Apresentação do e-Book Cultura e Consciência Coletiva

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CULTURA E CONSCIÊNCIA COLETIVA:
Leituras Saint-simonianas de Teoria Sociológica – por Jacob (J.) Lumier
http://www.oei.es/salactsi/lumier.pdf

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APRESENTAÇÃO
Ao comunicar sobre a sociologia o sociólogo faz algo mais do que um paper de universidade. Sua aproximação da matéria inclui a mais do caráter desinteressado do conhecimento científico uma mirada vinculada à prática profissional. Desta sorte produz textos sociológicos, elaborações sobre a realidade social que aportam não só os resultados da sociologia que faz, mas igualmente revelam os procedimentos em vias de fazer.

Há uma indispensabilidade em produzir texto sociológico para a prática do sociólogo, na qual os resultados levam aos procedimentos e vice-versa ultrapassando a sugestão epistemológica de estabelecer um hiato entre contexto da descoberta e contexto da justificação.

Esta obra mostra que o estudo histórico da sociologia revela- se uma pesquisa de sociologia dos quadros operativos da teoria sociológica e constitui a continuação do nosso e-book Leitura da Teoria de Comunicação desde o ponto de vista da Sociologia do Conhecimento, publicado na Biblioteca Virtual de Ciencia, Tecnología, Sociedad e Innovación, junto ao Programa Sala de Lectura CTS+I, da O.E.I.(Organización de Estados Iberoamericanos).

Elaboramos pela revalorização pedagógica da colocação do conhecimento em perspectiva sociológica, orientação esta atualmente solicitada para contrarrestar a filosofia abstrata das ciências cognitivas: para o sociólogo não há comunicação fora do psiquismo coletivo.
[Se o mundo como significado foi transposto pela modernização “a uma distância muito vaga” das vidas das pessoas não se pode deixar aí passar inteiramente despercebido que a autonomia do significado em relação ao significante em contexto de dependência de um grupo, classe ou sociedade global configura a criação de ligações com o próprio significado autônomo, expressando não o Outro imaginário do entendimento abstrato da alteridade, mas desde o ponto de vista do contexto de realidade social expressando as relações com outrem.]
Entendendo que a linguagem humana exige uma união prévia, seguimos o realismo de Georges Gurvitch em relação ao interesse, alcance e especificidade da teoria sociológica distinguindo sem separar os elementos históricos e os elementos pouco ou não-históricos da realidade social. Desta sorte, aprofun damos a sociologia diferencial e a dialética acentuando o ponto de vista da autonomia relativa dos grupos em relação às classes e às sociedades globais por desenvolvimento da microssociologia e do pluralismo social efetivo. Entende-se, portanto, que o subtítulo deste ensaio como Leituras Saint-Simonianas visa acentuar que a sociologia é ciência dos determinismos sociais e que suas raízes estão plantadas na sociedade industrial.

Quanto ao nosso estilo, contrariando as sugestões editoriais de que os escritos com disciplina científica devem ser impessoais, utilizamos a primeira pessoa do plural para afirmar a vontade de valor ou de verdade. [Repelimos o paradoxo em se ignorar nos seres do passado a vontade de valor ou de verdade, lembrando que Raymond Aron sublinha a separação radical do fato e dos valores em Max Weber como limitando erroneamente a compreensão da conduta individual unicamente na referência das ideias de valor. Por contra, criando hermenêutica weberiana em um dos seus primeiros ensaios marcantes, sustenta esse estudioso que se tal concepção excluindo a vontade de valor ou de verdade fosse admitida não se teria o critério para diferenciar entre uma obra de filosofia como a “Crítica da Razão Pura” de Kant e as imaginações delirantes de um paranóico, já que ambas seriam colocadas no mesmo plano. Ver Aron, Raymond: Introduction à la Philosophie de l’Histoire (Paris, Gallimard).]

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Rio de Janeiro, Dezembro 2007.

Artigo sobre a Desconstrução das Desigualdades Sociais

 Capa do Artigo
Capa do Artigo

          Ementa, Resumo, Apresentação e Sumário do ensaio de sociologia publicado junto a Think Tank for Global Sociology intitulado A Desconstrução das Desigualdades Sociais[i].

Por Jacob (J.) Lumier

http://www.sociologynetwork.org/

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Ementa

Notas sobre a experiência de Sociólogos sem Fronteiras Rio de Janeiro – SSF/RIO junto à Cúpula dos Povos na “Rio+20”- Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em Junho 2012, na cidade do Rio de Janeiro.

Remarks to work on the deconstruction of social inequalities: An experience of Sociologists Without Borders- SSF/RIO with the Peoples’ Summit at Rio +20″ (Event United Nations, June 2012, Rio de Janeiro).

Resumo

Neste artigo o autor põe em obra uma crítica à falsa suposição tirada do antigo atomismo social de que, mediante a imposição do sistema de vantagens e desvantagens que compõem as desigualdades sociais, o controle capitalista das aspirações ao bem-estar tivera absorvido completamente a sociabilidade humana (“não existe sociedade, só há o mercado”).   Sustenta que a experiência sociológica de participar na Cúpula dos Povos reconhece a redescoberta do pluralismo social efetivo subjacente.

Abstract

In this article, the author presents as a paper, a critical opinion ( criticism) to the false assumption withdrawn from old social atomism that the capitalist control of welfare aspirations, by imposition of system of advantages and disadvantages that is part of the social inequalities, has completely absorbed the human sociability ( “ there is no society, but only market” ). It sustains that the sociological experience of taking part in The People’s Summit, recognizes the discovery of effective and fundamental social pluralism.

Key words:

Social Atomism, People’s Summit, economism, sociological experience, social pluralism

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Apresentação

O principal critério dos materiais empíricos é a variabilidade: Os agrupamentos particulares mudam de caráter e não apenas de posições; assumem identidades e diferenças não assumidas em tipos ou subtipos de sociedades diferentes. Na medida em que participam da mudança em eficácia que se opera no interior das estruturas, os grupos, mais do que se deslocarem conforme trajetórias apenas exteriores, se movem nos tempos sociais. A análise estrutural é inseparável da realidade social histórica.

Como se sabe, os universos simbólicos são passíveis de cristalização segundo processos de objetivação, sedimentação e acumulação do conhecimento. Esses processos de cristalização levam a um mundo de produtos teóricos que, porém, não perde suas raízes no mundo humano, de tal sorte que os universos simbólicos se definem como produtos sociais que têm uma história.  Antes de se ligarem aos papéis sociais, como desejaram equivocadamente os formalistas, as expectativas se ligam ao esforço coletivo, incluindo-se, neste último, os históricos não só de iniciativas, projetos e métodos, mas das tentativas e das próprias realizações de um agrupamento social.

A compreensão elaborada neste ensaio é orientada pela afirmação espontânea do equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros, como foco da vida do Direito, que se inclui nas manifestações da sociabilidade e no consequente pluralismo social efetivo subjacente ao controle capitalista.  Trata-se de um dado empírico que derruba por terra os axiomas tirados do atomismo social e projetados na consigna neoliberal de que “não existe sociedade, só há o mercado”.

A experiência sociológica de participar na Cúpula dos Povos, matéria deste ensaio, traduz-se como instância crítica da mercadorização das relações humanas e, deste ponto de vista, põe em questão a categoria economicista da vantagem diferencial como componente do condicionamento individual imposto pelo controle capitalista, aplicável a todas as coisas que contam pontos em um curriculum vitae ou em portfólios.

A crítica proposta alcança a aplicação da categoria economicista da vantagem diferencial que se traduz nos conceitos de “capital social”, “capital humano” (inclui o “capital intelectual”) e “capital cultural”, utilizados como critérios para: (a) comparar as desigualdades sociais com alcance na economia: desigualdades de oportunidades, de níveis de vida, de acesso ao consumo, aos conhecimentos, aos bens e valores desejados; desigualdades de realizações pelo trabalho, no exercício dos direitos individuais e sociais e das liberdades, etc.; e…  (b) relacioná-las em hierarquias variadas, a fim de descrever um sistema estratificado característico de um dado regime capitalista (estratos econômicos e sociais).  Tais aplicações preservam intocado o problema sociológico da desigualdade e deixam de lado a grave disparidade entre opulência e pobreza.

Novembro 2012

Jacob (J.) Lumier

https://profiles.google.com/j.lumier/about

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Sumário

Apresentação   6

O Limite da Igualdade   9

Os Direitos Sociais           10

O Controle Capitalista   10

Pluralismo social e Sentimento coletivo               11

A experiência Sociológica            12

A falsa suposição de atomismo social    12

Momento de análise     12

Expectativas e Solidariedade     13

Contra o atomismo        14

Conceito dialético de grupo       15

Crítica do enfoque economicista pela vantagem diferencial       17

Reificação e função de representação no psiquismo da estrutura de classes     17

O saber economicista e o psiquismo da classe burguesa              17

Unilateralização e generalização das necessidades         18

O desejo de posse         19

A sabedoria de frieza    20

A ficção do futuro           20

A satisfação das necessidades e a disposição praticista.               21

A vantagem diferencial no esvaziamento das significações humanas     21

A função conservadora da vantagem diferencial             22

A função social de reconciliar os homens com as más condições de vida.             23

O Pluralismo Social Efetivo          23

Juízos de Valor e Juízos de Realidade    24

A inserção do sociólogo na desconstrução das desigualdades.  25

Nota Complementar Sobre O Produtivismo       26

Nota Complementar Sobre A Transformação Das Necessidades              28

Nota sobre o utilitarismo normativo      29

Notas de Fim     29

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[i] O artigo em epígrafe foi desdobrado dos documentos apresentados pelo autor em sua participação na Cúpula dos Povos, já divulgados online na Web da Rede dos Povos e nesta Web. Acesse o seguinte link: http://ssfrjbrforum.wordpress.com/vantagem-diferencial-e-desigualdades-sociais/