Crítica aos Paradigmas de Localização

Crítica aos Paradigmas de Localização

Apresentação

(Variabilidade ou Imposição ?)

 

 

Os tipos de sociedade industrial são calcados na observação da divisão do trabalho: a grande oficina e suas engrenagens.

Para ultrapassar os dogmatismos e os preconceitos, a teoria sociológica se faz precedida do estudo dialético dos determinismos sociais (as engrenagens), a fim de colocar em relevo não só a análise dos níveis de realidade cujas hierarquias múltiplas integram as estruturas [i], mas, o concurso da liberdade humana interveniente nesses determinismos, de maneira realista e não simplesmente lógica ou matemática, isto é, pondo em relevo a variabilidade.

A “tradição” intelectual da sociologia que se nutre em Saint-Simon (e no “jovem” Marx) é notadamente sociologia diferencial (voltada para o estudo das variações nos quadros sociais) e não apenas sociologia sistemática (limitada ao estudo das regularidades tendenciais), estando melhor “aparelhada” que esta última para isolar os preconceitos filosóficos inconscientes e desmontar os dogmatismos.

►Entretanto, o que faz passar despercebida a indispensabilidade da dialética em sociologia é a proliferação de estudos e teorias formalistas de papéis sociais, nas quais prevalece a valorização do paradigma de Hobbes (Thomas Hobbes, 1588 —1679) para explicar as desigualdades sociais. Diz-se equivocadamente que as posições são dotadas de soberania: os homens que as ocupam estabelecem a lei para seus súditos e, notadamente, exercem o controle de sanções, isto é, a suposta capacidade de garantir a conformidade à lei [ii].

Diz-se ademais, e ainda equivocadamente, que, de essa noção de posições dotadas de soberania – ou noção de “poder” e sanções –, se deve concluir o seguinte: (a) – há sempre resistência a essas posições dotadas de soberania, cuja eficiência e legitimidade são precárias; (b) – o grupo dos que ocupam tais posições será supostamente o mais forte e a sociedade – assim supostamente regida pelo princípio de obediência – se mantém unida pelo exercício de sua força, isto é, pela coação. É a chamada “solução hobbesiana para o problema hobbesiano da ordem”.

Daí que o problema das desigualdades sociais torna-se derivado e se resume em estabelecer o elo perdido entre a sanção do comportamento individual e a desigualdade das posições sociais” [iii], “elo perdido” este que a filosofia social encontra como contido na noção de “norma social”, a saber: “as expectativas de papéis são apenas normas sociais concretizadas” ou “instituições”.

Diz-se, então, equivocadamente, que é útil reduzir a estratificação social à existência de normas sociais reforçadas por sanções, já que essa explicação demonstraria a “natureza derivativa” do problema das desigualdades [iv].

Por sua vez, ao invés de levar aos determinismos sociais, essa derivação teria a suposta vantagem de reconduzir a pressupostos tais como a existência de normas e a necessidade de sanções que “podem ser considerados como axiomáticos”, isto é, que dispensariam uma análise maior!

Com poucas palavras: porque há normas e porque as sanções são supostamente necessárias para impor conformidade à conduta humana (diferenciação avaliadora), tem que haver desigualdade de classes entre os homens.

Nota-se por essa “teoria da coação” (ou de “repressão”) que a variabilidade da estratificação fica absolutamente fora de cogitação na aplicação do paradigma de Hobbes, tornando consequentemente desprovida de valor ou sem aplicação metodológica alguma a discussão de “universais sociológicos” neste marco axiomático preferido pelos formalistas.

►Mas não é tudo. Será em conseqüência da teoria de papéis sociais decorrente dessa visão axiomática impositiva que certos autores formalistas serão questionados por promoverem a reificação [v] nas relações sociais e humanas.

Com efeito, diz-se que “todo o segmento de posição estabelece uma relação (necessária) entre o ocupante da posição e um ou mais grupos de referência”.

À continuidade, então, fica estabelecido “um conjunto de grupos de referência, cada um dos quais impõe ordens e é capaz de sancionar o comportamento da pessoa”, seja positivamente, seja negativamente.

Daí, “a questão da natureza da sociedade se transforma na questão de saber “como os grupos de referência formulam e sancionam as expectativas das posições que definem” [vi].

Pode-se ver que, sendo tomada separadamente dos Nós, e de todas as relações com outrem atuantes nesses Nós grupais, a indicada “relação necessária” surge como atributo impositivo do “segmento (geométrico) de posição”, revela-se uma força de imposição lógica e exteriorizada.

Será em razão dessa formulação conceitualista que, como se sabe, certos autores se verão na circunstância embaraçosa de esclarecer se os enunciados da suas teorias de papéis sociais seriam de molde a favorecer a reificação, haja vista que, nessas teorias formalistas, o indivíduo se personaliza na medida em que é constrangido a enquadrar-se nessa suposta “relação necessária (lógica)”, que lhe é imposta como um valor por força da objetivação conceitual do grupo vinculado ao segmento de posição [vii].

Tal é o método axiomático das teorias que buscam o “lugar” das desigualdades, isto é, aplicam e desenvolvem os paradigmas de localização, no caso, os esquemas de filosofia social tirada como disse de Thomas Hobbes (1588 —1679).

 

►Por contra, como se sabe é indevida a confiança que se tem no absoluto da localização porque, antes de constituir uma exigência propriamente epistemológica, essa localização encontra-se na base da linguagem como tal, sendo toda a sintaxe de “essência topológica”.

Há uma limitação das atribuições realísticas que pretendem empregar as palavras “posição” e “movimento” fora do terreno em que foram definidas ou onde esses termos são definíveis, isto é, nas equações de incerteza descobertas na Física Quântica e tornadas características de todo a atitude científica contemporânea nutrida da teoria da relatividade de Albert Einstein (1879 — 1955).

Neste ensaio levamos em conta a compreensão da revolução de Heisenberg [viii] que derruba por terra a objeção de que noções tão fundamentais como “posição e movimento” (velocidade) têm sentido universal.

Segundo Bachelar, as qualidades geométricas incluindo a posição e a velocidade não têm direito algum a serem chamadas qualidades primeiras.  Só há qualidades secundárias, uma vez que toda a qualidade é solidária de uma relação (de incerteza) que, junção das intuições contrárias, faz girar as duas intuições fundamentais: a corpuscular e a ondulatória [ix].

Desta forma, tendo em conta a aplicação em sociologia da dialética relativista complexa [x], elaboramos sobre o fato social comprovado de que, antes de se ligarem aos papéis sociais, as expectativas ligam-se ao esforço coletivo, incluindo-se neste último o histórico das iniciativas, dos projetos e métodos, das tentativas e das próprias realizações do grupo.

Resgatamos a afirmação espontânea do equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros, como foco da vida do Direito, que se inclui nas manifestações da sociabilidade e no consequente pluralismo social efetivo (a multiplicidade dos Nós e das relações com outrem é irredutível), como um dado empírico que derruba por terra os axiomas tirados da filosofia social de Hobbes.

O pluralismo social efetivo como “sistema de freios e contrapesos” [xi] se descreve a partir da constatação de que a realidade social é integrada. Isto significa que a afirmação espontânea do equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros é uma característica da realidade social dos Nós, como manifestações concretas da consciência coletiva ao nível da experiência humana [xii].

Ou seja, não há pólos heterogêneos na realidade que não sejam relativos, toda a polarização dos contrários, dos contraditórios ou até antagônicos revela-se dialética, intermediada ou interpenetrada. Por mais que sejam polarizadas as antinomias guardam um setor intermediado e não chegam a romper totalmente a reciprocidade de perspectiva, cuja exasperação constitui o limite mais extremado, para além do qual a realidade social se abisma.

Como dado empírico implicando procedimentos de verificação dos determinismos sociais, tais como as correlações funcionais e as integrações diretas nos conjuntos práticos [xiii] dentre outros recursos de método, a afirmação espontânea do equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros (espontânea porque não imposta) diferencia-se no conjunto dos psiquismos individuais e coletivos lá onde esses psiquismos transferem suas energias subjetivas para a realidade de conjunto, por efetividade do próprio conjunto prático, de tal sorte que a realidade social toda inteira vem a ser penetrada de aspiração aos valores (subjetividade coletiva).

Por efetividade desse determinismo de conjunto tem-se que a realidade social é integrada e se compreende a soberania social, isto é, a afirmação espontânea (espontânea porque não imposta) do mencionado equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros.

►Destas observações decorre que realidade social ex­clui o chamado “princípio de obediência à ordem”, que é caracte­rístico das consciências fechadas sobre si mesmas, intros­pectivas. O fato de que o mundo de realidade social ultra­passa qualquer imposição de condutas preestabelecidas constitui importante diferencial da sociologia, a quem re­pugna o paradigma da filosofia social de Thomas Hobbes (1588 – 1679), acolhido em especial pelos cientistas políti­cos, notadamente o falso postulado da natureza heterogê­nea, levando ao atomismo que fragmenta a realidade so­cial em uma poeira de indivíduos isolados (“o homem é o lobo do homem”), suportes de reflexos condicionados.

Todavia, não se pense que a exclusão do chamado “princípio de obediência à ordem” seja decorrente de um voluntarismo abstrato. Pelo contrário. Inicialmente é pre­ciso ter em conta o contexto histórico em que Émile Dur­kheim (1858 – 1917) desenvolverá seu conceito de “amor­fismo social” [xiv], isto é, a decadência não só do Es­tado, como pacto ou bloco de localidades (“instituições parlamentares”), mas também do Contrato que o representava como segurança jurídica para o indivíduo no final do século XIX.

Tal é o contexto privilegiado no curso da Segunda Re­volução Industrial iniciada na segunda metade do século XIX (desenvolvimentos dentro da indústria química, elé­trica, de petróleo e de aço), com destaque para os suces­sos do período datado de 1885 a 1914 (Paz Armada), quando o “neo-imperialismo” levou à contraposição da Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália), por um lado, e da “Tríplice Entente” (Rússia, França e Inglaterra), por outro lado.

Como se sabe, a significação sociológica de tal deca­dência do Estado está em que a mesma se faz em pro­veito do direito social autônomo, que impulsionará o desenvolvimento da estrutura de classes no começo do século XX. Quer dizer, em conseqüência da decadência do Estado, as relações coletivas produzirão sem a imposição estatal – isto é, em soberania social – os acordos, as con­venções e os contratos coletivos no mundo do trabalho e da produção industrial. Portanto, será neste sentido histó­rico-sociológico que a realidade social exclui como disse o chamado “princípio de obediência à ordem”.

Mas não é tudo. Tendo em conta as imanentes forças psicossociológicas de pressão e de atração, a integração no conjunto da realidade social ultrapassa qualquer força de imposição, qualquer força previamente definida que se imponha logicamente do exterior, ainda que chamada a distribuir prestígio e influência.

Embora tenha níveis objetivados, a realidade social não é um lugar, é mais do que simples extensão (res extensa) [xv], é realidade em ato, em vias de se fazer e se atualiza na multiplicidade dos quadros sociais cujo conjunto em sua não-determinação prévia não é, pois, reduzido à história das civilizações (embora participem das estruturas como elementos anestruturais, os quadros microssociológicos são não-históricos) [xvi].

Neste sentido, o realismo relativista sociológico é con­forme a dialética complexa de que, tendo em vista o pensamento probabilitário, comentou Gastón Ba­chelard ao sustentar que temos necessidade de mudar o real de lugar e que a função realista é cada vez mais móvel: as revoluções frutuosas do pensamento ci­entífico são crises que obrigam a uma “reclassificação profunda do realismo” [xvii].

Nos presentes artigos elaboro uma reflexão crítica às ori­entações centradas nas categorias de posição e movi­mento, visando dimensionar o alcance da mirada sociológica diferencial em face dos antigos paradigmas de locali­zação.

Rio de Janeiro, Janeiro de 2011

Jacob (J.) Lumier

 

Categorias: sociologia, psicologia coletiva, comunicação social, ensaios críticos, história, metodologia científica, análise e interpretação.

 

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[i] Sobre o conceito de estrutura social e as hierarquias múltiplas vejam Nota Complementar no final deste livro.

[ii] Dahrendorf, Ralf (1929 – 2009): “Ensaios de Teoria da Sociedade”, Rio de Janeiro, Zahar – Edusp, 1974, 335 pp. (1ª edição em Inglês, Stanford, EUA, 1968). pp.141 a 173.

[iii] Ibidem, pág. 193

[iv] Ibidem, pág. 196

[v] A reificação da realidade social surge como a questão de saber até que ponto uma ordem institucional ou alguma parte dela é apreendida como uma faticidade não humana, ou inversamente, se o homem em certa organização ainda conserva a noção de que, embora objetivado, o mundo social foi feito pelos homens e, portanto, pode ser refeito por eles. Veja Berger, Peter e Luckmann, Thomas: “A Construção Social da Realidade: Tratado de Sociologia do Conhecimento”, Trad. Floriano Fernandes, Rio de Janeiro, Editora Vozes, 1978, 4ªedição, 247 pp. (1ª edição em Inglês, New York, 1966).

[vi] Dahrendorf, Ralf (1929 – 2009): “Ensaios de Teoria da Sociedade”, op. cit., págs. 62/63.

[vii] Ibidem, págs. 106/126

[viii] As equações de incerteza foram defendidas por Werner Karl Heisenberg (1901-1976) em 1927.

[ix] Bachelard, Gastón (1884 -1962): “Le nouvel esprit scientifique” (1934)

[x] Vejam os tópicos que se seguem, em especial “Os procedimentos Dialéticos do Hiperempirismo”.

[xi] Na mesma medida em que viabiliza a funcionalidade das políticas públicas como ação de integração social, será este equilíbrio dinâmico entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros que o sistema de freios e contrapesos como conceito de técnica constitucional visa configurar em sua aplicação ao pluralismo mais concreto dos agrupamentos particulares em suas disputas de interesses no âmbito da história parlamentar.

[xii] Vejam Gurvitch, Georges (1894-1965): “Dialectique et Sociologie”, Paris, Flammarion, 1962, 312 pp., col. Science.

[xiii] Como se verá adiante, os conjuntos práticos são não-inertes, não apenas lógi­cos, mas em alteração, cujas probabilidades admitem um fator imponderável levando a previsibilidade científica a admitir uma verificação a-posteriori.

[xiv] Émile Durkheim, Le suicide. Étude de sociologie (1897). Paris: Les Presses universitaires de France, 2 éme édition, 1973, 463 pp. Col: Bibliothèque de philoso­phie contemporaine. Cf: p. 421 segs.

[xv] Vejam as análises de Georges Gurvitch sobre as extensões ou amplitudes concretas em “Determinismos Sociais e Liberdade Humana”, Rio de Janeiro, Forense, 1968, 361 pp., traduzido da 2ª edição francesa de 1963. (1ª edição em Francês: Paris, PUF, 1955).

[xvi] Se a realidade social é frequentemente tida como um lugar ou uma localização é porque a apreensão original do mundo social é consideravelmente reificada. Veja Berger, Peter e Luckmann, Thomas: “A Construção Social da Realidade: tratado de sociologia do conhecimento”, trad. Floriano Fernandes, Rio de Janeiro, editora Vozes, 1978, 4ª edição, 247 pp. (1ª edição em Inglês, New York, 1966), págs. 124/132.

[xvii] Bachelard, Gaston (1884 -1962): “Le Nouvel Esprit Scientifique. Paris, PUF, 10e édition, 1968. Collection : Nouvelle encyclopédie philosophique, 181 pages./// O Novo Espírito Científico”, São Paulo, ed. Abril 1974, coleção “Os Pensadores”, vol.XXXVIII, pp.247 a 338 (1ª edição em Francês, Felix Alcan 1934). Cf. pág. 315.

La estratificación social en entornos capitalistas

 

La Sociología, los Derechos Humanos y la Deconstrucción de las Desigualdades:

Estudio crítico sobre la estratificación social en entornos capitalistas.

 

Versión en libro del paper completo de Abril 2013 presentado a la International Sociological Association –ISA con el siguiente título: “La sociología en la universalización de los derechos humanos y sociales a través de la deconstrucción de las desigualdades” – “Sociology in the universalization of human and social rights through deconstruction of inequalities”. Abstract #30864

Por

 

Jacob (J.) Lumier

 

Autor de Ensayos Sociológicos con trabajos difundidos en la Web de la Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura – OEI y junto a la página del Ministerio de Educación de Brasil (Domínio Público).

 

Websitio Produção Leituras do Século XX

http://www.leiturasjlumierautor.pro.br

 

Río de Janeiro / RJ, Brasil, Agosto 2014

 

 

La sociología, los DDHH y La deconstrucción de las desigualdades

Jacob (J.) Lumier

 

 

Epígrafe

 

Karl Marx dijo una vez — en los tiempos del capitalismo embrionario, salvaje y con todo aún no domado, aún demasiado iletrado como para descifrar lo escrito en la pared— que los trabajadores no pueden liberarse sin liberar al resto de la sociedad. Ahora, en los tiempos del capitalismo triunfante, se podría decir que, sin prestar ya atención a los escritos de ninguna pared (ni a las paredes mismas, si a eso vamos), el resto de la sociedad humana no puede ser liberado de su miedo ambiente y de su impotencia a menos que su parte más pobre sea liberada de su penuria. [Bauman, La sociedad individualizada].

 

 

 

Presentación

 

En presencia del desafío de satisfacer la demanda actual por una sociología con provecho en la deconstrucción de las desigualdades, entendidas estas últimas como obstáculos a la universalización de los derechos humanos y sociales, este documento destaca la necesidad de superar la tendencia utilitarista en estudios sobre la estratificación social en entornos capitalistas.

Desarrolla una comprensión sociológica en torno a la constatación de que los focos de los derechos humanos son las libertades humanas esenciales [i], comprendidas por ellas mismas y, debido a este hecho, son más de lo que serían las variables lógicas. Por esta vía, articula el punto de vista del pluralismo efectivo de la realidad social con los conjuntos prácticos abiertos a la creación colectiva, cuya variabilidad ultrapasa la reproducción de los paradigmas del sistema.

De este punto de partida, el autor tiene en vista explicitar como la sociología pudiera contribuir para los Derechos Humanos con la deconstrucción de las desigualdades; elabora sobre la crítica a las proyecciones de una jerarquía de posiciones, sean estas basadas en autoridad y prestigio, o centradas en la busca de ventaja diferencial.

Sostiene el reconocimiento de que, una vez situados en la sociabilidad como aspectos de la vida espontánea del Derecho – por tanto incluidos en el ambiente micro-sociológico que reproduce el equilibrio parcial entre las prerrogativas de unos y las obligaciones de otros –, juntamente con las demás manifestaciones da consciencia  (tales como la lenguaje y la intervención del conocimiento), los Derechos Humanos toman parte de las fuerzas productivas en sentido lato y, de esta forma, desempeñan un papel constitutivo en los  propios marcos sociales.

En ámbito específico de la teoría sociológica, se profundiza la descubierta por Henri Lefebvre (1901 – 1991) de la ruptura de la reciprocidad que ligaba los intereses particulares y el interés general en el espacio público.

 

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Sumário

Epígrafe 9

Presentación 10

Desigualdades, Crecimiento y Deconstrucción. 15

Para allá de la tendencia utilitarista 15

La crítica al enfoque economicista por la ventaja diferencial 17

Reificación y función de representación en el psiquismo de la estructura de clases  19

El saber economicista y el psiquismo de la clase burguesa 19

Unilateralización y generalización de las necesidades 21

El deseo de pose 22

La sabiduría de frialdad 25

La insuficiencia de la tendencia utilitarista y la Deconstrucción 26

La Opulencia versus la Pobreza 29

La deconstrucción de las desigualdades 30

El Control Capitalista 32

La Confusión de las Aspiraciones 32

Las desigualdades de Referencia 32

Las desigualdades neoliberales 33

Contribución social de los sectores más opulentos 34

Pluralismo social y Sentimiento colectivo 36

Las desigualdades sociales como obstáculos 37

La percepción de los derechos en contexto de desigualdades 37

La Mirada micro-sociológica 39

La micro-sociología en el procesamiento de las desigualdades sociales 41

La micro-sociología en la formación social 42

Pluralismo social efectivo 43

Derechos Humanos y Solidaridad 53

La posibilidad de la estructura 54

Grupo y Estructura 55

Pluridimensionalidad de la Realidad Social 57

Deconstrucción y Recuperación de las Aspiraciones 58

El problema sociológico de los valores 60

Valores e Ideales 62

La sociología de la vida moral: Lo Deseable 64

Lo Deseable 65

Conclusión 67

Perfil del autor Jacob (J.) Lumier 71

Notas de Fim 73

 

 Desigualdades, Crecimiento y Deconstrucción.

Si en razón de la especialización de las funciones se nota que la división del trabajo en las sociedades industriales segrega desigualdades, lo mismo no se pudiera decir para la diferenciación de tres clases afirmadas en el espacio público y en las ideas. El esquema de que hay una clase del trabajo, otros con la pose y los desfavorecidos con la necesidad en estado puro es un esquema que sobrepasa las determinaciones económicas de las relaciones de producción, ni debiera ser tratada como un reflejo. Antes de esto, revela-se un esquema cuya base es la psicología colectiva, específicamente, el psiquismo de la estructura de clases.

Para allá de la tendencia utilitarista

En los estudios sobre las desigualdades se hace notar tendencia orientada a la sociología de las organizaciones económicas en la que se concentra la atención en las cualidades reificadas como “capital cultural”, “capital humano” (incluyendo el “capital intelectual”), y “capital social”. Existe la opinión de que, en el entorno capitalista, la sociología debe verificar la causa motriz de las desigualdades y describir el funcionamiento del sistema que los utiliza para el desarrollo.

Trata-se de tendencia utilitarista que sirve a la enseñanza de administración con  aplicación en pesquisas circunscritas a los ambientes de los agrupamientos de localidad, cuyo servicio en escala global es todavía dudoso por no disponer de metodología crítica para esquivar la reificación de los papeles y posiciones socias. Sin embargo, a pesar de su afinidad con el estado de cosas del actual modelo productivista, la tendencia utilitarista tuvo el mérito de haber puesto en relieve la categoría economicista de ventaja diferencial, como criterio en la descripción del sistema de desigualdades en estratos económicos y sociales, aplicable a todas las cosas que cuentan puntos en un curriculum vitae o en portfolios.

Como sabe el fuerte ascenso del neoliberalismo después de los años noventa implicó mayor empeño en ventaja diferencial, que sobrepasó los muros del mundo corporativo y adquirió contorno de ideología económica [ii], con impacto negativo en las pesquisas sobre desigualdades y estratificación social en ambiente capitalista. Negativo en razón de que la ventaja diferencial está muy lejos de lo que se verifica como determinismos sociales y, como cualquier mistificación, contradice la explicación en sociología, se agarra en las mentalidades como el fetiche del precio – en sentido de la teoría del fetichismo de la mercadoría como personificación del capital, descubierta en sociología económica por Karl Marx.

De esta forma, la ventaja diferencial es puesta contra la solidariedad en las relaciones con los otros, y genera condicionamiento para las relaciones de distanciamiento en detrimento de la aproximación.

En consecuencia, la simple descripción de la distribución y busca de ventaja diferencial en los estudios de estratificación en ambiente capitalista revela-se insuficiente delante de la  actual demanda por una sociología con provecho para deconstruir las desigualdades como obstáculos a la universalización de los Derechos Humanos y Sociales.

No se trata únicamente una cuestión de servicio. Sobrepasar la insuficiencia de la tendencia utilitarista implica reconocer que el tratamiento sociológico positivo no está limitado a la representación de las desigualdades como reflejo de las ineluctables relaciones de producción en régimen capitalista. Por el contrario, la base de las desigualdades es verificada en psicología colectiva, más específicamente en el psiquismo de la estructura de clases.

La crítica al enfoque economicista por la ventaja diferencial

Desde el punto de vista economicista enfocado en la ventaja diferencial[iii], el término “desigualdades sociales” viene cargado de pre-significaciones económicas para disfrazar la hegemonía del capitalismo financiero organizado y hacer creer en la “economía de mercado” [iv] que ya no prevalece en el mundo estandarizado.

De esta forma, describe-se únicamente el desempeño del control capitalista financiero, con la proyectada dinámica de las desigualdades sociales siendo fomentada en facto por las jerarquías industriales y financieras, tomadas (a) como agencias pero no de supuesta concurrencia que, en realidad, no pasa del incentivo material segregado por las políticas económicas para la controlada distribución lucrativa de los productos,  (incentivo para las actividades empresariales o programas de competitividad); (b) pero sí agencias reproductoras del  Siempre Igual de la producción en masa [v].

De ahí, al envés de crítica a la hegemonía burguesa por el capitalismo financiero organizado y dirigista, con su mundo estandarizado, el análisis enfocado en la ventaja diferencial llega  a la “conclusión” previamente establecida de que el sistema de las organizaciones empresariales incluye la dinámica de las desigualdades en estratificación por niveles de rendimiento como factor positivo del desarrollo.

Trata-se de reducción por el utilitarismo normativo [vi] en que el marco de referencia global del capitalismo con su mundo estandarizado ven a ser substituido por un de sus fetiches, esto es, la “ventaja diferencial”. De esta forma, nada más hace que reencontrar la ilusión de los neo-liberales al proclamar su delirio pro mercaderización [vii] de las relaciones humanas (tornándolas factores del lucro) de que “no existe la sociedad, sino únicamente el mercado[viii].

 

Reificación y función de representación en el psiquismo de la estructura de clases [ix]

 

Veja a obra La Sociología, los Derechos Humanos y la Deconstrucción de las Desigualdades: Estudio crítico sobre la estratificación social en entornos capitalistas. Tecle aqui


 

Notas

[i] Universal Declaration of Human Rights – Preamble.

[ii] Vea el influente libro “Competitive Advantage“, del economista Michael E. Porter, adelante.

[iii] La aplicación de la categoría de la ventaja diferencial tiene base en el libro del influente especialista Porter, Michael E: Competitive Advantage: Creating and sustaining superior performance, New York, Free Press; London, Collier Macmillan, 1985; Versión portuguesa: Vantagem Competitiva: Criando e sustentando um desempenho superior, Rio de Janeiro, Campus, 1990.

[iv] Habiendo perdido la connotación liberal, el termino mercado se limita a designar un aspecto del orden monetaria y especulativa regulada y protegida por el Estado e incorporada en el sistema de las bancas centrales, aunque preserve la circulación controlada de mercaderías, en la que el valor de cambio dá lugar al precio inflacionario.

[v] Cf. Adorno, T. W. (1903 – 1969): “Prismas: la Critica de la Cultura y la Sociedad”, traducción de Manuel Sacristán, Barcelona, Ariel, 1962, 292 pp. (Original en Alemán: Prismen. Kulturkritik und Gesellschaft. Berlin, Frankfurt A.M. 1955).

[vi] En la medida en que ha puesto en pauta la cuestión de los criterios de valor de una norma relacionada a su utilidad como imagen de felicidad para el mayor número, el utilitarismo doctrinario y normativo de Jeremy Bentham (1748-1832) y John Stuart Mill (1806 – 1873), que gozaba excepcional prestigio en los medios progresistas de la época, suscitó como saben reacciones en varios medios intelectuales, especialmente entre los sociólogos diligentes como Émile Durkheim (1858 – 1917), que en su conocida obra datada de 1893 intitulada “De la division du travail social”, allí contestó acertadamente el eudemonismo, como señaló Gurvitch. Esencial su recusa de la “utilidad” como criterio último de las acciones humanas y como base mensurable de análisis de las cuestiones políticas, sociales y económicas.

De la misma manera, al repeler sea cual sea la tentativa en establecer un absoluto para la vida moral con imposición a los hechos sociales, se ha tornado igualmente indispensable al notable sociólogo repeler como eudemonismo la pretensión utilitarista en reducir el valor de una norma únicamente a su utilidad como criterio de felicidad para el mayor número.

Oposición sociológica tanto más consecuente cuanto se sabe que el utilitarismo liberal está lejos de ser una propuesta inconsistente. La idea de que una de las funciones de la política es promocionar el bien-estar humano encuentra en lo mismo una justificación teórica adecuada (la democracia puede ser vista como una especie de Utilitarismo aplicado, en la medida en que, siendo el gobierno de la mayoría, defenderá los intereses del mayor número).

[vii] La mercaderización es un concepto con largo empleo en la crítica de la sociedad. En este trabajo es utilizado para designar el control capitalista en ámbito de la psicología colectiva, como mercaderización de las relaciones humanas, pero deben tener cuenta que hay una tendencia para la mercaderización de la sociedad, como es observado en el siguiente texto: (…) “El valor de uso es transformado en valor de cambio cuando sólo puede realizarse pasando por su tamiz, por su lógica. El valor de cambio no es sólo el valor de un intercambio sino la conversión del valor de uso en valor de cambio. Esto significa que sólo puedo satisfacer mis necesidades y deseos si se encuentran en el mercado, en el esquema de la oferta y la demanda. Si no hay encuentro, no hay satisfacción. La “sociedad de mercado” no es una sociedad “con” mercado, sino una sociedad cuyos enteros modos de funcionar (político, cultural, religioso, etc.) pasan por los parámetros mercantiles. La mercaderización de la sociedad es la universalización de la excepción mercantil (la excepción por la cual la oferta y la demanda no se corresponden sino bajo una asimetrización por la que uno u otro polo sale perdiendo).” (…) Cf: Jorge Iacobsohn: “El marketing como ideología”. Internet, Revista “Bajo Control” (25/11/2010) http://bajocontrol.over-blog.es/article-el-marketing-como-ideologia-61689499.html (verificado en 2 de Abril 2013).

 

[viii] Ese lema neoliberal releva de la siguiente proposición de Margaret Thatcher (1925 – 2013): “There is no such thing as society (…).” Cf. The Downing Street Years, Harper Collins, London 1993, p. 626.

[ix] Mi exposición más detallada de este punto está en “Karl Marx e a Sociologia do Conocimento – 2ª edição ampliadahttp://www.bubok.es/libros/221823/Karl-Marx-e-a-Sociologia-do-Conocimento–2-edicao-ampliada

Crítica aos Paradigmas de Localização

Reflexão crítica às orientações centradas nas categorias de posição e movimento, visando dimensionar o alcance da mirada sociológica diferencial.