Os Estados, os líderes e os direitos humanos hoje

Les Etats doivent défendre les principes des droits de l’homme
dans la lutte contre l’extrémisme violent – Zeid Ra’ad Al Hussein

GENEVE (5 mars 2015) – Dans le cadre d’un important discours prononcé ce jeudi, le Haut-Commissaire des Nations Unies aux droits de l’homme Zeid Ra’ad Al Hussein a prévenu que le monde pourrait se trouver à un « tournant de notre siècle jeune et troublé ». Il a exhorté les Etats à ne « pas lâcher prise » sur les principes des droits de l’homme qui sous-tendent leurs sociétés dans la lutte contre l’extrémisme violent.

« Il existe un risque réel que, dans leur réaction contre la violence extrémiste, les leaders d’opinion et les décideurs ne lâchent prise sur les principes plus profonds qui sous-tendent le système de sécurité globale échafaudé par les Etats il y a 70 ans pour conjurer l’horreur de la guerre », a déclaré le Haut-Commissaire.

« Le combat contre la terreur est une lutte pour défendre les valeurs de la démocratie et des droits de l’homme, et non pour les saper », a ajouté Zeid Ra’ad Al Hussein. « Les opérations antiterroristes non spécifiques, disproportionnées, brutales et mal supervisées violent les normes même que nous cherchons à défendre. Elles risquent aussi de fournir aux terroristes un outil de propagande, n’offrant ainsi à nos sociétés ni davantage de liberté ni davantage de sécurité », a-t-il poursuivi.

L’utilisation de la torture, les manquements relatifs aux garanties judiciaires et les punitions collectives ne rendent pas le monde plus sûr, a ajouté le Haut-Commissaire, en citant la déclaration de l’ancien Président des Etats-Unis George W. Bush selon lequel Guantanamo était devenu « un outil de recrutement pour nos ennemis ».

La vaste allocution adressée aux 47 membres du Conseil des droits de l’homme de l’ONU a abordé de nombreuses questions importantes touchant des pays et des personnes à travers le monde entier, y compris de nombreuses formes de discrimination ainsi que la haine raciale et religieuse.

« Je suis consterné par la vague croissante d’attaques à travers le monde qui prennent pour cible les personnes sur la base de leurs croyances religieuses », a-t-il précisé. « … Nous continuons à observer des actes atroces de haine raciale et religieuse, y compris dans de nombreux pays d’Europe occidentale et d’Amérique du Nord, ainsi que des preuves de comportements policiers injustes, d’insultes et d’exclusion quotidiennes … Il devrait être évident que l’islamophobie, l’antisémitisme et les attaques qui ciblent des chrétiens ou d’autres groupes en raison de leurs croyances témoignent de la même intolérance toxique. »

Le Haut-Commissaire a aussi parlé du manque d’attention apportée aux droits économiques et sociaux ainsi qu’aux problèmes de la pauvreté, de la migration, du changement climatique et des causes profondes de l’épidémie d’Ebola.

Les tentacules du mouvement extrémiste takfiri vont par-delà l’Iraq et la Syrie, a-t-il noté, atteignant aussi le Nigéria, le Yémen, la Libye, la Somalie et au-delà. Le Haut-Commissaire a aussi déclaré être très préoccupé par les mesures limitant la liberté d’expression et l’espace démocratique dans de nombreux pays, y compris l’Arménie, l’Azerbaïdjan, le Bangladesh, le Burundi, la République démocratique du Congo, l’Egypte, la Hongrie, le Myanmar, le territoire palestinien occupé, la Fédération de Russie, l’Arabie saoudite, la Tanzanie, la Thaïlande, la Turquie, le Venezuela et le Viet Nam.

« Lorsque des leaders puissants se sentent menacés par un tweet, un blog ou par un discours de lycéens, cela montre une faiblesse sous-jacente profonde », a-t-il dit. « Et lorsque des écrivains sont enlevés, emprisonnés, fouettés ou mis à mort ; que des journalistes sont agressés, soumis à des violences sexuelles, torturés ou tués ; que des manifestants pacifiques sont abattus par des voyous ; que des avocats spécialistes des droits de l’homme, des défenseurs des droits de l’homme et des militants des droits fonciers sont arrêtés et jetés en prison sous de fausses accusations de sédition ; que des journaux sont attaqués ou fermés – tous ces cas attaquent et sapent les bases d’une gouvernance stable. »

Zeid Ra’ad Al Hussein a aussi déploré le retour de la peine de mort en Indonésie, en Jordanie et au Pakistan, ainsi que le recours continu et répandu à la peine de mort en Chine, en Iraq, en Iran et aux Etats-Unis. Il a aussi mis en lumière la situation des droits de l’homme en République centrafricaine, en République populaire démocratique de Corée, à Mexico, au Sri Lanka, au Soudan du Sud, au Soudan, en Ukraine ainsi que l’approche adoptée par l’Australie envers les migrants irréguliers et les demandeurs d’asile. Il a félicité la Colombie et la Tunisie pour les avancées importantes réalisées dans le domaine des droits de l’homme.

« Ce sont les citoyens qui soutiennent les gouvernements, créent de la prospérité, guérissent, éduquent les autres et payent les services gouvernementaux et autres services par leur travail. Ce sont leurs luttes qui créent et soutiennent les Etats. Les gouvernements existent pour servir le peuple, et non l’inverse », a déclaré Zeid Ra’ad Al Hussein.

FIN

Le discours dans son entier est disponible ici (en anglais) : http://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=15642&LangID=E

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Declaração Final da Cúpula dos Povos

Declaração final

Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental
Em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida

Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.

A Cúpula dos Povos é o momento simbólico de um novo ciclo na trajetória de lutas globais que produz novas convergências entre movimentos de mulheres, indígenas, negros, juventudes, agricultores/as familiares e camponeses, trabalhadore/as, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, lutadores pelo direito a cidade, e religiões de todo o mundo. As assembléias, mobilizações e a grande Marcha dos Povos foram os momentos de expressão máxima destas convergências.

As instituições financeiras multilaterais, as coalizações a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferencia oficial. Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.

Há vinte anos o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo. Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global. À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema economico-financeiro.

As múltiplas vozes e forças que convergem em torno da Cúpula dos Povos denunciam a verdadeira causa estrutural da crise global: o sistema capitalista patriarcal, racista e homofobico.

As corporações transnacionais continuam cometendo seus crimes com a sistematica violação dos direitos dos povos e da natureza com total impunidade. Da mesma forma, avançam seus interesses através da militarização, da criminalização dos modos de vida dos povos e dos movimentos sociais promovendo a desterritorialização no campo e na cidade.

Da mesma forma denunciamos a divida ambiental histórica que afeta majoritariamente os povos oprimidos do mundo, e que deve ser assumida pelos países altamente industrializados, que ao fim e ao cabo, foram os que provocaram as múltiplas crises que vivemos hoje.

O capitalismo também leva à perda do controle social, democrático e comunitario sobre los recursos naturais e serviços estratégicos, que continuam sendo privatizados, convertendo direitos em mercadorias e limitando o acesso dos povos aos bens e serviços necessarios à sobrevivencia.

A dita “economia verde” é uma das expressões da atual fase financeira do capitalismo que também se utiliza de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento publico-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.

As alternativas estão em nossos povos, nossa historia, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como projeto contra-hegemonico e transformador.

A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economia cooperativa e solidaria, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética,  são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial.

A defesa dos bens comuns passa pela garantia de uma série de direitos humanos e da natureza, pela solidariedade e respeito às cosmovisões e crenças dos diferentes povos, como, por exemplo, a defesa do “Bem Viver” como forma de existir em harmonia com a natureza, o que pressupõe uma transição justa a ser construída com os trabalhadores/as e povos.

Exigimos uma transição justa que supõe a ampliação do conceito de trabalho, o reconhecimento do trabalho das mulheres e um equilíbrio entre a produção e reprodução, para que esta não seja uma atribuição exclusiva das mulheres. Passa ainda pela liberdade de organização e o direito a contratação coletiva, assim como pelo estabelecimento de uma ampla rede de seguridade e proteção social, entendida como um direito humano, bem como de políticas públicas que garantam formas de trabalho decentes.

Afirmamos o feminismo como instrumento da construção da igualdade, a autonomia das mulheres sobre seus corpos e sexualidade e o direito a uma vida livre de violência. Da mesma forma reafirmamos a urgência da distribuição de riqueza e da renda, do combate ao racismo e ao etnocídio, da garantia do direito a terra e território, do direito à cidade, ao meio ambiente e à água, à educação, a cultura, a liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação.

O fortalecimento de diversas economias locais e dos direitos territoriais garantem a construção comunitária de economias mais vibrantes. Estas economias locais proporcionam meios de vida sustentáveis locais, a solidariedade comunitária, componentes vitais da resiliência dos ecossistemas. A diversidade da natureza e sua diversidade cultural associada é fundamento para um novo paradigma de sociedade.

Os povos querem determinar para que e para quem se destinam os bens comuns e energéticos, além de assumir o controle popular e democrático de sua produção. Um novo modelo enérgico está baseado em energias renováveis descentralizadas e que garanta energia para a população e não para as corporações.

A transformação social exige convergências de ações, articulações e agendas a partir das resistências e alternativas contra hegemônicas ao sistema capitalista que estão em curso em todos os cantos do planeta. Os processos sociais acumulados pelas organizações e movimentos sociais que convergiram na Cúpula dos Povos apontaram para os seguintes eixos de luta:

  • Contra a militarização dos Estados e territórios;
  • Contra a criminalização das organizações e movimentos sociais;
  • Contra a violência contra as mulheres;
  • Contra a violência as lesbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgeneros;
  • Contra as grandes corporações;
  • Contra a imposição do pagamento de dívidas econômicas injustas e por auditorias populares das mesmas;
  • Pela garantia do direito dos povos à terra e território urbano e rural;
  • Pela consulta e consentimento livre, prévio e informado, baseado nos princípios da boa fé e do efeito vinculante, conforme a Convenção 169 da OIT;
  • Pela soberania alimentar e alimentos sadios, contra agrotóxicos e transgênicos;
  • Pela garantia e conquista de direitos;
  • Pela solidariedade aos povos e países, principalmente os ameaçados por golpes militares ou institucionais, como está ocorrendo agora no Paraguai;
  • Pela soberania dos povos no controle dos bens comuns, contra as tentativas de mercantilização;
  • Pela mudança da matriz e modelo energético vigente;
  • Pela democratização dos meios de comunicação;
  • Pelo reconhecimento da dívida histórica social e ecológica;
  • Pela construção do DIA MUNDIAL DE GREVE GERAL.

Voltemos aos nossos territórios, regiões e países animados para construirmos as convergências necessárias para seguirmos em luta, resistindo e avançando contra os sistema capitalista e suas velhas e renovadas formas de reprodução.

Em pé continuamos em luta!

Rio de Janeiro, 15 a 22 de junho de 2012.
Cúpula dos Povos por Justiça Social e ambiental em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida.

Enlace para a fonte de publicação na Web da Cúpula dos Povos