, sean colectivos sean individuales. Tiene cabimiento notar que, en el suelo de esa oposición, los actos son: (a) las experiencias más o menos inmediatas (cuyos casos límites son las intuiciones intelectuales, que hacen participar directamente en lo real) y (b) los juicios.

Noten que ambos, experiencias intuitivas y juicios, son manifestaciones las más intensas de la conciencia abierta. De esa forma, los actos mentales se observan en la implicación mutua entre las experiencias de participar en el real y los juicios de esa manera tornados cognitivos, de los cuales las actitudes, como disposiciones para reaccionar, son los focos primarios [[xviii]]. La libertad implicada en los actos individuales y colectivos que estructuran / desestructuran la realidad social es la libertad humana – no metamoral ni realización terrestre de un mundo espiritual – de que la libertad intelectual es un aspecto, y se afirma como elección, decisión, creación.

El psicologismo individualista es equivocado al preconizar que, en el nivel psicológico de la realidad social, cualquier interés está concentrado en la psicología interpersonal, en detrimento de la psicología colectiva propiamente dicha, orientación esa que desprecia las funciones intelectuales y voluntarias, así como se limita al aspecto exclusivamente emotivo y, en esto, al aspecto de la preferencia y de la repugnancia, dejando erróneamente de lado el aspecto más significativo de la aspiración.

En teoría sociológica se sabe que (a) – toda la conciencia es no sólo una tensión virtual del cerrado hacia lo abierto, sino que es aún una tensión entre las múltiples sensaciones y su integración en las totalidades; (B) – por su vez, al hacer ver que las sensaciones particulares no son más que abstracciones intelectuales de totalidades aprehendidas intuitivamente, la teoría psicológica de la forma o Gestalttheorie demuestra la imposibilidad en la reducción de la conciencia a las sensaciones dispersas – reducción impropia esa que, ya observara Georges Gurvitch (1894 – 1965), hubiera reforzado la concepción de la conciencia individual cerrada en Emile Durkheim (1858 – 1917).

 

Una dialéctica entre la consciencia individual y la consciencia colectiva

Sin embargo, el sociólogo afirma la evidencia de que existen los elementos sensibles de la conciencia colectiva, hay los sentidos colectivos de conservación y defensa, los sentidos de las pasiones de inclinaciones colectivas y, a su vez, es evidente la existencia de las funciones intelectuales en la conciencia individual (estados, opiniones, actos).

Además, el maestro Durkheim insiste sobre las tendencias, los sentimientos, las creencias, las aspiraciones, las efervescencias colectivas, que pueden referirse a los estados y las opiniones tanto cuanto a los actos mentales y las funciones intelectuales, pero que, en todos los casos, se oponen a la razón universal.

Quiere decir, el sociólogo pone en relieve que, en el aspecto de la dupla existencia de elementos sensibles y de las funciones intelectuales, hay dialéctica entre la conciencia individual y la conciencia colectiva – hay tendencia a la complementariedad, a la participación mutua y a la reciprocidad de la perspectiva – de tal suerte que el dualismo de elementos sensibles y de funciones intelectuales es observado tanto en la conciencia individual cuanto en la colectiva.

Acrece que, de acuerdo con Gurvitch, las conciencias individuales pueden interpenetrarse y fundirse (a) – a veces en sus sensaciones y pasiones, (b) – a veces en sus representaciones y sus sentimientos, (c) – a veces en sus actos, en sus intuiciones y en sus juicios, sean estos marcados por la preponderancia de la inteligencia, de la emoción y de la voluntad.

 

Los juicios de realidad, los juicios de valor y

la variabilidad

 

En los derechos humanos no logran las ilusiones aportadas por la confusión con la filosofía de la historia, las cuales se encuentran favorecidas por la ocurrencia de un error lógico fundamental que es la falta de diferenciación entre los juicios de realidad y los juicios de valor. De ese error resulta la confusión, siguiente: en vez de explicar los deseos a partir de la realidad social, uno construye la realidad social en función de eses deseos.

Los juicios de valor son las aspiraciones, los deseos y las imágenes ideales del futuro, y conforman uno de los escalones de la realidad social en su conjunto, de tal suerte que el progreso en dirección a un ideal (filosofía de la historia) solo podrá intervenir en el análisis sociológico únicamente en vista de integrar ese progreso ideal en un conjunto de hechos sociales que el análisis se propone explicar.

La sociedad es sujeta a las fluctuaciones y mismo a los movimientos cíclicos. Tomado como un movimiento constante, el progreso rectilíneo en dirección a un ideal particular no puede aplicarse más do que en relación a ciertos periodos, en otros periodos la sociedad puede orientarse en sentido opuesto al ideal o por un ideal completamente diferente.

La falta de diferenciación entre los juicios de realidad y los juicios de valor hace imposible el acceso del análisis sociológico a un dato fundamental de la vida social que es la variabilidad.

Delante de la variabilidad referida, teniendo cuenta de la tendencia a la universalización y el hecho de que los DDHH estén imbricados en los cuadros reales, tales como las formas de sociabilidad y los agrupamientos sociales particulares, revelase insustentable la representación de que los Derechos Humanos son previamente favorables a las ideologías y moralidades individualistas, cuando, en realidad, se muestran penetrados por la multiplicidad de la individualidad concreta, a la cual le conceden protección.

En efecto, la sociología diferencial tiene por básico que los agrupamientos particulares cambian de carácter y no solo de posiciones, asumen identidades y diferencias no asumidas en diferentes tipos o subtipos de sociedades. En la medida en que participan del cambio en eficacia que se opera en el interior de las estructuras, los grupos, más do que se dislocaren conforme trayectorias solo exteriores, se mueven en los tiempos sociales.

De la misma manera, observase el siguiente: (a) los individuos cambian de actitudes en función de los grupos a los cuales pertenecen. Aliás, los grupos son formados exactamente con base en la continuidad y en el carácter activo de una actitud colectiva. (b) Los papeles sociales que los individuos asumen o los personajes que ellos encarnan cambian según los círculos sociales diferentes a que pertenecen. De esa suerte, un padre o un marido muy autoritario, por ejemplo, puede simultáneamente desempeñar el papel de un colega particularmente atencioso, etc. (c) En cada grupo, un individuo desempeña un papel social diferente: es mecánico ajustador, vendedor, profesor, etc.; por otro lado, ese mismo individuo puede desempeñar en eses grupos papeles unas veces sin brillo, otras veces brillantes, unas veces subordinados, otras veces dominantes, según las estructuras y coyunturas sociales variadas, los mismos individuos y los mismo grupos pueden desempeñar papeles muy diferentes y hasta opuestos.

 

 

 

 

[1] Desde el punto de vista sociológico, la libertad es más do que la variable lógica que altera las proposiciones teoréticas, sino que es libertad humana por intervenir en los determinismos sociales y precipitar el estallido de los equilibrios que viabilizan los cambios estructurales. De ahí su efectivismo.

[i] El programa mundial para la educación en derechos humanos es fomentado por la Oficina del Alto Comisionado para los Derechos Humanos de las Naciones Unidas – World Programme for Human Rights Education (2005- on going).

http://www.ohchr.org/EN/Issues/Education/Training/Pages/Programme.aspx

[ii] La comprensión del problema de los valores e ideales que se saca de la orientación durkheimiana está basada en la oposición al utilitarismo doctrinario, de tal suerte que la teoría sociológica se define contra cualquier posicionamiento eudemonista (eudaemonism) en esa materia. La recusa de la “utilidad” o especialmente de lo “que es utilitario” como criterio último de las acciones humanas y como base mensurable de análisis de las cuestiones políticas, sociales y económicas hacía parte del compromiso de Durkheim en defender la especificidad de la realidad social y, por esta vía, repeler cualesquiera tentativa que pretendiese establecer un absoluto para la vida moral con imposición a los hechos sociales. De ahí su orientación por la cual las principales obras de civilización como la religión, la moralidad, el derecho, el arte sean sistemas de valores culturales cuya validad objetiva consiste en su referencia al nivel (escalón, “palier”) de realidad social más profundo de los ideales.

[iii] http://www.ohchr.org/EN/Issues/Education/Training/WPHRE/ThirdPhase/Pages/ThirdPhaseIndex.aspx

[iv] El foco de la cultura del compartir son las redes P2P de computadores (Peer-to-peer, del inglés, par-a-par o simplemente punto-a-punto) donde cada uno de los puntos o nodos de la red funciona como es sabido tanto como “cliente” cuanto como servidor, permitiendo compartir servicios y datos sin la necesidad de un servidor central. Puede ser usada para compartir música, videos, imágenes, datos, en fin cualquier cosa con formato digital. En ese modelo de red, tomados a los pares, los computadores son proveedores y consumidores de recurso, diferentemente del modelo cliente / servidor, donde el servidor alimenta toda la red y los clientes solamente consumen. Es muy conocida por el compartir de los ficheros.

Sin embargo, las redes P2P son utilizadas para otras áreas, tales como el almacenamiento, distribuidos en los medios académicos y científicos y telecomunicaciones, por ejemplo. Hoy en día, el compartir de informaciones se generalizó con las redes sociales en la internet y para allá de ella, en cooperativismos variados, incluso para comunicar presencialmente los artículos y los escritos literarios y de opinión, profundando las prácticas de la libertad de expresión.

[v] La mercaderizacción es un concepto con largo empleo en la crítica de la sociedad. En este trabajo es utilizado para designar el control capitalista en ámbito de la psicología colectiva, como mercaderizacción de las relaciones humanas, pero deben tener cuenta que hay una tendencia para la mercaderizacción de la sociedad: “La mercaderizacción de la sociedad es la universalización de la excepción mercantil (la excepción por la cual la oferta y la demanda no se corresponden sino bajo una “asimetrización” por la que uno u otro polo sale perdiendo).” (…) Cf: Jorge Iacobson: “El marketing como ideología”. Internet, Revista “Bajo Control” (25/11/2010) http://bajocontrol.over-blog.es/article-el-marketing-como-ideologia-61689499.html (verificado en 2 de Abril 2013).

[vi] Muchas veces las imágenes despreciativas de los otros se ligan a la mentalidad conformada, sumisa al que está prestablecido, llevando a una falsa comprensión de las relaciones humanas, de tal suerte que, al envés de percibidos como integrantes de un Nosotros, los otros son reducidos al imaginario psicologista. De ahí la poca relevancia atribuida a las experiencias efectivas que el grupo acumuló. Además, muchos descartan como negable, juntamente con la sintaxis existente, el histórico (acervo) de las prácticas del grupo, incluso sus modelos y procedimientos anteriormente desarrollados en la organización productiva (en vigor en la sintaxis existente). Por tanto, se aplican aquí las observaciones redescubiertas en la formula atribuida al filósofo de la Roma antigua Cícero (106 AC – 43 AC), de que, al comentarla, el notable sociólogo C. Wright Mills hace ver el imaginario psicologista, por su vez descripto como interacción más o menos lúdica de tres personas (Cf. C.Wright e Gerth, Hans: Caráter e estrutura social: a psicologia das instituições sociais, tradução Zwinglio Dias, Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1973, 508 págs). Es decir, en la mentalidad conformada, que es resignada a la imposición de las conductas prestablecidas, las relaciones humanas son vistas por el filtro del imaginario psicologista y pueden ser resumidas en un juego individualista y “social atomista” en que tres imágenes personales recobren la realidad social, a saber: la persona que uno “piensa” o se representa que es, la que los otros piensan que él es, aquella que él juzga o supone que los otros piensan que él sea. Todo el dominio de la psicología individualista se resume en ese imaginario interpersonal desgarrado, con las siguientes características: (a) es un imaginario hecho de evaluaciones arbitradas en las preferencias subjetivas o veleidades proyectadas sobre los otros; (b) es hecho de autoevaluaciones que únicamente reflecten el carácter prestablecido de las reglamentaciones y de las conductas jerarquizadas de los aparatos organizados. Teorizado o non, tratase de un imaginario frecuentemente supervalorado en las técnicas utilizadas en los entrenamientos corporativos, incluso los psicodramas y los socio-dramas (originalmente concebidos en la sociometría de J.L. Moreno, 1889 – 1974). Indiferente a la realidad social que oculta de si, en ese imaginario psicologista, la consciencia se mantiene más o menos cerrada sobre si, con tendencia a la introspección, lanza imágenes al exterior de donde las recibe, de tal suerte que esa perpetua interacción de autoimágenes entre individuos atomizados gira como una condenación, esto es, directamente centrada en la ansiedad de la naturaleza humana, acá de toda la aspiración colectiva.

[vii] La tendencia utilitarista de la sociología de la administración tuvo el mérito de haber puesto en relieve la categoría economicista de ventaja competitiva como criterio en la descripción del sistema de desigualdades en estratos económicos y sociales, aplicable a todas las cosas que cuentan puntos en un curriculum vitae y en portfolios.

[viii] En la historia moderna, cuando uno habla de sociedad democrática hace recordar las ciudades libres, que precipitaran el fin de la Edad Media y han dado fuerza a la sociedad industrial, estudiada esa última por Saint-Simon (Claude Henri de Saint-Simon, 1760 – 1825), el fundador de la sociología. El bloque histórico de las ciudades, con su sociabilidad característica, y más ampliamente los conjuntos de los agrupamientos de localidades (ayuntamientos, comarcas, comunas, etc.), tales como articulados o pactados en las varias instancias de la historia de las instituciones parlamentares, forman en realidad social la sociedad democrática.

[ix] La expresión libertades humanas esenciales ha sido introducida por el presidente Franklin D. Roosevelt: FDR Four Freedoms Speech 1941: The Annual Message to Congress. January 6, 1941.

[x] En las meta-morales tradicionales de Platón, Aristóteles, Spinoza, Hegel, se nota que, supra-temporal y absoluto, un mundo espiritual se realiza en el mundo temporal. Cuanto a Durkheim, él comparte la creencia efectiva, específica a los adeptos de la ciencia de los costumbres y a los sociólogos de la vida moral, afirmando la posibilidad deseada de utilizar la sociología de la vida moral como base de una doctrina moral, en este caso, una moral teorética de fundamento sociológico que al mismo tiempo conocía y estatuía, creando de esa manera una vía para una nueva metamoral, en que la sociología se colocaría en lugar de la filosofía.

[xi] Marcando la presencia del sociólogo en los antecedentes de la UDHR, esa lectura de la filosofía social de Bergson ha sido oficialmente propuesta por Georges Gurvitch desde New York (EUA) en 1941, y ha sido republicada en su obra “LA Vocación Actual de la Sociología” – vol.II: “antecedentes y perspectivas”, (Cf. Tradución en lengua portuguesa de la 3ª edición francesa de 1968, por Orlando Daniel, Lisboa, Cosmos, 1986, 567 pp. [1ª edición en francés: Paris, PUF, 1957] p.234, sq.)

[xii] En ese sentido, en ese apelo a la actuación de los Nosotros como cuadros de referencia, la concepción dinámica de toda la moralidad ultrapasa el individuo y las moralidades exclusivamente individualistas.

[xiii] Ese análisis acoplado a la reflexión sobre las libertades humanas esenciales, destacadas en el Preámbulo de la UDHR, toma por base “L’Èvolution Crèatrice” y “Les Données Immédiates de la Conscience”, de Bergson. El provecho de esa lectura apunta para una concepción dinámica de toda la moralidad efectiva como presente nos DDHH.

La filosofía social de Bergson en la referencia de una teoría de la libertad en “Les Données Immédiates de la Conscience” es ofrecida como demonstración de la vanidad del determinismo y del

indeterminismo clásicos que, orientados para ‘el ya hecho’ y no para ‘el acto que se hace’, ignoran que la libertad no es más do que un matiz de la acción, y que es vivida en la propia acción” (Cf. Gurvitch: “A Vocação Actual da Sociologia, vol.II”, p.242, op cit.).

En esa teoría, el arbitrario, como la propia opción, es el grado más bajo de la voluntad. Para escapar a la necesidad de escoger entre las alternativas impostas por la inteligencia (conocedora del progreso) sujetando la libertad de acción en la acción, Bergson sugiere que los grados superiores de la voluntad, que libertan de la sujeción a las alternativas, deben ser verificados en el retorno a la espontaneidad pura, designada como impulso, que se encuentra acá de la consciencia, se arriesgando, con esa formulación, a identificar la libertad con el infraconsciente.

Sin embargo, Bergson ya admite que la libertad comporta grados, los cuales todavía solo pueden manifestar-se en “duraciones cualitativas diversificadas” – eses grados intermediarios de la duración y de la libertad, imprescindibles tanto para la existencia humana cuanto para las diferentes ciencias, ya que, sin esas gradaciones, tanto la existencia cuanto las ciencias restan condenadas a no poder ir más allá del tiempo espacializado y cuantificado, propio al dominio exteriorizado del mecanismo newtoniano.

Nota Gurvitch que es en razón de esa teoría de la libertad se ejerciendo contra las imposiciones de la inteligencia que “Bergson describe los diferentes grados de la duración y de la libertad correspondientes al vital, al psicológico, al social y al espiritual (ver “Matière et Mémoire”, bien como “La Èvolution Crèatrice”).

En esa descripción, la libertad plena, comprendiendo la actividad propiamente creadora, ligase a la vida espiritual; en seguida, viene la vida consciente, que es psicológica y social, la cual

conduce a la vida espiritual y es tenida como el reservatorio de la libertad, es decir, una libertad mucho más intensa do que la simples espontaneidad vital. Tal es la serie, notando que será en consonancia con esa gradación de la libertad que se verifica la gradación de los tiempos (“espesura de la duración”).

[xiv] Ibid. ibidem. Sabe que el desvío místico de Bergson se debe al no ter él encontrado en su análisis de la libertad consciente el problema de los valores en obras de civilización, “eses escalones que dirigen la elevación libertadora” (Gurvitch).

[xv] El derecho de saber (derecho a la educación, al conocimiento) es un requisito para la libertad de pensamiento y de consciencia; la libertad de pensamiento y la libertad de expresión surgen como las condiciones necesarias para la libertad de acceso a la información.

[xvi] Vea el Capítulo veinte de su TRACTATUS THEOLOGICO-POLITICUS.

[xvii] Las opiniones colectivas surgen siempre vacilantes e inciertas, a iludieren las chamadas pesquisas de opinión.

[xviii] Los actos mentales – incluso las intuiciones intelectuales y los juicios cognitivos – surgen como las manifestaciones las más intensas del consciente que se transcienden ellas mismas en la pose, en el conocimiento y en la participación en los contenidos reales, experimentados estos últimos, afirmados y moldados como heterogéneos (obstáculos) a los actos mismos, esto es, como heterogéneos a las intuiciones intelectuales y a los juicios; a las preferencias y a las repugnancias en línea con los valores, la simpatía, el amor, el odio; en fin, heterogéneos a las opciones (escoja entre alternativas), a las decisiones y a las creaciones.